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Preços agrícolas mundiais sobem 13% e ONU prevê inflação de alimentos por até 9 meses

No Brasil, o fertilizante importado ficou 12,8% mais caro em agosto, e a Farsul já cobrou a ANP por atrasos na entrega de diesel ao campo gaúcho.

Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 23:49 · 2 min de leitura

Foto de Marco Rosa (Wikimedia Commons) ligada ao tema da alta dos preços agrícolas e da lavoura
Foto: Marco Rosa / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

O Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), agência da ONU, informou nesta sexta (16) que os preços agrícolas mundiais subiram 13% no terceiro trimestre e que a alta está se acelerando. "Nos próximos seis a nove meses, deveremos ver a inflação alimentar atingir com força as populações menos capazes de suportar estes custos" , disse à AFP o presidente do Fida, Álvaro Lario.

Quadro: Preços agrícolas mundiais sobem 13% e ONU prevê inflação de alimentos por até 9 meses
Entenda em um quadro · Bairrista

Para o RS, o recado chega pelo custo da lavoura e, depois, pela prateleira do mercado. O Fida atribui o encarecimento de fertilizantes e combustíveis neste ano à alta dos hidrocarbonetos, associada ao conflito no Oriente Médio. São dois itens que pesam na conta de quem planta soja, milho, arroz e trigo no estado.

Adubo importado e diesel pressionam o plantio

Em agosto de 2026, os fertilizantes importados pelo país ficaram 12,8% mais caros, e o volume comprado do exterior recuou 43,2% na comparação anual.

O preço médio foi de US$ 403,20 por tonelada.

O diesel é outro ponto de atenção no campo gaúcho. A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) enviou em 14 de setembro um ofício ao diretor-geral da ANP, Artur Watt Neto. O documento pede providências sobre restrições e atrasos na entrega de diesel aos produtores.

Segundo a entidade, problemas parecidos ocorreram entre março e abril, na colheita de arroz e soja. O governo federal afirma que não há falta de insumos, e o ministro da Agricultura disse que o país deve produzir 35% do que consome em fertilizantes nitrogenados.

A Emater/RS projeta 6.645.384 hectares de soja na safra 2026/27 do estado, com produtividade de 3.183 quilos por hectare. Em 15 de outubro, o plantio seguia limitado por chuva, solo úmido e dificuldade de acesso das máquinas às lavouras.

Comida mais cara no mercado

O IPCA de setembro mostra que a conta do mercado já mudou de direção. A alimentação no domicílio subiu 0,96%, depois de três meses de deflação, e o grupo Alimentação e bebidas avançou 0,83%.

Fida pede investimento de três a cinco anos no campo

O Fida defende investimentos com horizonte de três a cinco anos em irrigação, armazenamento, processamento local e acesso a mercados locais. A agência lembra que os pequenos agricultores respondem por um terço da produção mundial de alimentos e são os mais afetados pela alta da energia. Em entrevista à Reuters, Lario disse que, para preservar o fluxo de caixa, esses produtores podem abandonar culturas de maior valor agregado, que demoram mais para gerar receita.

O fenômeno El Niño soma risco às colheitas na África, na Ásia e na América Latina. Lario citou perdas de milho e feijão em El Salvador e Honduras e uma monção irregular na Índia.

Lario também prevê novas altas de preços no quarto trimestre deste ano e no primeiro de 2027, segundo a entrevista dada à Reuters.

Perguntas frequentes

Quanto subiram os preços agrícolas no mundo?

Segundo o Fida, agência da ONU, subiram 13% no terceiro trimestre, e a alta está se acelerando.

Por quanto tempo a inflação de alimentos deve continuar?

O presidente do Fida, Álvaro Lario, prevê que a inflação alimentar atinja com força nos próximos seis a nove meses.

Quanto ficou mais caro o fertilizante importado no Brasil?

Em agosto de 2026, os fertilizantes importados ficaram 12,8% mais caros, com preço médio de US$ 403,20 por tonelada.

Quanto subiu a alimentação no domicílio no IPCA de setembro?

A alimentação no domicílio subiu 0,96%, depois de três meses de deflação.

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