PF faz 9 buscas por prejuízo de R$ 121 milhões em previdência de São Roque (SP)
Operação Entressafras mira aplicações do São Roque Prev, que pôs R$ 93 milhões em letras do Banco Master, de Daniel Vorcaro, preso atualmente.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

A Polícia Federal deflagrou nesta terça (27) a Operação Entressafras para apurar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O alvo é a gestão do São Roque Prev, instituto de previdência dos servidores de São Roque (SP), entre 2022 e 2024. Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo e Pernambuco.
O caso é paulista e não tem ligação direta com o Rio Grande do Sul. O elo nacional é o Banco Master: o São Roque Prev foi um de ao menos cinco institutos de servidores municipais paulistas que compraram títulos do banco. Os outros são os de Cajamar, Araras, Santa Rita d'Oeste e Santo Antônio de Posse. Vorcaro, dono do Master, está preso atualmente.
A PF investiga aplicações de R$ 80 milhões em Letras Financeiras e de R$ 20 milhões em um Fundo de Investimento Imobiliário. O prejuízo estimado é de aproximadamente R$ 121 milhões, valor bloqueado em desfavor dos investigados. Segundo a PF, as aplicações teriam sido amparadas por pareceres técnicos genéricos e sem fundamentação adequada, e os emissores teriam sido escolhidos antes da avaliação dos riscos. Os investigados podem responder por gestão fraudulenta, peculato financeiro, crimes contra a Administração Pública e lavagem de dinheiro.
Master pesa na carteira dos servidores
Entre abril e setembro de 2024, o instituto aplicou R$ 93,15 milhões em letras financeiras do Banco Master. Isso correspondeu a 18% da carteira do instituto à época. O banco foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado. O instituto informou que nenhum valor investido no Master foi recuperado até agora.
Em 19 de outubro, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) julgou irregulares as contas de 2024 do instituto e condenou o ex-diretor presidente Vanderlei Massarioli a ressarcir R$ 93,15 milhões. A relatora concluiu que ele participou da proposição e da aprovação das operações e assinou as autorizações para movimentar os recursos. Massarioli pode recorrer.
À CPI da Câmara de Vereadores, o atual presidente do instituto, Bruno Caparell, disse que o investimento partiu de promessas de mais liquidez e ocorreu antes das suspeitas sobre o Master. Em julho, a CPI concluiu que houve irregularidades e enviou o caso ao Ministério Público de São Paulo.
O TCE-SP também determinou que o São Roque Prev apure se outras pessoas têm responsabilidade pelo prejuízo e propôs abrir procedimento para examinar a atuação da consultoria Crédito & Mercado, responsável pelos pareceres que embasaram as aplicações.
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