PF indicia Vorcaro e mais 14 por fraude de R$ 12,2 bilhões; ministros do STF ficam fora
Relatório parcial de cerca de 700 páginas foi enviado ao ministro André Mendonça, relator do caso Master, e a PF pediu mais 60 dias para concluir perícias.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 3 min de leitura

A Polícia Federal indiciou, nesta quarta (28), o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e outras 13 pessoas. A investigação identificou irregularidades em carteiras de crédito negociadas entre as duas instituições, em operações de R$ 17,5 bilhões. Desse total, R$ 12,2 bilhões seriam créditos cuja existência não foi comprovada.
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) aparece na lista de indiciados, e também não há políticos, segundo a Gazeta do Povo. O BRB é banco estatal do Distrito Federal, e o caso pode servir de régua para a fiscalização de bancos médios em todo o país, o que inclui as instituições que atendem o gaúcho.

O que a PF atribui a Vorcaro
A PF atribui a Vorcaro suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento a erro, fraude em fiscalização, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. No relatório, o ex-banqueiro é apontado como líder do grupo e responsável por coordenar a criação, a aquisição e a transferência das carteiras de crédito que o Master usava para captar recursos.

As conclusões constam de um relatório parcial de cerca de 700 páginas, enviado ao ministro André Mendonça, do STF, responsável pelo caso. Indiciamento é a conclusão da polícia. Não é denúncia do Ministério Público nem condenação.
O elo com o ex-presidente do BRB
O relatório classifica Paulo Henrique Costa como "o principal agente de articulação institucional" no banco estatal. Vorcaro foi preso na 3ª fase da Operação Compliance Zero, em março. Costa foi preso na 4ª fase, em abril.
Reportagens também relatam que a PF investiga se Vorcaro ofereceu vantagens indevidas a Costa. Entre os elementos citados estão seis imóveis avaliados em R$ 146,6 milhões, ligados a possíveis pagamentos de propina.
A defesa de Costa disse ter recebido o indiciamento com surpresa. Segundo ela, o ex-presidente do BRB "não tinha conhecimento das fraudes nas carteiras". A defesa de Vorcaro contesta o relatório e considera o indiciamento precipitado.
Ministros do STF fora do indiciamento
O primeiro pedido de indiciamento no caso Master não incluiu políticos nem autoridades dos três Poderes suspeitas de dar suporte às operações. A atuação dos ministros não foi apurada nesse primeiro relatório, e investigar integrantes da Corte depende de autorização do próprio STF.
Ministros do STF tiveram nomes citados em mensagens e documentos do caso. Isso não é prova de crime e eles não foram indiciados. A PF encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório sobre transferências entre uma empresa da família do ministro Dias Toffoli e fundos ligados ao banco, na compra de um resort que pertencia à família dele.
Próximos passos: 60 dias e decisão da PGR
A PF pediu ao STF mais 60 dias para concluir diligências. O prazo serviria para terminar perícias pendentes e apresentar um relatório complementar.
Cabe ao relator, ministro André Mendonça, analisar o pedido de prazo. Depois, a Procuradoria-Geral da República (PGR) decide se denuncia os indiciados, pede novas diligências ou não oferece denúncia. Só com denúncia aceita pelo STF os indiciados passam a réus.
Perguntas frequentes
O que é o indiciamento de Daniel Vorcaro?
É a conclusão da Polícia Federal de que há suspeitas contra ele, como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Não é denúncia do Ministério Público nem condenação.
Quem foi indiciado no caso Master?
Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas. Nenhum ministro do STF e nenhum político aparece na lista desse primeiro relatório.
Qual o valor da fraude investigada?
A PF aponta R$ 17,5 bilhões em operações entre Master e BRB, dos quais R$ 12,2 bilhões seriam créditos cuja existência não foi comprovada.
O que acontece agora com o caso?
A PF pediu mais 60 dias ao STF para concluir diligências. Depois, a PGR decide se denuncia os indiciados, pede novas diligências ou não oferece denúncia.
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