Premiê do Japão diz gastar 3 a 4 horas a mais que homens com banho, louça e maquiagem
Fala de Sanae Takaichi na Comissão de Orçamento, em resposta a pedido para reduzir sessões longas, foi criticada por parlamentares da oposição e por uma advogada.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou na quarta-feira (14) que gasta "três ou quatro horas a mais" por dia do que os antecessores homens com banho, café da manhã, louça e maquiagem. Ela falou na Comissão de Orçamento da Câmara dos Representantes, ao responder a uma pergunta sobre reforma do funcionamento do Parlamento. A frase virou assunto nas redes e na imprensa japonesa.
O episódio põe em pauta, num país com uma mulher no comando do governo pela primeira vez, a divisão das tarefas de casa. Para quem vive no RS, é o mesmo debate sobre quem cuida da rotina doméstica, inclusive quando a mulher ocupa o posto mais alto.
O que levou à resposta
Quem fez a pergunta foi Fumitake Fujita, co-líder do Partido da Inovação do Japão. Ele apontou que não é normal, em termos internacionais, o primeiro-ministro ficar preso por tantas horas ao Parlamento. O partido integra a coalizão do governo. A pergunta tratava da duração das sessões e da agenda do premiê.
Takaichi começou dizendo que os secretários demoraram a se acostumar com uma mulher no cargo. Antes das transmissões da comissão pela TV, segundo ela, não sobravam nem poucos minutos para retocar a maquiagem. Em seguida, descreveu a rotina da manhã. Disse que não se trata de um problema pessoal e que quer discutir com governo, oposição e população como organizar o ambiente de trabalho de um premiê.
Ela também falou sobre o trabalho que leva para casa. "Gosto de ler essas pilhas de documentos que levei para casa à meia-noite", disse. A premiê afirmou, porém, que é difícil achar tempo para pensar com calma na estratégia do país.
Críticas vieram de oposição e de advogada
As parlamentares de oposição Renho e Yoshiko Kira criticaram a fala no X. Kira disse que a resposta rebaixa a posição das mulheres. A advogada Fusako Miwa escreveu nas redes que não aceita a maquiagem como pedido de desculpas por precisar de mais tempo. A crítica central é que a fala reforça papéis tradicionais de gênero e a cultura de jornadas excessivas.
O governo japonês não divulgou resposta formal às críticas.
Dados oficiais do Gabinete do Japão mostram o peso desigual do trabalho doméstico. Em 2021, as esposas respondiam por 77,4% do tempo dedicado a tarefas domésticas e cuidados em casais em que os dois trabalham e têm filhos menores de seis anos. O número vale para esse grupo, não para todos os lares do país.
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