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Polícia Civil afasta 5 servidores da cadeia de Mogi das Cruzes por suspeita de regalias

Carcereiro investigado tinha R$ 155 mil e US$ 10 mil em dinheiro, apreendidos pelo MP-SP; o ex-vereador Milton Leite, preso na Vectura Corrupta, nega ter recebido benefícios.

Redação Bairrista · 18 de outubro de 2026 às 00:28 · 3 min de leitura

Foto de fachada de prédio público, imagem de arquivo sem relação direta com o caso. Crédito: EUDOXIO / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).
Foto: EUDOXIO / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A Polícia Civil de São Paulo afastou cinco servidores ligados à Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, por suspeita de dar tratamento privilegiado a presos. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou neste sábado (17) o afastamento imediato de um carcereiro, três delegados e um investigador . Os três delegados e o investigador atuam no 1º Distrito Policial da Seccional do município. A SSP não divulgou os nomes dos afastados.

Quadro: Polícia Civil afasta 5 servidores da cadeia de Mogi das Cruzes por suspeita de regalias
Entenda em um quadro · Bairrista

A suspeita é de corrupção no sistema prisional paulista, e não há condenação. O caso mexe com a fiscalização de quem custodia presos de uma investigação de alcance nacional: a suposta infiltração do PCC no transporte coletivo de São Paulo.

Afastamento é preventivo e busca evitar interferência

Os cinco servidores depuseram à Corregedoria Geral da Polícia Civil. Segundo a SSP, o afastamento serve para evitar interferência nas apurações.

Foram instaurados um inquérito policial e um procedimento correicional disciplinar. A SSP não informou o prazo do afastamento.

A Corregedoria também mandou fazer correições na cadeia e no 1º DP de Mogi das Cruzes para checar os serviços e a rotina das duas unidades.

Operação do MP-SP apreendeu dinheiro e celulares

Na sexta-feira (16), o Ministério Público deflagrou a Operação Custódia (In)Fiel, que apura tratamento privilegiado a pessoas detidas na Operação Vectura Corrupta, de setembro.

A ação foi conduzida pelo Gaeco, com apoio da Polícia Militar, da Polícia Penal e da Corregedoria da Polícia Civil.

Foram cumpridos três mandados de busca, na cadeia, no 1º DP e em um endereço residencial.

A maior parte do dinheiro, cerca de R$ 150 mil e os US$ 10 mil, estava na casa de um carcereiro. Outros R$ 4 mil estavam nos bolsos dele.

A origem dos valores ainda precisa ser esclarecida.

Dois celulares foram encontrados na cela de Leite.

A investigação começou com uma denúncia anônima sobre tratamento privilegiado. Entre as suspeitas estão visitas de políticos e amigos fora dos dias e horários permitidos, inclusive à noite e nos fins de semana.

Segundo o MP, haveria um fluxo de visitantes, muitos sem vínculo familiar com os presos.

Para o MP, as condutas podem configurar, em tese, corrupção passiva, corrupção ativa e prevaricação, entre outros crimes.

Defesa nega regalias

Milton Leite, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, está preso desde 18 de setembro de 2026. Ele se apresentou à Polícia Civil em Mogi das Cruzes um dia depois da deflagração da Vectura Corrupta.

A Justiça prorrogou na quinta-feira (15), por mais 30 dias, a prisão temporária dele.

Ele é apontado como possível articulador político de um esquema que ligaria o PCC ao transporte público e suspeito de ser dono de fato da Transwolff.

A defesa nega as acusações. Em nota, afirmou que "Milton não recebe nem recebeu nenhum tipo de regalia ou tratamento diferenciado" na unidade. Os advogados também disseram que o ex-vereador e seus representantes estão à disposição para colaborar com as apurações.

A Polícia Civil, que administra a cadeia, afirmou que adotará medidas se as irregularidades forem confirmadas.

Segundo a SSP, a investigação continua para apurar o que aconteceu e apontar a responsabilidade de cada um, se houver. O inquérito policial e o procedimento disciplinar seguem abertos, e a prisão temporária de Leite vale pelos 30 dias da prorrogação.

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