UFFS Erechim testa hidrogel de cinza de cana para tirar fármacos da água
Em testes com o bromazepam, o material teve eficiência de adsorção superior a 90% em determinadas condições; a pesquisa já rendeu duas dissertações e três artigos.
Redação Bairrista · Repórter de Educação · · 2 min de leitura

Pesquisadores da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), no Campus Erechim, desenvolvem um hidrogel feito com cinzas do bagaço de cana-de-açúcar, resíduo da indústria alcooleira, para tratar águas contaminadas com fármacos. A universidade divulgou o trabalho nesta terça (20).
O material atua por adsorção, processo em que o contaminante fica retido no hidrogel. No teste com o bromazepam, a eficiência passou de 90% em determinadas condições. A pesquisa ainda está em desenvolvimento, e os pesquisadores falam em aplicação futura, como tecnologia complementar de tratamento de águas e efluentes.
Pesquisa começou no mestrado e segue no doutorado
O projeto é coordenado pela professora Gean Delise Leal Pasquali. Começou como pesquisa de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental (PPGCTA) e agora segue em nível de doutorado.
O autor principal é Yago Vitorio Colares Pinto, bolsista do programa. Participam também estudantes e pesquisadores do Laboratório de Efluentes e Resíduos (LAER) e do Grupo de Pesquisa em Resíduos e Geotecnia Ambiental (REGEOAMB): mestrandos, doutorandos, docentes e graduandos bolsistas, principalmente de Engenharia Ambiental e Sanitária e de Ciências Biológicas. O LAER trabalha em parceria com o Laboratório de Geotecnia Ambiental (LABGEOAMB), coordenado pelo professor Eduardo Korf, coorientador das duas dissertações.
Cinza de cana remove mais de 90%; lodo de celulose, cerca de 30%
As dissertações defendidas recentemente são "Desenvolvimento de hidrogel a partir de cinzas do bagaço de cana de açúcar", de Yago Vitorio Colares Pinto, e "Hidrogel adsorvente de lodo da indústria de celulose para remoção de fármacos em efluentes aquosos: síntese e caracterização", de Danieli Brandler. Os dois estudos buscaram aproveitar subprodutos da indústria e da agroindústria como adsorventes.
O hidrogel com lodo de celulose removeu cerca de 30% do fármaco, resultado bem abaixo do obtido com a cinza de cana. Segundo Gean, isso mostra que cada material precisa ser avaliado individualmente.
"É necessário avaliar cada material individualmente quanto à possibilidade de agregação, sua estabilidade no adsorvente e, principalmente, se o mesmo não apresenta riscos ambientais quando utilizado como parte do adsorvente", afirmou a coordenadora.
Os pesquisadores dizem que a proposta se alinha à economia circular, porque une a remoção de contaminantes farmacêuticos da água ao reaproveitamento de resíduos.
Equipe quer aprimorar os materiais no doutorado
O projeto já resultou em três artigos publicados, e outros dois estão em avaliação para publicação. Com a continuidade no doutorado, a equipe pretende aprimorar os materiais e ampliar as aplicações do hidrogel.
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