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PL decide quarta (4) se lança Marinho contra Alcolumbre, que busca indulto a Bolsonaro

Com 29 senadores em 2027, PL rejeita acordo pela reeleição de Alcolumbre; presidente do Senado nega pacto fechado e Flávio Bolsonaro apoia Marinho.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 6 min de leitura

Atualizada em 02/11, 19:21 · reúne 3 matérias desta cobertura

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto do Senado Federal, de 30 de abril de 2026.
Foto: Senado Federal / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O PL decidiu não apoiar um acordo pela reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) na presidência do Senado e deve lançar o senador Rogério Marinho (PL-RN). A bancada se reúne na quarta (4) para formalizar a candidatura. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já declarou apoio a Marinho.

Do outro lado, a Folha de S.Paulo informa que Alcolumbre articula um indulto humanitário ou uma anistia a Jair Bolsonaro em troca de votos da direita. Não há acordo fechado nem proposta formal. Para o RS, o efeito é indireto: a eleição da Mesa define quem controla a pauta do Senado nos próximos dois anos, e os três senadores gaúchos votam nela.

Quadro: PL decide quarta (4) se lança Marinho contra Alcolumbre, que busca indulto a Bolsonaro
Ficha de serviço · Bairrista

O que aconteceu

Na sexta (30), reportagens mostraram que o PL rejeitou o entendimento com Alcolumbre. Alcolumbre havia conversado com senadores sobre um acordo que poderia beneficiar Bolsonaro. Segundo a reportagem do Globo, não houve proposta fechada.

A oposição duvida que ele cumpra o que prometer. Em 2025, o PL o apoiou esperando avanços na anistia, sem resultado. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), que assume vaga no Senado em fevereiro, disse que um novo apoio seria repetir um acordo sem garantias. O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), defende usar o tamanho da bancada para ampliar a influência do partido. Em outubro, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já havia dito à CNN Brasil que Marinho seria o nome do partido.

Na noite de sexta (30), em live no Instagram feita dos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro anunciou apoio a Marinho e orientou a base a concentrar esforços no Congresso. No domingo (1º), a Folha detalhou a articulação de Alcolumbre.

A conta de votos

O PL terá 29 senadores a partir de fevereiro, mais de um terço das 81 cadeiras. Somados os três senadores eleitos pelo Novo, Marinho parte de uma base potencial de 32 votos. É uma projeção, não uma lista de apoios confirmados.

Alcolumbre conta com a sinalização de apoio da direção nacional da federação União-PP, que tem 11 senadores. Ele afirma ter 48 votos. São necessários 41. A aposta do PL está em dissidentes do centro, inclusive da própria federação União-PP. Como o voto é secreto, divergências ficam mais fáceis.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também tem o nome em circulação. Aliados dela e de Marinho tentam construir uma candidatura única contra Alcolumbre, mas ainda não definiram quem a encabeça.

O que Alcolumbre articula

Segundo a Folha, que ouviu dois aliados do senador, Alcolumbre disse que vai procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para defender um indulto humanitário a Bolsonaro. O indulto é um ato de clemência que depende apenas de Lula. A conversa só deve ocorrer depois que a eleição presidencial "decantar" e as consequências da saída de Flávio Bolsonaro do país forem conhecidas. Alcolumbre ainda não falou com Lula.

Se Lula recusar, a alternativa relatada é a anistia no Congresso. Esse caminho exigiria articulação com o governo para evitar veto ou mobilização da base governista contra o texto. Também poderia ser questionado no Supremo.

Em troca, Alcolumbre quer que a direita pare de pressionar pelo impeachment de ministros do STF e se concentre numa reforma estrutural do Judiciário. A nova bancada de direita que chega em fevereiro foi eleita com discurso de ataque ao STF, principalmente a Alexandre de Moraes, relator do processo que condenou Bolsonaro. Alcolumbre é contra o impeachment.

Bolsonaro foi condenado pelo STF pela trama golpista e cumpre pena de 27 anos e 3 meses. Nenhuma decisão judicial alterou a situação dele por causa dessa articulação.

A PEC da Segurança no meio

A disputa corre junto com a PEC da Segurança Pública. Alcolumbre pautou a proposta para terça (3). A votação, antes prevista para 15 de outubro, foi adiada por divergências sobre a maioridade penal.

A emenda de Marinho propõe reduzir a idade penal para 16 anos como regra e para 14 em certos crimes. A emenda do senador Camilo Santana (PT-CE) prevê 16 anos apenas para crimes hediondos. O governo tenta votar a PEC sem esse tema.

Flávio Bolsonaro e 2030

Na mesma live, Flávio, derrotado por Lula no segundo turno de 25 de outubro, disse que poderia disputar a Presidência de novo antes de 2030. "Eu não estou falando de 2030, não. Eu estou falando de antes disso", afirmou. Ele não explicou como isso seria possível.

