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Pesquisa: 42% querem mais cultura gratuita; só 18% das classes D e E foram ao cinema

Levantamento do Observatório Fundação Itaú com o Datafolha ouviu 2.448 pessoas no país; no RS, a Sedac prevê R$ 70 milhões em projetos pela LIC em 2026.

Redação Bairrista · 14 de outubro de 2026 às 09:17 · 2 min de leitura

Foto de divulgação da Agência Brasil ilustra a pesquisa sobre hábitos culturais e acesso a cinema e eventos
Foto: Divulgação/Agência Brasil

A pesquisa Hábitos Culturais, divulgada nesta quarta (14), mostra que 42% dos entrevistados veem o aumento do acesso gratuito a shows, filmes, espetáculos e exposições como a prioridade dos próximos governantes.

O recorte por classe social mostra a distância: 63% das classes A e B foram ao cinema nos 12 meses anteriores, contra 18% das classes D e E, uma diferença de 45 pontos percentuais.

Os percentuais são nacionais. No RS, a Secretaria da Cultura (Sedac) financia projetos por meio de editais, e o governo muda em janeiro. O governador eleito Luciano Zucco (PL), vencedor em primeiro turno, toma posse em 6 de janeiro de 2027.

Preço e insegurança afastam o público

A 7ª edição da pesquisa foi feita pelo Observatório Fundação Itaú com apoio do Datafolha. O levantamento ouviu 2.448 pessoas de 16 a 65 anos em 137 municípios, entre 7 e 20 de julho.

Participaram homens e mulheres das classes A, B, C e D/E, de todas as regiões do país.

O custo foi citado como principal barreira por 35% dos entrevistados.

A insegurança e a violência aparecem em segundo lugar, com 30%. Na sequência vêm disponibilidade de horário (23%), cansaço e desânimo (21%), distância dos eventos (19%), lotação (19%) e falta de transporte (16%).

O medo de violência contra mulheres e de assédio nos espaços culturais chega a 38% entre elas, contra 14% entre os homens.

Entre quem mantém o hábito, 46% gastam até R$ 100 por mês com cultura.

Um terço da população não tem equipamentos culturais perto de casa.

Apesar da desigualdade, 88% dos entrevistados fizeram ao menos uma atividade cultural presencial no período, ante 84% em 2025.

Entre as classes A e B, 97% participaram de alguma atividade presencial; entre as D e E, o índice foi de 82%.

Falta de acesso, não de interesse

A coordenadora do Observatório Fundação Itaú, Ana Maria Cardoso, afirmou que o acesso à cultura "ainda é bastante desigual", sobretudo pela perspectiva socioeconômica e pela escolaridade.

Segundo ela, os números não indicam falta de interesse das camadas populares, mas obstáculos concretos que impedem a fruição cultural.

Sedac prevê 250 projetos e R$ 70 milhões pela LIC em 2026

Em 2026, a Sedac prevê selecionar 250 projetos pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC) e investir R$ 70 milhões, com captação por abatimento de ICMS.

Os editais da LIC deste ano cobrem eventos culturais, patrimônio e espaços públicos de cultura, e produção e fruição cultural.

As inscrições do edital de eventos do 1º semestre de 2027 ficaram abertas de 3 de agosto a 30 de setembro.

Pela Política Nacional Aldir Blanc, o Estado destinou mais de R$ 55 milhões ao setor por seis editais setoriais e dois transversais.

A Sedac recebeu 3.393 projetos nos oito editais do Ciclo 2, mais que o dobro dos 1.599 do Ciclo 1.

Um dos editais, da Política Cultura Viva, reservou R$ 9 milhões para Pontos e Pontões de Cultura.

Serviço

Editais da Sedac: https://cultura.rs.gov.br/editais-2026-6a2af7987dada

Perguntas frequentes

Quantas pessoas foram ouvidas na pesquisa Hábitos Culturais?

Foram 2.448 pessoas de 16 a 65 anos, em 137 municípios, entre 7 e 20 de julho. A 7ª edição é do Observatório Fund

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