Trégua começa em Oleshky; ataque russo a Kyiv e 10 regiões mata mulher e fecha ponte
A ponte Pivdennyi, sobre o Dnipro, foi fechada e parte da linha verde do metrô parou; a Casa Branca estima de 1.700 a 2.000 moradores em Oleshky, e Zelensky diz que a reunião em Abu Dhabi depende dos russos.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 10 min de leitura
Atualizada 27/10, 22:22 · Zelensky disse, em pronunciamento na terça (27), que as forças ucranianas retomam território, citou pela primeira vez a operação Veles perto de Kupiansk e pediu mais defesa aérea ocidental.

Ucrânia e Rússia disseram ter iniciado, nesta terça (27), o cessar-fogo localizado em Oleshky, cidade da região de Kherson, no sul ucraniano, ocupada por tropas russas desde fevereiro de 2022. O acordo foi anunciado na sexta (23) e permite a entrada de ajuda e a retirada de moradores por corredores humanitários.
A pausa nos combates é restrita a uma cidade, mas abre uma rota para quem está isolado. Faltam eletricidade, aquecimento, água corrente, alimentos e medicamentos em Oleshky, e moradores relatam uma crise de alimentos cada vez mais grave. A Casa Branca estima que restem de 1.700 a 2.000 pessoas, entre elas cerca de 50 crianças.

Início é terça (27), mas a Casa Branca citou quinta (29)
O Estado-Maior da Ucrânia marcou o início para as 3h de 27 de outubro, no horário de Kyiv. O chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, afirmou que as tropas russas param de atirar às 4h, horário local, de terça. O comunicado da Casa Branca, porém, falou em quinta-feira, 29 de outubro. Segundo o ombudsman ucraniano Dmytro Lubinets, a pausa deve durar vários dias.
A mediação foi atribuída à primeira-dama dos EUA, Melania Trump. O texto da Casa Branca diz que ela atuou como "intermediária exclusiva" e alinhou objetivos, procedimentos técnicos e prazos com os dois países. O negociador-chefe ucraniano, David Arakhamia, afirmou que o acordo resultou de um longo processo que envolveu Melania Trump e o papa Leão XIV.
Equipes civis vão buscar os moradores em casa
Equipes civis dos dois países visitarão os moradores em casa e coordenarão o transporte de quem quiser sair, para a Rússia ou para a Ucrânia. Gerasimov disse que as forças russas farão reconhecimento de engenharia e garantirão a passagem segura do comboio humanitário. O plano inclui ainda a retirada de minas.
Lubinets confirmou que a carga humanitária será entregue e que os civis poderão sair livremente. A ombudsman russa, Yana Lantratova, também confirmou o acordo.
O Kremlin afirmou que o arranjo pode servir de precedente para outras tréguas locais, mas que ele não altera o conflito mais amplo.
Moscou acusa Kyiv de ataques a Oleshky na véspera da trégua
O Ministério da Defesa russo acusou, nesta segunda (26), a Ucrânia de atacar repetidamente Oleshky antes do início da pausa. Segundo a pasta, foram 18 ataques de artilharia e mais de 120 ataques de drones desde 19 de outubro. A Reuters não verificou as alegações, e a Ucrânia não respondeu de imediato.
Reunião em Abu Dhabi depende de Moscou
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que a Ucrânia está pronta para uma reunião trilateral com Rússia e EUA na primeira metade de novembro, em Abu Dhabi. Segundo ele, o calendário depende agora do lado russo. Zelensky afirmou que os negociadores combinaram encontros em nível técnico.
Um funcionário americano afirmou depois que as próximas conversas podem ocorrer em cerca de duas semanas, em Abu Dhabi ou na Suíça. Datas e participantes não foram divulgados.
As rodadas anteriores, lideradas pelos EUA, travaram em fevereiro sem avanço relevante. A Rússia segue exigindo que a Ucrânia entregue todo o Donbas. Kyiv rejeita ceder qualquer território que controla.
Neste domingo (25), Zelensky acrescentou que Kyiv não aceitará discutir limites às Forças Armadas nem neutralidade imposta no pós-guerra.
Zelensky diz que forças ucranianas retomam território
Em pronunciamento nesta terça (27), Zelensky afirmou que as forças ucranianas estão recuperando território em diferentes frentes. Ele citou pela primeira vez a operação Veles, perto de Kupiansk, na região de Kharkiv. Também mencionou a operação Vivaldi e um assalto aéreo no leste do país.
O presidente disse que a posição militar da Ucrânia está mais forte e pediu mais sistemas ocidentais de defesa aérea. Os avanços citados por ele não foram verificados de forma independente.
Líderes da Finlândia e da Noruega telefonam a Putin
O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, e o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, falaram por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, nesta terça (27). Segundo o gabinete de Stubb, a conversa tratou da guerra na Ucrânia e da segurança europeia.