Segundo o TSE, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. Na live, Flávio voltou a insinuar fraude eleitoral sem apresentar provas.

A Constituição não prevê nova eleição presidencial por vontade de candidato derrotado. O mandato é de quatro anos (art. 82). Nova votação só ocorre se o mandato for interrompido. O art. 81 manda fazer eleição direta em 90 dias se a vaga surgir nos dois primeiros anos; nos dois últimos, a eleição é indireta, pelo Congresso. O mandato de Lula começa em 1º de janeiro de 2027, e a próxima eleição regular é em outubro de 2030.

O que ainda não se sabe

PT e PL não divulgaram posição oficial sobre a fala de Flávio. O Senado, o Planalto e o PL também não confirmaram a articulação de indulto ou anistia. Não está definido quem encabeçaria uma candidatura única contra Alcolumbre, se Marinho ou Tereza Cristina.

O que muda para o RS

O Rio Grande do Sul tem três senadores com voto na Mesa. Quem presidir o Senado decide o que entra na pauta, de PECs a projetos de interesse do estado, como os do agro e da segurança pública. Uma eventual anistia a Bolsonaro também passaria pelo plenário onde os gaúchos votam.

Linha do tempo

  • 25 de outubro: Lula é reeleito no segundo turno, com 51,79% dos votos válidos.
  • Outubro: Valdemar Costa Neto diz à CNN Brasil que Marinho seria o nome do PL.
  • 15 de outubro: data antes prevista para votar a PEC da Segurança; a votação foi adiada.
  • 30 de outubro, tarde e noite: reportagens mostram que o PL rejeita acordo com Alcolumbre e deve lançar Marinho; Alcolumbre pauta a PEC da Segurança para terça (3).
  • 30 de outubro, noite: em live dos EUA, Flávio Bolsonaro diz que pode disputar a Presidência antes de 2030 e apoia Marinho.
  • 1º de novembro: Folha relata que Alcolumbre articula indulto ou anistia a Bolsonaro; ele nega acordo fechado.
  • 3 de novembro (terça): PEC da Segurança na pauta do plenário.
  • 4 de novembro (quarta): bancada do PL se reúne para decidir a candidatura de Marinho.
  • 1º de fevereiro de 2027: eleição para a presidência do Senado.

Perguntas e respostas

Quem disputa a presidência do Senado em 2027? Davi Alcolumbre busca a reeleição. O PL deve lançar Rogério Marinho, e o nome de Tereza Cristina também circula.

Quando é a votação? Em 1º de fevereiro de 2027. O voto é secreto e exige 41 dos 81 votos.

Alcolumbre fechou acordo pela liberdade de Bolsonaro? Não. Há relato de articulação por indulto ou anistia, mas sem proposta formal nem confirmação oficial.

Quem pode conceder o indulto? Só o presidente Lula. A anistia, ao contrário, depende de Câmara e Senado e pode ser questionada no STF.

Flávio Bolsonaro pode concorrer antes de 2030? Só se houver interrupção do mandato, e mesmo assim a eleição pode ser indireta. O calendário regular marca outubro de 2030.

Serviço

  • Terça (3): PEC da Segurança Pública na pauta do plenário do Senado.
  • Quarta (4): reunião da bancada do PL para decidir a candidatura de Marinho.
  • 1º de fevereiro de 2027: eleição da Mesa, em votação secreta no plenário, em Brasília.

Perguntas frequentes

Quem disputa a presidência do Senado em 2027?

Davi Alcolumbre (União-AP) busca a reeleição. O PL deve lançar Rogério Marinho (PL-RN), e o nome de Tereza Cristina (PP-MS) também circula.

Quando é a eleição?

A votação está prevista para 1º de fevereiro de 2027, quando os novos senadores assumem. O voto é secreto e exige 41 dos 81 votos.

O que o PL decide na quarta (4)?

A bancada se reúne para formalizar a candidatura de Marinho. Até agora, ela não foi oficializada.

Alcolumbre fechou acordo para libertar Bolsonaro?

Não. A Folha diz que ele articula indulto humanitário ou anistia, mas não há acordo fechado, proposta protocolada nem confirmação oficial.

Flávio Bolsonaro pode disputar nova eleição antes de 2030?

Ele disse que sim, mas não explicou como. A Constituição só prevê nova votação se o mandato for interrompido, e o calendário regular marca a próxima eleição presidencial para outubro de 2030.

O que a PEC da Segurança tem a ver com isso?

Alcolumbre pautou a PEC para terça (3). A votação foi adiada por divergências sobre a maioridade penal, tema que corre em paralelo à disputa da Mesa.

Saber mais: fontes consultadas (16)

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

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