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Laudo de gordura "leve" no fígado não dispensa avaliação, alerta médica da UCPel

Estudo com servidores de seis capitais achou esteatose em 35,1% dos participantes; a doença quase não dá sintoma e pode regredir no início.

Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 11:19 · 3 min de leitura

Laudo de gordura "leve" no fígado não dispensa avaliação, alerta médica da UCPel
Foto: Eugenio Hansen, OFS / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A gastroenterologista Caroline Borges de Castro, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Ela alerta que o grau "leve" no ultrassom não mede a gravidade da esteatose hepática, a gordura no fígado. Segundo ela, o laudo não dispensa consulta com especialista, com exames de sangue e elastografia.

Quadro: Laudo de gordura "leve" no fígado não dispensa avaliação, alerta médica da UCPel
Entenda em um quadro · Bairrista

Para quem vive em Pelotas e região, o recado é prático: a doença costuma não dar sintoma, e o laudo tranquilizador pode fazer o paciente adiar a investigação. Nas fases iniciais e intermediárias, a condição ainda é reversível, segundo a médica.

Um em cada três, em um estudo específico

A estimativa de que uma em cada três pessoas tem gordura no fígado tem base em um levantamento brasileiro. No ELSA-Brasil, 35,1% dos participantes foram diagnosticados com esteatose hepática . Em uma das análises do estudo, os voluntários eram servidores públicos, ativos ou aposentados, de 35 a 74 anos, de seis capitais do país .

O número não representa toda a população brasileira nem a gaúcha.

O Ministério da Saúde lembra que a gordura no fígado normalmente se acumula sem causar sintomas físicos . A pasta aponta como causas diabetes, má alimentação, colesterol alto e pressão alta . O excesso de peso responde por 60% dos casos de esteatose não alcoólica .

Por que o "leve" engana

Caroline explica que o ultrassom classifica a gordura em leve, moderada ou grave. "Isso não é a gravidade da doença", afirma. Muitos pacientes veem a palavra "leve" e deixam o assunto para depois.

A médica atendeu uma paciente que chegou com cirrose descompensada, com acúmulo de água na barriga. Anos antes, um ultrassom havia apontado esteatose leve, e ela foi orientada a não se preocupar.

Para saber se há fibrose (cicatrizes), cirrose ou só gordura, a gastroenterologista indica exames de sangue e a elastografia hepática. O exame de imagem mede a rigidez do fígado. O Ministério da Saúde o descreve como indolor, semelhante à ultrassonografia, e capaz de medir a elasticidade do tecido hepático .

A esteatose pode ter origem alcoólica, metabólica ou mista. Quando o álcool é a causa, a gordura pode desaparecer se a pessoa parar de beber .

O que fazer nas fases iniciais

A progressão para estágios graves pode levar anos e varia conforme a genética e a soma de fatores de risco, segundo Caroline. O primeiro passo do tratamento é mudar hábitos para perder peso e reduzir a gordura visceral. A médica também indica exercício físico regular e a eliminação do álcool.

Vitamina E ou pioglitazona podem ser indicadas em casos específicos de inflamação e fibrose, conforme a especialista. O Ministério da Saúde afirma que o tratamento se apoia em estilo de vida saudável, alimentação equilibrada e exercício, e que só raramente exige medicação .

Segundo a Sociedade Brasileira de Hepatologia, na maioria dos casos a alteração é estável e pode regredir se o problema metabólico for controlado . A entidade informa que até 30% dos pacientes podem evoluir para esteato-hepatite, a inflamação do fígado .

Em estágio avançado, como na cirrose, a doença é crônica e exige acompanhamento de perto para não descompensar, segundo Caroline. Quem tem diabetes, sobrepeso, colesterol alto ou pressão alta deve conversar com o médico sobre a necessidade de monitorar o fígado. O Ministério da Saúde recomenda que pessoas com fatores de risco façam consultas periódicas .

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