Os líderes europeus vinham evitando contato direto com Putin desde a invasão de 2022, o que torna a ligação incomum. Ela ocorreu depois de reuniões em Oslo com Zelensky e com o enviado dos EUA Steve Witkoff.
Cada lado libertou 270 prisioneiros
Rússia e Ucrânia trocaram 270 prisioneiros cada, segundo a agência AP, em reportagem publicada no sábado (24). Os dois governos sinalizaram que podem retomar as negociações de paz em meados de novembro, com pressão dos EUA.
As divergências sobre território e garantias de segurança continuam. A troca não interrompeu os ataques.
Fora de Oleshky, a guerra continua
No mesmo dia do acordo, um míssil ucraniano atingiu uma empresa no distrito soviético de Oriol, cidade da Rússia. O governador da região, Andrei Klychkov, disse que o ataque provocou incêndio e que os corpos de três pessoas foram retirados dos escombros. Ele não informou qual empresa foi atingida.
No sábado (24), um ataque de drones danificou instalações industriais em Togliatti, também na Rússia. O prefeito, Ilya Sukhikh, informou que os relatos preliminares não indicavam mortos nem feridos. O Estado-Maior ucraniano afirmou ter atingido a fábrica petroquímica Togliattikauchuk, uma das maiores produtoras russas de borracha sintética.
Neste domingo (25), um ataque de drone danificou uma instalação industrial na região russa de Perm. O governador, Dmitry Makhonin, disse que cinco trabalhadores ficaram feridos e receberam atendimento médico. Serviços de emergência foram enviados ao local, e as autoridades não detalharam os danos.
Também neste domingo, o Ministério da Defesa russo afirmou que drones atingiram um cargueiro com destino ao porto ucraniano de Chornomorsk e centros logísticos em Kharkiv. Moscou disse que o navio abastecia o Exército ucraniano e que os centros guardavam cargas de uso dual. A Reuters informou que não verificou essas alegações de forma independente.
Na noite de sábado para domingo, ataques ucranianos com drones mataram três pessoas e feriram 13 na cidade de Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, segundo autoridades locais citadas pela Reuters. Um dos feridos morreu depois no hospital. Outro ataque, contra um carro na aldeia de Voznesenovka, perto de Shebekino, matou uma pessoa e feriu outra. O balanço chega a quatro mortos e 14 feridos. O governador, Alexander Shuvayev, afirmou que 30 prédios residenciais, 35 carros, quatro casas e instalações públicas e comerciais foram danificados.
Do lado ucraniano, um míssil russo atingiu Lozova, na região de Kharkiv, e matou um homem e feriu dois, segundo autoridades locais. Um ataque russo anterior em Chernihiv deixou um morto e ao menos 25 feridos.
Na mesma noite, drones russos atingiram Kharkiv e Vinnytsia, informou neste domingo o Serviço Estatal de Emergências da Ucrânia. Quatro pessoas ficaram feridas em Kharkiv. Em Vinnytsia, um ataque separado feriu ao menos seis, destruiu quatro apartamentos e danificou veículos próximos. No total, são ao menos dez feridos.
Ataques russos atingem Kyiv, outras dez regiões, Kharkiv e Pavlohrad na véspera da trégua
Mísseis e drones russos atingiram Kyiv e outras dez regiões da Ucrânia entre segunda (26) e terça (27). Na capital, o ataque matou uma mulher de 46 anos e feriu ao menos 15 pessoas, segundo autoridades ucranianas. A ponte Pivdennyi, sobre o rio Dnipro, foi atingida e fechada ao tráfego, e parte da linha verde do metrô teve a circulação interrompida. O governo ucraniano afirmou que instalações de energia e infraestrutura civil foram alvos.
Nesta terça (27), uma testemunha da Reuters ouviu novas explosões na cidade, no mesmo dia em que a trégua em Oleshky começou.
Ataques russos com mísseis e drones também mataram três pessoas e feriram 14 na segunda (26), em Kharkiv e em Pavlohrad, segundo autoridades locais citadas pela Reuters. Três feridos estão em estado grave.
Em Kharkiv, mísseis mataram duas pessoas e feriram quatro, informou o prefeito Ihor Terekhov. Três ataques danificaram um prédio residencial e casas. Em Pavlohrad, na região de Dnipropetrovsk, um ataque de drone matou uma pessoa e feriu dez, disse o governador Oleksandr Hanzha.
Durante a noite, novos ataques russos já haviam deixado quatro feridos em Zaporizhzhia e dois na região de Chernihiv, segundo autoridades ucranianas. O Ministério da Defesa russo afirmou ter atingido instalações de energia em Kharkiv e Khmelnytskyi e infraestrutura portuária em Chornomorsk.
Zelensky disse que a Ucrânia só suspenderá os ataques a refinarias russas se Moscou parar de atacar a infraestrutura energética ucraniana. A condição liga diretamente a campanha ucraniana contra a indústria de petróleo e petroquímica da Rússia, como a de Togliatti, aos ataques russos à rede de energia da Ucrânia.
