PL reconhece vitória de Lula, mas Trump segue falando em fraude; Milei não parabeniza
Flávio Bolsonaro desiste de pedir anulação da eleição e vai contestar a candidatura de Lula por "abuso de poder", enquanto o governo argentino diz que não fará comunicado.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

O Partido Liberal, de Flávio Bolsonaro, reconheceu o resultado do segundo turno em nota assinada pelo presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, nesta segunda (26). O gesto ocorreu horas depois de Donald Trump afirmar, sem apresentar provas, que a eleição brasileira "looked like another rigged election" ("pareceu mais uma eleição fraudada").

Na prática, a principal sigla da oposição aceita o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que dá aos gaúchos mais quatro anos de governo Lula e põe a Argentina, vizinha do RS, no centro da disputa diplomática: reeleição de Lula com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. O PL pede "esclarecimentos" sobre o impacto dos apoios sociais aprovados por Lula durante a campanha.
Flávio muda de estratégia
Flávio havia dito, na noite de domingo (25), que não reconheceria a derrota e que pediria a anulação do pleito. A crítica central foi a prorrogação da votação, determinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin depois de a campanha de Lula apontar falta de transporte para eleitores em ao menos dez estados. A campanha de Flávio também havia pedido a extensão do horário ao TSE, segundo a CNN Brasil.
Flávio desistiu de pedir a anulação das eleições, mas vai pedir à Justiça a invalidação da candidatura de Lula por alegado "abuso de poder" econômico e político. Flávio também entregou os passaportes por ordem da Polícia Federal. A proibição de deixar o país foi determinada por um ministro do Supremo, e ele nega que pretendesse fugir.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que não houve alteração decorrente da decisão judicial e que há "absoluta confiança em todo o processo eleitoral". Partidos que apoiaram Flávio, como União Brasil, Republicanos e Podemos, também cumprimentaram Lula.
Washington segura nota; China diz respeitar escolha
Trump falou com jornalistas e não mostrou provas para as acusações. O Departamento de Estado americano, de acordo com a Folha de S.Paulo, reteve a nota que parabenizaria o povo brasileiro pela eleição, logo após Flávio declarar que não reconhecia a vitória. Em 2022, no governo de Joe Biden, os Estados Unidos estiveram entre os primeiros a cumprimentar Lula.
A China foi um dos governos que se manifestaram. O porta-voz da chancelaria, Guo Jiakun, disse que o país tomou nota do anúncio do TSE e apresenta felicitações. Perguntado sobre a contestação de Flávio, respondeu que "A China respeita a escolha do povo brasileiro." O ICL Notícias registra ainda saudações da União Europeia, da União Africana e da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Argentina não fará comunicado
Em entrevista coletiva na Casa Rosada, nesta terça (27), o porta-voz do governo argentino, Adrián Ravier, disse que o país não divulgará comunicado parabenizando Lula. Afirmou que o governo apenas "tomou nota" do resultado. Ravier justificou a decisão dizendo que Lula não cumprimentou pessoalmente Javier Milei quando este venceu a eleição argentina, em 2023.
O registro público da época mostra algo diferente. Em 19 de novembro de 2023, Lula parabenizou as instituições argentinas pela condução da votação e desejou "boa sorte e êxito" ao governo eleito, sem citar Milei pelo nome.
A Argentina faz fronteira com cidades gaúchas como Uruguaiana, São Borja e Itaqui e é sócia do Brasil no Mercosul, o que pesa na vida de quem vive e produz na região.
O próximo passo é a ação em que Flávio Bolsonaro pretende questionar a candidatura de Lula por abuso de poder, ainda sem data para ser apresentada.
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