TSE manda Meta tirar do ar áudio de Gayer sobre mesários; canal "Tropa do Flávio" segue
Multa é de R$ 100 mil por hora de atraso, e o corregedor avisa que novas publicações do mesmo tipo podem levar à suspensão do canal, que tem 2,1 milhões de seguidores.
Por que afeta o RS: Decisão do TSE sobre a eleição presidencial vale para todo o país, inclusive para os eleitores e as seções de votação no Rio Grande do Sul.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mandou retirar do WhatsApp um áudio do deputado federal e senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO). A gravação foi publicada na sexta-feira (23), às 11h43, no canal "Tropa do Flávio", e diz que mesários, especialmente no Nordeste, votariam no lugar de eleitores ausentes. A Meta tem duas horas, a partir da intimação, para remover o conteúdo, sob pena de multa de R$ 100 mil por hora.

A decisão tem alcance nacional, inclusive no Rio Grande do Sul. O segundo turno é neste domingo (25), dois dias depois da publicação do áudio. Não houve confirmação oficial de que a Meta tenha tirado o áudio do ar.
Canal continua no ar, com aviso de suspensão
O ministro rejeitou o pedido da campanha de Lula para suspender o canal por inteiro. Cueva escreveu que a suspensão integral é medida excepcional, cabível só se outras providências não bastarem. Ele alertou que a persistência ou a reiteração das condutas ilícitas pode levar à suspensão temporária, com base no art. 33-G da Resolução TSE nº 23.610/2019.
A decisão também proíbe a republicação do áudio ou de mensagens equivalentes, sob multa de R$ 100 mil por publicação. A proibição alcança os investigados, os administradores do canal e os representantes da campanha, inclusive em outras plataformas sob seu controle.
O que diz a decisão sobre o áudio
A ordem saiu de uma ação da Coligação "Brasil Pronto pra Mais" contra Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, candidatos do PL a presidente e vice. O áudio tem 1 minuto e 39 segundos. Nele, Gayer convoca apoiadores a atuarem como "fiscais" nas seções para impedir que mesários digitem votos de quem faltou.
Na decisão, Cueva afirma que a fiscalização partidária é legítima, mas que a acusação de fraude contra mesários não tem elementos concretos de comprovação. O ministro lembrou que a Justiça Eleitoral já havia desmentido essa narrativa.
O corregedor também justificou a urgência. Para ele, a narrativa às vésperas do segundo turno, em ambiente de ampla circulação e com estímulo ao compartilhamento, "evidencia risco concreto de propagação de desinformação". Segundo os registros do processo, o áudio tinha cerca de 25 mil encaminhamentos às 14h16, num canal com mais de 2,1 milhões de seguidores.
O segundo turno da eleição presidencial acontece neste domingo (25), em todo o país, inclusive nas seções do Rio Grande do Sul.
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