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Arábia Saudita executa 2 cidadãos de Bangladesh por "atos indecentes" em mesquita

Daca diz que soube das mortes só depois e, no domingo (18), entregou nota diplomática ao embaixador saudita para pedir explicações.

Redação Bairrista · 19 de outubro de 2026 às 10:17 · 2 min de leitura

Foto da Al Jazeera English, via Wikimedia Commons, ilustrando o caso das execuções de cidadãos de Bangladesh na Arábia Saudita.
Foto: Al Jazeera English / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A Arábia Saudita executou na quarta-feira (14) dois cidadãos de Bangladesh, condenados pelo que as autoridades descreveram como ato indecente dentro de uma mesquita em Meca. Os executados foram identificados como Nazerul Islam Abdul Basir e Siti Akhtar, em comunicado do Ministério do Interior saudita.

O governo de Bangladesh afirma que não foi avisado. O Ministério das Relações Exteriores disse que nem ele nem a missão do país na Arábia Saudita foram informados do processo antes. Daca só soube das execuções depois que elas ocorreram, em 14 de outubro.

No domingo (18), a chancelaria pediu explicações ao embaixador saudita em Bangladesh, Abdullah Zafer H bin Abiyah. Uma cópia física de uma nota verbale com o pedido de esclarecimento foi entregue ao diplomata. Um funcionário disse que não se tratou de convocação.

O que Riad diz e o que Daca relata

Segundo o ministério saudita, o tribunal considerou as acusações provadas e aplicou a pena de morte por ta'zir, punição discricionária prevista na lei islâmica. A sentença se tornou definitiva depois de confirmada pela instância competente, e um decreto real autorizou a execução. O comunicado não detalha o ato, não identifica a mesquita e não informa quando os dois foram presos.

Pelo relato da missão de Bangladesh à chancelaria, os dois eram acusados de adultério dentro da mesquita. Antes, as autoridades sauditas haviam compartilhado uma lista com cerca de 2.500 presos, que incluía os nomes dos dois. Segundo um funcionário do consulado em Jeddah, a lista não trazia informação sobre as sentenças.

A ministra de Estado das Relações Exteriores, Shama Obaed Islam, chamou o caso de "profundamente lamentável" e disse que expatriados devem respeitar as leis dos países onde vivem. Sobre a repatriação dos corpos, ela afirmou que os próximos passos dependem de Daca receber um relato claro das autoridades sauditas.

O ministério pediu à missão na Arábia Saudita todas as informações sobre o caso, para identificar onde houve falha.

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