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Rússia ataca rede elétrica e deixa 500 mil sem luz; Casa Branca anuncia trégua em Oleshky

Trégua localizada começa em 25 de outubro e prevê ajuda humanitária e retirada de civis; Putin aceita retomar conversas em novembro.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 12 min de leitura

Atualizada 24/10, 02:21 · A Ucrânia informou que dois soldados morreram e três ficaram feridos num ataque russo a um ônibus na região de Chernihiv, na quinta (22), dado que a matéria não trazia.

Foto: Drone mata três em rodovia perto de Kiev; ataque à rede elétrica deixa 500 mil sem luz
Foto: Main Directorate of the State Emergency Service of Ukraine in Kyiv / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A Rússia atacou instalações de energia da Ucrânia na madrugada desta sexta (23) e deixou mais de 500 mil pessoas sem eletricidade, informou o Ministério da Energia ucraniano. Os ataques atingiram Zhytomyr, Volyn, Mykolaiv, Poltava, Khmelnytskyi e Rivne. A ofensiva veio um dia depois de Vladimir Putin dizer que Moscou está pronta para reabrir as conversas mediadas pelos EUA em novembro.

Nesta sexta, a Casa Branca anunciou um cessar-fogo localizado em Oleshky, cidade ucraniana ocupada pela Rússia. O acordo deve começar em 25 de outubro e permitir a entrada de ajuda humanitária e a retirada de civis. Segundo o governo americano, a primeira-dama Melania Trump ajudou a negociar a trégua.

Ataques russos de longo alcance na noite de quarta (21) para quinta (22) mataram ao menos 14 civis e feriram 78 em várias regiões da Ucrânia, incluindo Kiev, segundo a ONU. Sete dos feridos são crianças. Só sobre a capital, a Rússia lançou ao menos 21 mísseis balísticos em três ondas.

Para quem acompanha a guerra daqui do Sul, o ponto central é o inverno que se aproxima. Moscou tenta enfraquecer a rede elétrica ucraniana antes de mais uma estação dura, e agora levou os ataques a regiões do oeste que não vinham sendo atingidas. A pauta não tem efeito direto confirmado no Rio Grande do Sul.

Nos dias anteriores, ataques russos com mísseis e drones já haviam matado ao menos nove pessoas em 24 horas, segundo autoridades. Na região de Kiev, foram quatro mortos e 27 feridos, entre eles crianças. Outros dois morreram nos arredores de Dnipro. Um drone matou três pessoas e feriu outras quatro nesta terça (20) perto da rodovia Kiev–Odesa. Na véspera, a ofensiva à rede elétrica havia deixado mais de 500 mil pessoas sem luz, aquecimento e água corrente, segundo o presidente Volodymyr Zelensky. Na madrugada de quarta (21), nova ofensiva deixou ao menos nove mortos e 45 feridos no país.

Três mortos em Chabany

O drone atingiu a área perto de Chabany, localidade colada à rodovia M05, que liga Kiev a Odesa. O Serviço de Emergência da Ucrânia informou que o ataque foi perto de um posto Okko e incendiou dois veículos. Duas pessoas foram hospitalizadas; as demais receberam atendimento no local. A promotoria regional deu os números preliminares.

O chefe da administração militar regional, Tymur Tkachenko, disse que as vítimas estavam a caminho do trabalho. As autoridades não divulgaram nomes nem idades.

Sob supervisão dos promotores regionais, foi aberta uma investigação por violação das leis e costumes de guerra.

Apagões em 12 regiões e ataques ao oeste

Zelensky afirmou que 16 mísseis balísticos russos atingiram Kiev e arredores e danificaram 28 subestações e outras instalações críticas de energia. A Rússia também lançou "mais de 200" drones do tipo Shahed durante o ataque. Zelensky disse que instalações de energia de 11 regiões foram atingidas ao longo da noite. A operadora Ukrenergo relatou apagões em 12 regiões.

