PEC da Segurança é aprovada no Senado por 75 a 0, sem redução da maioridade penal
Emendas que baixavam a idade de responsabilização penal foram separadas por 38 votos a 36 e vão tramitar em outra proposta; o texto segue para promulgação.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura
Atualizada 03/11, 21:17 · A Agência Brasil traz dados que a matéria não tinha: o mínimo de 49 votos exigido, as penas mais duras e os regimes mais restritos para chefes de facções e milícias, a promessa de Lula de criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação e o histórico do texto na Câmara e na CCJ.

O Senado aprovou nesta terça (3) a PEC da Segurança Pública em dois turnos, sem a redução da maioridade penal. Foram 73 votos a favor e nenhum contra no primeiro turno, e 75 a favor e nenhum contra no segundo. Eram necessários ao menos 49 votos favoráveis para aprovar a mudança constitucional. Agora, o texto vai à promulgação.
A regra segue como está: responsabilização penal a partir dos 18 anos. O tema foi separado da PEC e vai tramitar em propostas à parte.

O que o relator tirou e por quê
No início da sessão, o relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), apresentou um novo parecer sem as medidas relacionadas à redução da maioridade penal. O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), propôs a redução geral para 16 anos e, nos crimes hediondos, para 14 anos.
A decisão de manter o tema fora da PEC saiu de uma votação apertada, por 38 votos a 36. O motivo central é de calendário: incluir a redução da maioridade significaria obrigar a proposta a retornar à Câmara dos Deputados. Com os requerimentos aprovados, a PEC foi votada com o texto da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sem mudança de mérito, e não precisa voltar à Câmara.
Marinho criticou a manobra e disse que o artifício regimental "cria um precedente perigoso" para o funcionamento do Congresso.
O que a PEC muda e o que vale para o RS
A proposta, de iniciativa do governo Lula, amplia o papel da União na segurança pública. Também reforça a integração entre os órgãos no combate ao crime organizado. O texto estabelece penas mais duras e regimes de prisão mais restritos para chefes de facções e milícias, e cria um novo pacto federativo entre União, estados e municípios para enfrentar o crime.
A PEC inclui na Constituição o Susp (Sistema Único de Segurança Pública), já previsto em lei para integrar todas as entidades responsáveis pela segurança pública. Também estão previstos repasses de recursos federais para estados e municípios, além de parte do superávit do Fundo Social, ligado ao pré-sal, para ações de segurança.
Para o RS, o texto abre espaço para uma atuação mais integrada entre a União e as polícias estaduais e locais.
Como não houve voto contrário em nenhum dos turnos, nenhum senador do RS votou contra a PEC.
Promulgação e próximos passos
O texto-base foi aprovado na CCJ do Senado no início de setembro e manteve o teor do que a Câmara já havia aprovado em segundo turno em março. Por isso, a proposta segue para promulgação pelo Congresso Nacional, sem necessidade de sanção presidencial. A data da promulgação não foi divulgada.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC, uma das prioridades do governo para a área.
As emendas sobre maioridade penal passam a tramitar como propostas autônomas no Senado. Marinho já havia dito que manteria a emenda para votação em separado.
Serviço: a tramitação das propostas sobre maioridade penal pode ser acompanhada no site do Senado Federal (senado.leg.br).
Atualização: entraram o número mínimo de 49 votos exigido para aprovar a PEC, as penas mais duras e os regimes mais restritos para chefes de facções e milícias, o histórico do texto na Câmara e na CCJ e a promessa de Lula de criar o Ministério da Segurança Pública.
Perguntas frequentes
A maioridade penal mudou com a aprovação da PEC?
Não. A responsabilização penal segue a partir dos 18 anos, e o tema vai tramitar em propostas à parte.
O que acontece agora com a PEC?
O texto segue para promulgação pelo Congresso Nacional, sem necessidade de sanção presidencial. A data ainda não foi divulgada.
A PEC tem impacto no RS?
O texto abre espaço para uma atuação mais integrada entre a União e as polícias estaduais e locais, e nenhum senador do RS votou contra.
Saber mais: fontes consultadas (8)
- CNN Brasil, Senado aprova PEC da Segurança Pública sem discutir redução da maioridade
- CNN Brasil, PEC da Segurança: veja como foi o placar em cada turno
- Exame, PEC da Segurança Pública: por que a redução da maioridade penal ficou fora do texto
- Gazeta do Povo, Senado aprova PEC da Segurança Pública sem a redução da maioridade penal
- Poder360, Marinho vê precedente perigoso na retirada da redução da maioridade penal
- Jornal Opção, Senado aprova PEC da Segurança Pública em primeiro turno sem redução da maioridade penal
- O Tempo, PEC da Segurança Pública é aprovada no Senado sem redução da maioridade penal
- Agência Brasil, Senado aprova PEC da Segurança Pública sem redução da maioridade penal
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