Protesto contra custo de vida em Milão termina com 32 presos e 271 levados à polícia
Entre os presos, 23 são menores de idade; a premiê Giorgia Meloni convocou o governo para uma reunião sobre ordem pública nesta segunda (19).
Redação Bairrista · 19 de outubro de 2026 às 10:17 · 3 min de leitura

A polícia de Milão levou 271 pessoas à delegacia no domingo (18), segundo dia de confrontos no centro da cidade. Os atos eram protestos contra serviços públicos precários e o aumento do custo de vida. Dos detidos, 32 foram presos, 13 deles estrangeiros e 23 menores, e outros 28 foram denunciados à Justiça, segundo fontes do Departamento de Polícia do Ministério do Interior.

Levar à delegacia não é o mesmo que prender: a maior parte dos 271 foi encaminhada para identificação. A Itália é terra de ancestrais de muitos gaúchos, sobretudo na Serra. Em setembro, o Istat, instituto de estatística da Itália, estimou a inflação em 4,2% em 12 meses, ante 3,3% em agosto. A resposta de Roma, até agora, vem pela segurança: a reunião convocada por Meloni trata de ordem pública, não de preços ou serviços.
Lojas saqueadas e 14 agentes feridos
Segundo a Reuters, a polícia de choque usou gás lacrimogêneo e jatos d'água depois que centenas de manifestantes encapuzados quebraram vitrines e incendiaram lixeiras perto da Piazza Duomo. A confusão se espalhou por vias do centro: a via Torino e o corso Vittorio Emanuele tiveram lojas saqueadas e carros danificados.
Há 14 agentes feridos: 10 policiais e quatro da polícia local. Os confrontos começaram no sábado (17). Naquele dia, outras 72 pessoas já tinham sido levadas à polícia.
Oito em cada dez levados são menores
Dos 271 levados à delegacia, 220 são menores e 60 são estrangeiros. O mais novo tem 11 anos, e muitos têm entre 12 e 13. Pais esperaram diante da Questura, a chefia de polícia de Milão, por notícias dos filhos.
Em 174 casos, a polícia aplicou o fermo di prevenzione, a retenção preventiva criada pelo último decreto de segurança (decreto 23 de 2026, artigo 11-bis). Entre os 23 menores presos e os 23 menores denunciados, a situação processual de cada um não foi divulgada. Para 11 maiores de idade presos nos dois dias, a Procuradoria de Milão pede prisão, por devastação, saque e resistência agravada.
Meloni reúne governo; prefeito vê fenômeno internacional
Meloni disse que vai convocar uma reunião em Roma na segunda para avaliar novas medidas contra quem usa manifestações legítimas para semear violência e caos. Entre as hipóteses está uma ação nos moldes do decreto Caivano. O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, cancelou uma agenda em Treviso para ficar em Roma. O governo não anunciou medidas econômicas ou de serviços públicos.
O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, disse à agência Ansa que o fenômeno "origina de um cenário internacional" e por isso se alimenta. A BBC informa que houve violência à margem de protestos de jovens, em sua maioria pacíficos, também na França, na Espanha e na Albânia. Nenhuma fonte oficial italiana apontou ligação organizada entre os atos.
Movimento promete atos todo sábado
Quem convocou os atos ainda é difuso. A Sky TG24 descreve um protesto que reúne grupos muito diferentes entre si, difícil de enquadrar numa definição. Nesta segunda, o Movimento 17 de Outubro, sigla nascida no Instagram, anunciou "mobilização permanente" todo sábado, às 15h, em praças italianas, a partir de Milão. O grupo responde às acusações de violência dizendo que o violento é o sistema.
O próximo ato está marcado para sábado (24), às 15h, em Milão. A Itália é terra de ancestrais de muitos gaúchos, sobretudo na Serra, e o desfecho da reunião de Meloni deve sair ainda nesta segunda.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas foram presas no protesto de Milão?
Foram 32 presos, 13 deles estrangeiros e 23 menores, segundo o Departamento de Polícia do Ministério do Interior; 271 foram levadas à delegacia.
Quantos menores foram levados à polícia em Milão?
Dos 271 levados à delegacia, 220 são menores; o mais novo tem 11 anos.
Quando será o próximo ato em Milão?
O Movimento 17 de Outubro marcou novo ato para sábado (24), às 15h, em Milão.
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