Aliado culpa ChatGPT por erros na carta de Flávio Bolsonaro; Valdemar diz que não gostou
Credenciais do PDF apontam uso de um modelo da OpenAI na criação do arquivo, mas isso não prova que a IA escreveu o texto.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou na quarta-feira (28), dos Estados Unidos, uma carta em que contesta o resultado da eleição presidencial. Nesta quinta (29), o aliado Paulo Figueiredo atribuiu ao ChatGPT os erros do documento, e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que não gostou do texto.
Lula (PT) venceu com 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio, segundo o TSE. A diferença foi de 4.430.191 votos.

O que a carta dizia e como mudou
Na primeira versão, Flávio se apresentava como o "verdadeiro presidente eleito do Brasil". Na versão corrigida, a expressão virou "líder do Brasil". O primeiro arquivo trazia ainda um brasão antigo, com a inscrição "Estados Unidos do Brazil".

A troca de expressão não mudou o conteúdo político. Flávio alegou fraude sem apresentar provas e questionou a prorrogação do horário de votação.
O que Figueiredo diz sobre o ChatGPT
Figueiredo publicou a explicação nas redes sociais. Segundo seu relato, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL) pediu ao ChatGPT que inserisse o brasão da República, e a ferramenta teria usado uma versão antiga do símbolo. O segundo erro, de acordo com ele, foi a inclusão de um trecho de versão anterior, em que Flávio se dizia "presidente eleito".
Figueiredo afirmou que uma carta desse tipo passa por várias versões, com a contribuição de mais de uma pessoa. A Folha identificou ao menos quatro versões do texto.
Há um dado técnico. A coluna de Andreza Matais, no Metrópoles, consultou as Content Credentials do PDF na ferramenta Adobe Content Authenticity, que apontaram um modelo GPT, da OpenAI, na criação do arquivo. Isso não prova que o ChatGPT escreveu o texto.
Outra versão circula nos bastidores. Segundo O Globo, com base em relatos de aliados, Flávio recuou após receber alertas jurídicos sobre o risco de ser processado.
Valdemar e a base reagem
Valdemar disse que não gostou do documento e que ninguém aprovou a carta, segundo o G1. Ele também afirmou que Jair Bolsonaro não sabia que o filho deixaria o país.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, também se distanciou do texto. Marinho chamou o texto de desabafo e disse que não podia afirmar que houve fraude, segundo a CBN. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu o respeito às urnas, segundo o jornal A Tribuna.
E o mandato no Senado?
Flávio é senador pelo Rio de Janeiro desde 2019.
Na carta, Flávio agradece aos presidentes Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos, e diz que pretende organizar a oposição a partir dos EUA.
Saber mais: fontes consultadas (7)
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