Aliados e partidos da base de Flávio Bolsonaro defendem o resultado das urnas após carta
O União Brasil diz que a eleição de 25 de outubro teve lisura, e o coordenador da campanha admite que não há provas de fraude.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Aliados e ex-aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) passaram a defender publicamente o resultado do segundo turno. Ele se recusou a reconhecer a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, depois de deixar o país, divulgou uma carta nesta quarta (28), na qual se autoproclamou presidente eleito, líder do Brasil e da oposição.
Lula venceu o segundo turno de 25 de outubro por 4,4 milhões de votos, e o União Brasil, que apoiou Flávio na disputa, diz que o resultado deve ser respeitado.

União Brasil e aliados reconhecem o resultado
O União Brasil, partido da base de apoio da campanha de Flávio, divulgou nota assinada pelo presidente nacional, Antonio Rueda, em que defende o respeito à decisão dos eleitores. No texto, Rueda escreve que "a eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura, e o seu resultado deve ser respeitado". A nota diz ainda que a democracia é um valor inegociável para o partido.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha, admitiu que não há provas de fraude no segundo turno. Marinho também disse ter ficado surpreso com a saída de Flávio do país.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que a eleição acabou e que o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. Ele disse entender a indignação de Flávio, mas rejeitou a postura do senador.
Carta sem provas e investigação da PF
Na carta, Flávio afirma que a eleição foi fraudada, sem apresentar provas. A primeira versão o chamava de "verdadeiro presidente eleito"; meia hora depois, o termo virou "líder do Brasil". O texto também critica a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de estender a votação até as 19h, medida que atendeu a pedidos das campanhas do PL e do PT.
A Polícia Federal informou, em nota de 28 de outubro, que investiga as circunstâncias do descumprimento das ordens judiciais pelo senador, na PET nº 16877/DF. A pedido da PF, o ministro Alexandre de Moraes havia determinado a apreensão de passaportes e a proibição de sair do país. Os passaportes comum e diplomático foram cancelados, e Flávio foi intimado a entregar eventuais documentos de outras nacionalidades.
A PF disse que não há registro oficial de saída dele pelos postos de controle migratório. Esclareceu também que as restrições de viagem, por si só, não o tornam foragido nem autorizam prisão automática. Lula chamou a saída do país de "ato vergonhoso" e disse que Flávio deveria ter entregado o passaporte.
O presidente americano, Donald Trump, disse que não pretende se envolver na crise política brasileira. A investigação da PF segue em andamento na PET nº 16877/DF.
Saber mais: fontes consultadas (5)
- Polícia Federal, Nota à imprensa
- Agência Brasil, Fuga e carta golpista ampliam isolamento de Flávio Bolsonaro
- Agência Brasil, Em carta golpista, Flávio agradece Milei e Trump por apoio para fuga
- Agência Brasil, Rogério Marinho diz que não há provas de fraude eleitoral
- Agência Brasil, "Ato vergonhoso", diz Lula sobre fuga de Flávio Bolsonaro
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