ONU conclui que Rússia cometeu crimes de guerra e contra a humanidade
Uma comissão internacional independente de investigação da ONU afirmou, nesta segunda (26), que autoridades russas cometeram crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Ucrânia. Segundo os investigadores, os ataques atingiram civis e infraestrutura energética vital, e os bombardeios a usinas voltaram a se intensificar.
O relatório também aponta evidências de recrutamento de homens traficados de 29 países para as forças russas. A comissão afirmou que muitos deles foram mortos, desapareceram, se renderam ou foram capturados.
ACNUR pede apoio contínuo; 5,2 milhões de ucranianos seguem refugiados na Europa
A agência da ONU para refugiados (ACNUR) pediu, nesta terça (27), que a comunidade internacional mantenha o apoio à população ucraniana. Segundo o órgão, os ataques russos à infraestrutura energética deixam milhões de pessoas sem aquecimento e eletricidade, com acesso limitado a água.
Quase 5,2 milhões de refugiados ucranianos permanecem espalhados pela Europa. Com a chegada do inverno, a agência prevê que os deslocamentos continuem a partir das áreas de linha de frente.
Romênia liga incêndio de setembro a rede de sabotagem russa
O serviço de inteligência da Romênia disse, nesta segunda (26), ter identificado uma rede coordenada pela Rússia que acredita estar por trás de um incêndio ocorrido em setembro numa instalação industrial no centro do país. Segundo a inteligência, os alvos atribuídos à rede incluíam instalações de produção de armas e outros interesses militares e industriais.
Promotores romenos pedem a extradição de dois suspeitos bielorrussos detidos na Alemanha e investigam um ucraniano preso na Polônia. A Romênia integra a União Europeia e a Otan e faz fronteira com a Ucrânia.
Drones deixam dois mortos e 17 feridos em Voronezh
Um ataque de drones na região russa de Voronezh matou dois homens e feriu 17 pessoas, entre elas uma criança, segundo o governador Alexander Gusev. Ele afirmou que a defesa aérea derrubou 113 drones e que houve incêndios em instalações industriais.
A Russian Railways informou que um trem de passageiros com destino a Moscou foi danificado e que cinco passageiros ficaram feridos. A circulação ferroviária pela região foi suspensa.
Starshield volta e alertas americanos sobre mísseis balísticos são restabelecidos
Zelensky afirmou que o acesso ucraniano às conexões de satélite Starlink e Starshield foi restaurado às velocidades anteriores, após mais de uma semana de restrições. A recuperação começou na noite de sexta (23) para sábado (24), segundo o presidente.
Neste domingo (25), ele disse também que os alertas americanos sobre ataques balísticos russos iminentes foram plenamente restabelecidos e que o Starshield voltou a operar após ter sido limitado no início do mês.
A limitação havia alarmado os militares ucranianos e aumentado a tensão entre Kyiv e Washington. Segundo a AnewZ, a redução prejudicou operações militares da Ucrânia. A SpaceX e seu CEO, Elon Musk, contestam o uso do sistema por forças ucranianas em ataques com drones.
Com o serviço de volta, melhoram a logística na linha de frente e a defesa contra os drones russos. Os alertas também contam para a defesa aérea ucraniana. Ataques com mísseis e apagões continuam.
A trégua em Oleshky começou nesta terça (27), conforme os dois governos, e deve durar vários dias. As conversas técnicas estão previstas para novembro, e a data depende de Moscou.
Atualização: em pronunciamento nesta terça (27), Zelensky afirmou que as forças ucranianas retomam território em diferentes frentes, citou pela primeira vez a operação Veles, perto de Kupiansk, na região de Kharkiv, e mencionou a operação Vivaldi e um assalto aéreo no leste. Ele disse que a posição militar ucraniana está mais forte e pediu mais sistemas ocidentais de defesa aérea. Os avanços não foram verificados de forma independente.
Saber mais: fontes consultadas (43)
- Kyiv Independent
- Reuters via Yahoo News
- Reuters via The Globe and Mail
- Reuters via Aaj English TV
- Euronews
- CBS News
- PBS NewsHour
- CBC News
- Xinhua
- The Star
- News & Observer
- Reuters
- AP News Summary (Santa Maria Times)
- Reuters
- BusinessMirror
- AP News Summary (WV News)
- AP News Summary (Cadillac News)
- AP Technology Summary (WV News)
- AnewZ
- Kentucky.com
- Kentucky.com
- Fresno Bee
- Arn News Centre
- AP News
- U.S. News
- Reuters
- Kansas.com
- Kansas City Star
- San Luis Obispo Tribune
- ONU News
- Reuters
- Reuters
- Reuters
- Reuters
- Reuters
- Reuters
- Reuters
- Reuters
- Charlotte Observer
- ONU News
- ONU News (áudio)
- New Voice of Ukraine (english.nv.ua)
- The Star
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