Presidente alemão cobra da China equilíbrio comercial com a Europa, em Pequim
Frank-Walter Steinmeier se reúne com Xi Jinping na sexta e diz que uma nova confrontação entre blocos prejudicaria a economia de todos.
Por que afeta o RS: Mudanças em comércio China-Europa podem afetar exportações gaúchas de commodities e a cadeia de insumos industriais do estado.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, pediu à China que sua busca por autossuficiência econômica não crie dependência unilateral em outros mercados. O discurso foi feito nesta quinta (29), na Universidade de Pequim, onde ele recebeu o título de professor honorário.
O efeito para o Rio Grande do Sul é indireto. Uma escalada entre os dois lados pode mexer em preços, no acesso a mercados e nas cadeias de fornecimento que também alcançam exportadores gaúchos.
As queixas de Steinmeier
Segundo o texto do discurso, empresas europeias têm pouco ou nenhum acesso ao mercado chinês, enquanto a Europa recebe grandes volumes de importações chinesas subsidiadas pelo Estado. Ele também citou os controles e limites de Pequim sobre a exportação de matérias-primas.
Steinmeier afirmou que o resultado é uma vulnerabilidade de um só lado, que os europeus não aceitam para a própria economia, "assim como a China não aceita para a dela". Ele disse que a competição é boa, mas só com regras justas e iguais para todos.
Sobre o risco de tensão entre blocos, o presidente disse: "Não queremos uma nova confrontação entre blocos". Para ele, isso seria perigoso para a segurança internacional e uma perda econômica para todos. Ele também disse confiar que Bruxelas e Pequim encontrarão soluções pelo diálogo.
O tamanho do desequilíbrio
O déficit comercial da Alemanha com a China ficou em quase 90 bilhões de euros no ano passado, segundo a agência dpa. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chamou de insustentável o déficit crescente com a China e avisou no mês passado que usará todos os meios possíveis para corrigi-lo. Alemanha e França também propuseram que o bloco crie um mecanismo de reação rápida contra países que o prejudiquem, com a China como provável foco.
No discurso, Steinmeier também pediu que Pequim use sua influência sobre a Rússia para ajudar a encerrar a guerra na Ucrânia.
O que vem a seguir
A visita de Estado dura cinco dias, até sábado (31). Nesta sexta (30), Steinmeier se reúne com o presidente chinês, Xi Jinping, e com o primeiro-ministro, Li Qiang. Segundo o gabinete da Presidência alemã, a fala em Pequim deve dar o tom dessas conversas.
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