Senado vota na quarta (14) PEC que acaba com a 6x1 e reduz jornada de 44 para 40 horas
Texto precisa de 49 dos 81 votos em cada turno e pode só ser concluído no fim de outubro; Fiergs estima 47 mil empregos a menos no RS.
Redação Bairrista · 11 de outubro de 2026 às 16:43 · 4 min de leitura

O Senado vota na quarta-feira (14), em primeiro turno, a PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte de salário. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou a votação. Antes dela, a matéria passa pelas duas últimas sessões de discussão, na terça (13) e na quarta.
Para o trabalhador gaúcho, o texto muda a rotina de quem hoje cumpre mais de 40 horas por semana. Em todo o país, segundo dados da Rais 2025 divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, cerca de 58% dos empregados formais têm jornada entre 41 e 44 horas semanais.
Jornada cai para 42 horas em 60 dias e para 40 em 14 meses
O texto aprovado pela Câmara em 27 de maio prevê transição em duas etapas. Após 60 dias da promulgação, a jornada cai para 42 horas, já com dois dias de repouso remunerado por semana, um deles preferencialmente no domingo. A segunda redução, de duas horas, vem 12 meses depois, ou seja, 14 meses após a promulgação. Em nenhuma etapa há redução de salários.
Há exceções. O texto preserva acordos e convenções coletivas para regimes como a escala 12x36 e para atividades essenciais (saúde, segurança, transporte e limpeza urbana). Uma lei futura poderá fixar regras especiais. Profissionais de alta remuneração e qualificação deixam de ter controle de jornada obrigatório. Em contratos públicos e terceirizados, a redução só vale após aditivo, com até 12 meses para adaptação.
Se o Senado mudar o texto, a PEC volta à Câmara
Na CCJ, a proposta recebeu 36 emendas, todas rejeitadas pelo relator, Omar Aziz (PSD-AM). Novas emendas ainda podem ser apresentadas em Plenário. As sugestões rejeitadas buscavam manter a escala 6x1, ampliar a transição para até quatro anos e adiar a implementação. Também foram recusadas emendas que previam compensações fiscais para empresas. Aziz argumentou que não poderia aceitar jornadas acima de 40 horas, pois isso descaracterizaria a medida.
O relator manteve o texto da Câmara por um motivo prático. Se o Senado aprovar a PEC sem mudanças de mérito, o Congresso a promulga sem nova votação pelos deputados e sem sanção presidencial. Se os senadores aprovarem alterações, a matéria volta à Câmara.
A PEC precisa de pelo menos três quintos dos votos, ou 49 senadores, em cada um dos dois turnos. A contagem de votos não estava confirmada até a publicação.
Entre as emendas rejeitadas na CCJ estavam as de Rogério Marinho (PL-RN), apontado como líder da oposição, que mantinham a possibilidade da escala 6x1. No Plenário, ele defendeu seguir o rito regimental, sem atalhos.
Entre os gaúchos, Paulo Paim (PT-RS) defendeu a redução da jornada sem diminuição salarial e afirmou que a votação deve ocorrer nesta semana. A posição dos outros dois senadores do RS não estava confirmada até a publicação.
Rito normal leva a outubro; governo tenta encurtar o prazo
Pelo rito normal, se a PEC passar no primeiro turno, ela precisa de mais três sessões de discussão antes do segundo turno. Por esse caminho, a votação ainda pode ser concluída em outubro.
A líder do governo, Teresa Leitão (PT-PE), recolhe assinaturas para um requerimento de calendário especial, que dispensaria os intervalos entre as sessões. Na quinta-feira (8), ela afirmou que o número de apoios necessários ainda não havia sido alcançado. Alcolumbre disse que esse tipo de requerimento exige 54 assinaturas, mas lembrou que o Plenário já aceitou pedidos com menos apoio em outras ocasiões. Ele afirmou ainda que não havia requerimento na Mesa e que, se for apresentado, vai colocá-lo em votação.
Se o requerimento for aprovado, a conclusão pode ocorrer já na penúltima semana de outubro. A base do governo quer terminar a análise antes do segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro. A data de promulgação não estava confirmada até a publicação.
Fiergs estima 47 mil empregos a menos; Fetar cita 106 mil assalariados do campo
Com base em estudo próprio, a Fiergs estima que a redução para 40 horas poderia causar queda de até 5,4% no PIB gaúcho e cortar cerca de 47 mil empregos. Em nota, a entidade afirmou que a redução da jornada aumentaria os custos de produtos e serviços, com impacto sobre os consumidores. A posição da Farsul sobre a PEC não estava confirmada até a publicação.
Do outro lado, centrais sindicais do RS fizeram um ato em frente à sede da Fiergs, em Porto Alegre, em 16 de julho, pelo fim da 6x1 e por 40 horas sem redução salarial. No campo, segundo a Fetar-RS, a medida pode atingir cerca de 106 mil assalariados do agronegócio gaúcho.
O Bairrista atualiza a matéria após a sessão de quarta-feira.
Saber mais
- Agência Senado – Davi marca votação em 1º turno para quarta
- Agência Senado – 3ª sessão de discussão no Plenário
- Agência Câmara de Notícias – Comissão aprova o fim da escala 6x1
- Agência Brasil – Relator rejeita emendas que buscavam manter 6x1
- Agência Brasil – Entenda a PEC que acaba com a escala 6x1
- Fiergs – Dados da Indústria (posicionamento sobre a PEC)
Leia também
INSS paga até R$ 8.475,55 por mês a mulher afastada do trabalho por medida protetiva

Empresa abandona coleta de lixo em Cerrito e prefeitura negocia contrato emergencial

Pelotas recebe até 29 de outubro propostas para elevar o dique do Valverde a 4 metros

Clínicas restringiu emergência de adultos por 24h; eram 165 pacientes para 56 leitos

Mais lidas
1Homem quebra parede de agência do BB no Partenon e leva três armas de vigilantes2Prazo para bancos devolverem saldo das bets termina nesta quarta (14); resto vai à Caixa3Maripán segue fora e desfalca o Inter em Mirassol; retorno pode ficar para o dia 284Inter perde Alan Patrick com lesão na coxa e busca substituto para pegar o Mirassol5Três pessoas morrem em conflitos na Terra Indígena de Votouro; um homem é preso