Três favoritos à chefia da ONU têm 2 sinais de veto cada; Grynspan lidera com 9 apoios
Na primeira votação com cédulas coloridas para os cinco membros permanentes, nenhum dos sete candidatos conseguiu apoio de todos eles.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 04:19 · 2 min de leitura

O Conselho de Segurança da ONU fez nesta sexta (16) a sexta votação para escolher o próximo secretário-geral , e nenhum dos sete candidatos tem o apoio dos cinco membros permanentes . A votação secreta foi a primeira a usar cédulas vermelhas para distinguir os votos desses cinco países, que têm poder de veto.

Sem acordo entre os cinco, ninguém chega à recomendação do Conselho. O candidato precisa de ao menos nove votos "encorajados" e de nenhum voto "desencorajado" de membro permanente.
António Guterres deixa o cargo em 31 de dezembro de 2026. Entre os três mais bem colocados está o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica e vizinho do Prata.
Grynspan segue na frente, com margem curta
A costarriquenha Rebeca Grynspan, secretária-geral da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), recebeu nove votos a favor, cinco contrários e um sem opinião. Dois dos votos contrários vieram de membros permanentes, segundo pessoas próximas ao processo.
Grossi e a embaixadora da Guiana na ONU, Carolyn Rodrigues-Birkett, tiveram oito votos a favor e seis contrários cada um. Ambos enfrentaram oposição de dois membros permanentes.
Grossi teve dois apoios de permanentes; Rodrigues-Birkett, três.
O presidente do Panamá, José Mulino, país que ocupa vaga rotativa no Conselho, havia declarado antes da votação que o voto panamenho seria para Grossi.
Os outros quatro candidatos receberam mais votos contrários do que favoráveis.
Uma analista ouvida pelo jornal The National disse que a distância entre os três primeiros está bem menor do que nas rodadas anteriores. A ONU não divulga o resultado oficialmente; os números vêm de diplomatas e de pessoas ligadas à apuração.
Votos contrários ainda podem mudar
Voto contrário em votação indicativa não é veto formal. Por ser um processo informal, os votos vermelhos "desencorajados" podem ser revertidos na votação seguinte ou na votação formal.
Grynspan disse à Reuters que não se surpreenderia com um veto e que ele seria só o início da negociação, como já ocorreu com outros vencedores.
Com os três primeiros contestados por dois permanentes cada, podem começar negociações entre os cinco e entre candidatos e esses países. Outra saída é o surgimento de novos nomes.
Os embaixadores dos EUA e da Rússia deixaram aberta a possibilidade de novas candidaturas.
Nenhum dos sete candidatos desistiu até agora, e nenhum nome novo entrou na disputa.
Em 2016, o Conselho levou seis votações indicativas para chegar ao acordo que escolheu Guterres.
Na última rodada daquele ano, ele teve 13 votos a favor, nenhum contrário e dois sem opinião.
O que vem a seguir
Grynspan se reúne na segunda (19) com a presidente da Costa Rica, Laura Fernández, e planeja conversas com membros do Conselho.
Dois diplomatas ouvidos pela agência AP disseram que a próxima votação indicativa, também com cédulas vermelhas, deve ocorrer na semana que vem. Depois da recomendação do Conselho, a Assembleia Geral costuma apenas confirmar o nome escolhido.
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