Segundo a Reuters, os ataques se estenderam a instalações de energia no oeste do país, em regiões antes não atingidas. Autoridades relataram danos em Lviv, Rivne, Ternopil e Khmelnytskyi, além de Odesa. No sul de Odesa, a empresa DTEK informou que três instalações energéticas foram atingidas durante a noite e que 32.700 famílias ficaram sem eletricidade.

Em Kiev, autoridades da capital informaram a morte de uma mulher de 21 anos. Zelensky disse que o ataque também danificou uma escola, uma clínica, uma estação de metrô e prédios residenciais.

Zelensky afirmou que os reparos estão em andamento e a energia volta aos poucos para os atingidos.

Sem aviso dos parceiros e interceptadores atrasados

Zelensky afirmou que Kiev de novo não recebeu alerta prévio de países parceiros que antes compartilhavam informações de inteligência. Ele não citou nomes de países. O porta-voz da Força Aérea, Yurii Ihnat, disse que não houve aviso antes da primeira onda e que os dados da segunda chegaram tarde para acionar as sirenes.

O presidente dos EUA, Donald Trump, diz que Washington não deixou de repassar informações a Kiev. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou na segunda (19) que, dias antes, houve um problema de software no sistema de alerta antecipado da Ucrânia.

Nesta terça, Rubio reconheceu que um lote de interceptadores comprado para a Ucrânia pelo programa PURL, da Otan, talvez não tenha sido entregue. Segundo a Reuters, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, ainda não havia autorizado o envio do pacote, financiado por aliados da Otan. Rubio negou que o atraso tenha motivação política e o atribuiu a entraves não políticos. Ele disse ter conversado por 45 minutos com Zelensky, que afirmou ter tratado de mísseis, alertas antecipados de ataques russos e serviços de satélite.

Depois dessa conversa, Zelensky disse que o alerta antecipado de mísseis voltou a funcionar. Ele também afirmou que a Ucrânia está quase sem interceptadores Patriot, sistema usado contra mísseis balísticos. Na quarta, Zelensky voltou a dizer que o governo Trump está retendo apoio.

Pelo lado russo, o Ministério da Defesa disse ter atingido um centro de dados e um centro logístico de componentes de drones e mísseis de cruzeiro. Também citou uma fábrica de peças de drones e um depósito de locomotivas onde há mísseis. O comunicado não menciona danos à rede elétrica.

Desgaste entre Washington e Kiev

Uma análise da AP publicada nesta terça aponta que a relação entre EUA e Ucrânia enfrenta novo desgaste. A agência cita dois fatores: a rejeição de Trump a novas sanções contra a Rússia e interrupções no apoio por satélite a drones ucranianos. As mudanças no apoio americano podem alterar a capacidade de defesa da Ucrânia, com reflexo na segurança da Europa.

Nova noite: ao menos nove mortos e 45 feridos no país

A Rússia lançou na madrugada desta quarta (21) mísseis de cruzeiro Iskander-K e 186 drones de ataque, 88 deles a jato. A Força Aérea ucraniana diz ter abatido ou neutralizado 150 drones, 63 deles a jato, até as 8h30, e houve impactos em 27 locais. Ao longo do dia, ao menos nove pessoas morreram e 45 ficaram feridas no país, segundo o Kyiv Independent. Quatro das mortes foram em Donetsk.

Em Kiev, um drone atingiu um prédio residencial de 24 andares no distrito de Sviatoshynskyi, provocou incêndio no 20º andar e matou ao menos duas pessoas, segundo o prefeito Vitali Klitschko. Um ataque também atingiu infraestrutura de transporte na capital. Na terça, a cidade já havia registrado um morto e 21 feridos, e drones danificaram dois hospitais.

Na região de Kharkiv, drones mataram um casal de idosos, de 81 e 83 anos, em Korotych, informou o governador regional, Oleh Syniehubov. Outras 11 pessoas tiveram reações agudas de estresse. Em Kremenchuk, um ataque a uma universidade feriu três pessoas.

