Itaú vê inflação de 6,1% em 2027, mas o Focus ainda projeta 4,34% para o ano
Estimativas de bancos e corretoras ficaram mais pessimistas depois da eleição, e o Banco Central divulga nesta terça (3) o primeiro Focus do período pós-eleitoral.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O número de 6% para a inflação de 2027 vem de projeções de casas específicas, não do consenso do mercado. O Itaú revisou seu cenário e passou a esperar IPCA de 6,1% em 2027, ante 4,6% na estimativa anterior. O banco também cortou a previsão de crescimento do PIB do ano, de 1,2% para 0,5%. Os dados foram publicados por CNN Brasil e Veja.
A mediana do mercado, medida pelo Boletim Focus do Banco Central, é bem mais baixa. Para 2027, a previsão do IPCA subiu de 4,32% para 4,34%, ficando 0,16 ponto percentual abaixo do teto da meta. A expectativa para o PIB caiu, de 1,83% para 1,80% em 2026 e de 1,32% para 1,31% em 2027. Essa edição foi divulgada na segunda (26), com data de referência de 23 de outubro, portanto antes do segundo turno.

O que muda no bolso de quem vive no RS
Para o gaúcho, o efeito vem pelo preço no mercado, pelo reajuste do aluguel e pelo juro do financiamento.
Alimentos e combustíveis. A XP aponta como pressões adicionais sobre os preços os efeitos do El Niño e a defasagem dos preços dos combustíveis. Esses são os fatores citados por uma casa de análise, não uma previsão oficial para o estado.
Aluguel. Os contratos costumam ser reajustados por índices como o IGP-M. Na edição do Focus de 19 de outubro, a projeção para o IGP-M de 2027 recuou de 4,11% para 4,00%. A mediana ainda não incorpora, portanto, o pessimismo pós-eleição.
Crédito e financiamentos. O Focus de 26 de outubro projeta Selic de 13,25% ao ano no fim de 2026 e queda de 12% para 11,75% em 2027. Segundo a reportagem sobre o Itaú, o banco espera juros mais restritivos e vê famílias e empresas endividadas. Juros altos por mais tempo encarecem financiamentos e consórcios e limitam o crescimento.
Por que as estimativas pioraram
A CNN Brasil atribui a mudança a analistas que consideram a perspectiva de mais quatro anos de governo Lula e choques inflacionários esperados para 2027.
Em levantamento separado da corretora BGC Liquidez, com cerca de 30 participantes, a mediana para o IPCA de 2027 foi de 5,3%, e 11% dos ouvidos projetavam inflação acima de 6%, segundo O Sul. Esse levantamento não é comparável ao Focus.
Os números do Itaú, do Daycoval e do ASA estão atribuídos às reportagens que os publicaram.
Serviço
O Banco Central divulga o próximo Boletim Focus na terça-feira (3), porque o feriado deslocou a divulgação semanal. Será a primeira medição do consenso de mercado depois do segundo turno. O Copom também decide a Selic nesta semana, pela primeira vez após as eleições. O boletim fica disponível no site do Banco Central.
Perguntas frequentes
Quando sai o próximo Boletim Focus?
O Banco Central divulga o próximo Focus na terça-feira (3), por causa do feriado que deslocou a divulgação semanal.
Qual é a projeção do Focus para a inflação de 2027?
A mediana do mercado no Focus subiu de 4,32% para 4,34%, ficando 0,16 ponto percentual abaixo do teto da meta.
Por que a projeção do Itaú é tão diferente?
A projeção de 6,1% é de um banco específico, não do consenso. O Itaú passou a esperar IPCA de 6,1% em 2027, ante 4,6% antes, citando juros mais restritivos e endividamento.
Como a inflação de 2027 afeta o aluguel no RS?
Os contratos costumam ser reajustados pelo IGP-M, cuja projeção para 2027 recuou de 4,11% para 4,00% no Focus de 19 de outubro.
Saber mais: fontes consultadas (7)
Do interior do RS
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