Preço do milho segue em queda e recua mais nos portos, aponta Cepea
Oferta alta, dólar mais fraco e futuros em baixa pressionam as cotações; em parte do RS, os preços estavam estáveis no mês.
Por que afeta o RS: O milho é cultura importante no RS e a queda nacional das cotações repercute nos preços recebidos por produtores gaúchos.
Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 2 min de leitura

Os preços do milho continuam em queda no mercado brasileiro, segundo análise divulgada nesta segunda (26) pelo Cepea, centro de pesquisas da Esalq/USP. O Cepea atribui o recuo à oferta elevada do cereal e à queda da paridade de exportação, ligada às cotações internacionais e ao dólar mais fraco. Nos portos, a baixa foi mais forte do que no mercado interno, acompanhando a queda dos futuros internacionais e do dólar.
No Rio Grande do Sul, a saca de milho estava em média a R$ 62,44, com recuo de 0,37% na semana, segundo dados atribuídos à Emater. O plantio da primeira safra 2026/27 no estado já passava de 80% da área prevista em 23 de outubro, segundo a Conab.
Indicador caiu 5,56% em outubro
O Indicador Esalq/B3, que reflete negócios na região de Campinas (SP), encerrou o dia 16 em R$ 64,85 por saca, com queda de 5,56% em outubro. O número é referência de mercado, não média nacional. Entre as 39 regiões monitoradas pela AgRural, 34 tiveram queda nos preços ao longo do último mês. A maior redução mensal foi em Lucas do Rio Verde (MT), de 14%.
Safra grande pesa sobre os preços
A pressão vem do lado da oferta. A Conab, em seu primeiro levantamento de 2026/27, projeta produção total de até 148 milhões de toneladas de milho, 2,4% acima da safra anterior. A primeira safra pode chegar a 32,10 milhões de toneladas, e a segunda safra deve responder por 113,3 milhões de toneladas.
A demanda interna também deve crescer. A Conab espera alta de 6,6% no consumo em 2026/27, puxada principalmente pelo uso do milho na produção de etanol. O consumo para ração de aves e suínos também sustenta essa demanda.
Segundo o Cepea, compradores domésticos seguem retraídos, com baixo interesse em negociar ou oferecendo valores menores. Parte dos vendedores está flexível porque teme o espaço nos armazéns, que podem ficar cheios com a entrada da safra de verão no início de 2027. O estoque de passagem de milho é elevado, e a expectativa para a soja também é de safra grande.
O clima segue no radar. O excesso de chuva ou as altas temperaturas do fim do ano podem prejudicar as lavouras e reduzir as estimativas, que hoje apontam produção recorde, segundo pesquisadores do Cepea. O Cepea volta a atualizar os indicadores de milho nos próximos dias úteis.
Saber mais
- Folha Agrícola, análise do Cepea de 26/10/2026
- Jornal de Brasília, 1º Levantamento da Conab 2026/27
- AgroRevenda, estimativa da Conab para 2026/27
- Arede, estimativa da Conab para 2026/27
- Boca, preços do milho no Brasil (Cepea e AgRural)
- Feedfood, Cepea sobre soja e milho em outubro
- Cenário MT, Cepea sobre quedas no milho
- Conab, monitoramento agrícola de outubro
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