ONU contabiliza 14 civis mortos e 78 feridos; 21 mísseis sobre Kiev

A ONU informou que os ataques de longo alcance da noite de quarta para quinta deixaram ao menos 14 civis mortos e 78 feridos em várias regiões da Ucrânia. Sete crianças estão entre os feridos. Instalações de saúde e de energia foram danificadas.

Em Kiev, a Rússia lançou ao menos 21 mísseis balísticos em três ondas, segundo autoridades ucranianas citadas pela Reuters. Zelensky disse que três deles carregavam munições de fragmentação, que se espalham em pequenas bombas sobre uma área ampla. De acordo com a Euronews, os ataques deixaram sete mortos do lado ucraniano. Na capital, 15 pessoas ficaram feridas, segundo autoridades locais, e a infraestrutura do metrô na Ponte Sul foi danificada. Na noite de quarta, um ataque aéreo russo havia ferido seis pessoas e danificado casas, um posto de gasolina e equipamentos de transporte, de acordo com a Reuters.

Na região de Kharkiv, um ataque russo matou uma mulher e feriu ao menos 13 pessoas, informou a AP.

Na região de Chernihiv, um ataque russo a um ônibus na quinta (22) matou dois soldados ucranianos e feriu outros três, informou a Ucrânia, segundo a Reuters.

O primeiro-ministro da Ucrânia informou que os ataques da noite de quarta mataram quatro pessoas e atingiram instalações de energia em quatro regiões.

Moscou diz ter barrado centenas de drones ucranianos

Do outro lado da fronteira, a Rússia afirmou ter interceptado a maioria dos 630 drones que, segundo Moscou, Kiev lançou em direção à região da capital russa durante a noite. Em outro balanço, relatado pela AP, o governo russo disse ter interceptado mais de 800 drones ucranianos. Duas pessoas ficaram feridas perto de Moscou, e houve danos em Lipetsk, onde drones atingiram prédios residenciais e uma unidade médica e feriram um homem, informou o governador regional.

Na região russa de Briansk, na fronteira com a Ucrânia, um jovem de 19 anos morreu e duas pessoas ficaram feridas em um ataque a um carro na quarta (21), segundo o governador Yegor Kovalchuk. Ele atribuiu o ataque a um drone ucraniano.

Os ataques acontecem enquanto o enviado americano Steve Witkoff tenta mediar o fim da guerra e vieram logo depois das conversas dele com Zelensky e com Putin.

Troca de corpos: 252 entregues por Moscou, 25 por Kiev

Rússia e Ucrânia também trocaram corpos de militares mortos. Moscou entregou 252, e Kiev, 25, segundo a agência estatal bielorrussa Belta.

Anticorrupção faz buscas no banco central

Na mesma quarta, a agência anticorrupção da Ucrânia, a NABU, fez buscas no gabinete do presidente do banco central, Andriy Pyshnyi.

Putin aceita retomar conversas trilaterais após 10 de novembro

O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, teve nesta quarta (21) sua nona reunião presencial com o presidente russo, Vladimir Putin, no Palácio Konstantinovsky, em Strelna, São Petersburgo. Segundo o Kremlin, a conversa durou cerca de três horas, e Jared Kushner participou por vídeo. Antes, Witkoff esteve em Oslo com Zelensky, que visita a Noruega em busca de apoio adicional, e com líderes europeus.

Witkoff levou a Putin documentos com a visão dos EUA para encerrar a guerra e pediu a retomada das negociações trilaterais entre EUA, Rússia e Ucrânia. Ele disse ver "algum grau de impulso". O assessor do Kremlin Yuri Ushakov afirmou que Putin aceitou "em princípio" retomar as conversas depois de 10 de novembro, com foco em garantias de segurança para Rússia e Ucrânia no pós-guerra. A rodada pode acontecer em Abu Dhabi e seria a primeira negociação trilateral desse tipo desde fevereiro. Um oficial americano disse que ucranianos e russos concordaram com uma reunião trilateral em nível técnico.

