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Becos do Centro Histórico de Porto Alegre viraram Otávio Rocha, Uruguai e Caldas Júnior

A abertura da Avenida Otávio Rocha, nos anos 1920, atingiu 33 prédios; o episódio do Aconteceu no RS com a pesquisadora Ana Luiza Koehler já está no YouTube de GZH.

Redação Bairrista · 14 de outubro de 2026 às 09:15 · 3 min de leitura

Becos do Centro Histórico de Porto Alegre viraram Otávio Rocha, Uruguai e Caldas Júnior
Foto: Ricardosdag / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Os becos que cortavam o Centro Histórico de Porto Alegre, com moradias populares, armazéns, casas de jogo e prostituição, sumiram nas primeiras décadas do século 20. Muitos foram alargados e hoje são ruas e avenidas conhecidas, como a Otávio Rocha, a Uruguai e a Caldas Júnior. O tema é o episódio desta semana do programa Aconteceu no RS, com a arquiteta, ilustradora e pesquisadora Ana Luiza Koehler, autora de Os becos da Porto Alegre antiga (Editora Hipotética).

Quem passa pela Otávio Rocha ou pela Rua Uruguai anda, sem saber, sobre esses antigos caminhos. Os becos ligavam as ruas principais e eram lugar de moradia e de trabalho das classes populares. As elites da época também os estigmatizaram.

Onde ficava cada beco e o que virou

Beco do Rosário: Avenida Otávio Rocha. O beco ficava onde hoje passa a avenida e ganhou o nome depois da construção da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Era atalho para os devotos chegarem à igreja, na Rua do Rosário, atual Vigário José Inácio. Mesmo estreito, entre a Praça XV e a Rua Senhor dos Passos, dava passagem a carroças e até a bondes.

Beco da Ópera: Rua Uruguai. A via começou como um beco saído da Rua da Praia, que descia até o Porto dos Ferreiros. Em 1794, um barracão de madeira para apresentações teatrais, a Casa da Comédia ou Casa da Ópera, ocupou a passagem. Uma enchente destruiu o barracão em 1833, mas o nome da rua permaneceu por algum tempo.

Beco do Fanha: Rua Caldas Júnior. O apelido vem do taverneiro Francisco José de Azevedo, o Fanha, que se instalou no local. A clientela comentava a voz fanha do dono do armazém, e o nome pegou. A via também aparece nas plantas antigas como Travessa Paysandu.

Beco do Jogo da Bola: Rua Bento Martins. O trecho entre a Riachuelo e a Duque de Caxias era a Rua do Jogo da Bola, porque ali funcionou o primeiro jogo da bola da cidade, de propriedade de Antonio Pereira da Silva. O nome General Bento Martins foi adotado pela Câmara em 1870. A Rua João Manoel está no traçado dos becos dos Marinheiros e da Formiga.

Beco do Brito: Travessa Engenheiro Acilino Carvalho. É a Rua 24 Horas, entre a Andradas e a Andrade Neves. Continua estreita.

Por que desapareceram

O fim dos becos coincide com a chegada dos automóveis e com o projeto de modernizar o Centro. O Plano de Melhoramentos de João Moreira Maciel, de 1914, ganhou proporções muito maiores quando começou a ser aplicado, na administração de Otávio Rocha (1924-1928).

Entre os projetos viários do intendente estavam o alargamento das ruas 24 de Maio, atual Otávio Rocha, e São Rafael, atual Alberto Bins, e a abertura da Borges de Medeiros.

As elites também olhavam esses espaços com desconfiança. O Beco do Rosário foi destruído em 1926 e deu lugar a uma avenida mais larga. Seus moradores foram expulsos de um local condenado por sua sociabilidade e visto como resquício insalubre da cidade colonial. A pesquisa de Koehler trata dessa história: o passado de lugares da capital ligados à exclusão social e à marginalização.

Desapropriação de 33 prédios abriu caminho à avenida

Otávio R

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