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Pretos e pardos são 67% do trabalho infantil no país; meninos somam 65,4% dos casos

Pesquisa do IBGE mostra que 871 mil adolescentes de 16 e 17 anos trabalhavam em 2025, e o Sul tem a maior proporção do país nessa faixa.

Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 10:28 · 3 min de leitura

Ilustração: crianças e adolescentes e o tema do trabalho infantil no Brasil, produzida pelo Bairrista com inteligência artificial
Ilustração: Bairrista/IA

Crianças e adolescentes pretos ou pardos respondem por 67,0% do trabalho infantil no Brasil, embora sejam 59,7% da população de 5 a 17 anos. Os meninos são 65,4% dos casos. Os dados de 2025 saíram nesta sexta (16), na PNAD Contínua do IBGE.

Quadro: Pretos e pardos são 67% do trabalho infantil no país; meninos somam 65,4% dos casos
Entenda em um quadro · Bairrista

Para o Rio Grande do Sul, o recorte mais próximo é o da Região Sul. O Sul tem a maior proporção do país de adolescentes de 16 e 17 anos em trabalho infantil, com índice de 17,8%. A média nacional nessa faixa é de 14,5%.

Quase 1,5 milhão de trabalhadores infantis

O país tinha 1,499 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025, o que representa 4,0% da população dessa faixa etária.

Houve retração de 9,2% em relação ao ano anterior, o menor nível da série histórica. Em 2024, eram 1,65 milhão de pessoas, ou 4,3% da população.

Entre os meninos, o contingente caiu 10%, de 1,089 milhão para 980 mil. A queda, porém, não alterou o perfil: os meninos seguem como maioria entre os trabalhadores infantis.

O recorte racial e de sexo fica mais forte nas atividades de maior risco. Das 525 mil crianças e adolescentes em ocupações da Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP), 72,6% eram meninos e 68,3% eram pretos ou pardos.

Adolescentes de 16 e 17 anos são o grupo mais atingido

A prevalência cresce com a idade. Entre crianças de 5 a 13 anos, o índice foi de 1,1%. De 14 a 15 anos, chegou a 5,9%. Entre os de 16 e 17 anos, atingiu 14,5%. Nessa última faixa, são 871 mil adolescentes.

Aos 16 e 17 anos, o trabalho é permitido, mas com limites. A lei proíbe atividades noturnas, perigosas ou insalubres, entre outras condições de proteção ao adolescente.

O que mostram os números do Sul

A Região Sul teve redução de 20,2% no número de crianças e adolescentes em trabalho infantil entre 2016 e 2025. O contingente passou de 292 mil para 233 mil pessoas. No país inteiro, o total de trabalhadores infantis caiu 29% no mesmo período. A redução no Sul, portanto, foi menor que a média nacional.

O Sudeste concentra o maior contingente, com 481 mil, seguido pelo Nordeste, com 408 mil. O Norte tem 249 mil, o Sul 233 mil e o Centro-Oeste 128 mil. O informativo do IBGE traz o recorte por região, sem números só do Rio Grande do Sul.

Bolsa Família e políticas públicas

Para o pesquisador do IBGE Gustavo Fontes, vários fatores explicam a queda, entre eles políticas públicas, inclusive do Ministério Público do Trabalho. Ele afirmou que o Bolsa Família pode ter contribuído ao garantir renda mínima às famílias. Entre 2016 e 2025, o contingente de crianças e adolescentes em trabalho infantil entre os beneficiários do programa caiu 41%.

Entre os de domicílios beneficiários, 4,4% estavam em situação de trabalho infantil.

Um levantamento do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) mostrou que o Rio Grande do Sul é um dos três estados com plano estadual vigente de prevenção e erradicação do trabalho infantil.

Serviço

As tabelas completas da PNAD Contínua sobre o trabalho de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos estão no site do IBGE (ibge.gov.br). Denúncias de trabalho infantil podem ser feitas pelo Disque 100.

Perguntas frequentes

Quantas crianças e adolescentes estavam em trabalho infantil no Brasil em 2025?

Eram 1,499 milhão de pessoas de 5 a 17 anos, ou 4,0% da população dessa faixa etária, segundo a PNAD Contínua do IBGE. Em 2024, eram 1,65 milhão.

Qual é o perfil do trabalho infantil no Brasil?

Pretos e pardos são 67,0% dos casos, embora sejam 59,7% da população de 5 a 17 anos. Os meninos somam 65

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