Tesouro prepara estreia de títulos em yuans na China; emissão pode sair após a eleição
Governo estuda captar cerca de 10 bilhões de yuans, começando por 5 bilhões, no mercado chinês, mas não há data definida.
Por que afeta o RS: Decisões de financiamento soberano influenciam o cenário fiscal e as condições econômicas nacionais que afetam o estado.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O Tesouro Nacional prepara a primeira emissão de títulos soberanos brasileiros em yuans, os chamados panda bonds. Segundo a Bloomberg, que ouviu uma pessoa familiarizada com o assunto, o governo pretende captar cerca de 10 bilhões de yuans (US$ 1,5 bilhão), começando com uma emissão inaugural de 5 bilhões de yuans. A operação poderia sair na semana seguinte ao segundo turno, no domingo (25).

O Tesouro confirmou reuniões e um road show com investidores na China, mas diz que não há data definida. O cronograma depende das condições de mercado e da demanda. A mudança está na composição da dívida da União, que influencia as condições fiscais e econômicas do país.
Para o leitor gaúcho, o efeito é indireto. A operação é federal e não traz medida específica para o Rio Grande do Sul. O que muda é a composição da dívida da União, que influencia as condições fiscais e econômicas do país. Pelas contas do Tesouro, 5 bilhões de yuans aumentariam a dívida pública federal em cerca de 0,04% e a dívida externa em 1,1%.
Plano já passou pelo TCU
O Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu, em 7 de outubro, que não há indício de irregularidade no plano. Para a Corte, a operação se enquadra no programa de emissões externas autorizado pelo Senado e teria impacto marginal na composição da dívida pública. A decisão não equivale a autorização para vender os títulos.
Vale também vai à China
A Vale informou nesta terça (20) que sua subsidiária Vale Overseas pediu registro de um programa de títulos em renminbi de até 10 bilhões de yuans, cerca de US$ 1,4 bilhão. O programa depende de aprovação na China. A emissão do Tesouro poderia servir de referência de preço para empresas brasileiras.
A ideia, segundo o Tesouro, é diversificar o financiamento, hoje concentrado em reais e dólares. Em agosto, o subsecretário da Dívida Pública, Francisco Segundo, disse que a emissão em yuans depende de condições de mercado favoráveis. A operação segue em fase preparatória, sem custo, taxa e prazo definidos. Antes da emissão, ainda faltam a manifestação técnica e o parecer jurídico exigidos.
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