Na quinta (22), o próprio Putin disse que a Rússia está pronta para retomar, no próximo mês, os contatos mediados pelos EUA. Segundo ele, a pauta deve incluir garantias de segurança para os dois países e a arquitetura de segurança europeia, o que amplia o tema para além de Rússia e Ucrânia. Os ataques à rede elétrica ucraniana seguiram na madrugada seguinte, sem que a sinalização de diálogo os interrompesse.

Zelensky disse apoiar as negociações e espera que comecem o mais rápido possível. Na quinta, afirmou esperar a retomada das conversas já no início de novembro, antes, portanto, da data indicada pelo Kremlin. Ele também disse que Kiev está disposta a discutir cessar-fogo e outras iniciativas. As posições sobre o território, incluindo o Donbas, seguem como obstáculo central, e não há acordo nem cessar-fogo geral anunciado.

O Kremlin, porém, avalia que a rodada de Oslo trouxe pouco de útil e cobra "decisões necessárias" de Kiev. Putin vai estudar as propostas americanas.

Como gesto de boa vontade, a Rússia libertou o americano Stephen Hubbard, de 74 anos, preso desde 2022. Witkoff anunciou a libertação, segundo a CNN. Ele também agradeceu a Putin por suspender a proibição de exportar diesel.

Putin disse estar disposto a discutir a retomada de laços econômicos com os EUA e uma mediação entre EUA e Irã, e se ofereceu para enviar fertilizantes a agricultores americanos. Ele propôs ainda um encontro com Trump na China, durante a reunião da APEC, no mês que vem. Antes da conversa, a AP havia informado que Putin sugeriu uma reunião com Trump e com o presidente chinês, Xi Jinping, para discutir o fim da guerra.

A AP não vê sinal de avanço iminente. A CNN avalia que Moscou não recuou de suas posições máximas, entre elas a exigência de que Kiev entregue todo o Donbas, região do leste ucraniano. Um acordo para a guerra mudaria sanções, energia e fertilizantes, e a Rússia é grande fornecedora desse insumo ao Brasil. Uma eventual flexibilização de sanções pode afetar o preço do adubo nas lavouras gaúchas.

Trégua em Oleshky começa em 25 de outubro

A Casa Branca informou nesta sexta (23) que Melania Trump ajudou a negociar um cessar-fogo localizado em Oleshky, cidade ucraniana ocupada pela Rússia. A trégua está prevista para começar no sábado (25) e deve permitir a entrada de ajuda humanitária e a retirada de civis da cidade.

O anúncio é o primeiro acordo desse tipo citado desde que a Rússia voltou a atacar a rede elétrica ucraniana, e vale só para Oleshky. Não há cessar-fogo geral nem data fechada para a rodada trilateral de novembro.

Putin troca quatro vice-premiês e o ministro dos Transportes

Putin assinou na quinta (22) decretos que nomearam quatro vice-primeiros-ministros, um novo ministro dos Transportes e um assessor presidencial, segundo a agência chinesa Xinhua. As nomeações entraram em vigor no mesmo dia.

Irina Okladnikova, ex-vice-ministra das Finanças, virou vice-premiê e chefe do gabinete do governo. Oleg Kozhemyako assumiu como vice-premiê responsável pelo Distrito Federal do Extremo Oriente. O ex-ministro dos Transportes Andrey Nikitin foi promovido a vice-premiê.

Kiev acusa capitão russo de levar 54 mil toneladas de grãos

A Ucrânia acusou formalmente o capitão de um cargueiro russo de transportar mais de 54 mil toneladas de grãos ucranianos roubados de territórios ocupados, segundo o Kyiv Independent. Na mesma manhã, Kiev anunciou que vai compensar navios de carga danificados no Mar Negro. A Rússia rejeitou uma proposta para a região.

O Mar Negro é rota de escoamento de trigo e milho, e o preço desses grãos e dos fertilizantes pesa no custo do produtor gaúcho.

Atualização: entrou a informação de que um ataque russo a um ônibus na região de Chernihiv, na quinta (22), matou dois soldados ucranianos e feriu outros três, segundo a Ucrânia, citada pela Reuters.

Saber mais: fontes consultadas (65)

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