44% dos corais de recife correm risco de extinção, aponta estudo; El Niño pode piorar
Cientista que coordenou a pesquisa na Nature diz que uma nova avaliação, feita depois do El Niño atual, pode passar de 50% das espécies em risco elevado.
Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 06:36 · 2 min de leitura

Cerca de 44% das espécies de corais construtores de recifes enfrentam risco elevado de extinção, segundo a avaliação de 774 espécies publicada na revista Nature nesta quinta (15).
Dessas, 33 foram classificadas como criticamente em perigo, 251 em perigo e 56 como vulneráveis , o que dá 340 espécies ameaçadas.
O cientista queniano David Obura, que coordenou o estudo e preside a Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) , avisou que o número pode estar defasado. Os dados vão só até 2020. Em entrevista à AFP, ele afirmou que o El Niño atual, de intensidade excepcional, soma "um nível adicional de risco aterrorizante".
Reavaliação pode passar de 50%
Obura disse à AFP que é possível uma reavaliação, feita logo depois deste El Niño, mostrar mais de 50% das espécies em risco elevado de extinção. É uma projeção do cientista, não um resultado medido pelo estudo.
O fenômeno atual foi declarado em junho e pode se tornar o mais intenso já registrado. Obura lembrou os efeitos devastadores do "super El Niño" de 1997-1998 sobre os corais e considera o episódio atual, previsto como ainda mais forte, uma "realidade aterrorizante".
O que o estudo mostra
O trabalho atualiza a avaliação anterior, de 2008. Naquela época, um terço das espécies era considerado ameaçado.
A análise indica que o estresse térmico ligado à mudança climática é o principal motor do declínio das populações.
O percentual de 44% já havia sido divulgado pela IUCN, a União Internacional para a Conservação da Natureza. A entidade o anunciou em 13 de novembro de 2024, durante a COP29, em Baku, no Azerbaijão. A novidade desta semana é a publicação científica revisada e o alerta de Obura sobre o El Niño em curso.
E o Rio Grande do Sul com isso
O estudo é global e trata de corais de águas quentes. Obura observa o colapso desses recifes nos trópicos. A ligação com o Sul do Brasil é o próprio fenômeno climático: o El Niño costuma trazer chuva acima da média ao RS na primavera.
Os corais funcionam como barreira contra a erosão, abrigam biodiversidade e armazenam carbono. Com o calor, sofrem branqueamento.
Em águas mais quentes, expulsam os microrganismos que lhes dão cor e alimento, e acabam morrendo de fome.
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