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Ouvidoria propõe grupo de trabalho sobre abordagem a surtos após 3 mortes pela PM de SP

Tarcísio de Freitas diz que a PM vai rever procedimentos e treinamento, e a cúpula da Segurança discute mais armas de choque.

Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 10:37 · 2 min de leitura

Foto de policiais militares de São Paulo, crédito Alexandre Carvalho/A2img, ligada a abordagens da PM a pessoas em surto.
Foto: Alexandre Carvalho/A2img / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Ouvidoria da Polícia de São Paulo propôs ao Comando-Geral da Polícia Militar, nesta sexta (16), a criação de um grupo de trabalho multidisciplinar. O objetivo é discutir como os PMs abordam pessoas em surto ou em crise psicossocial. A iniciativa ocorre após três pessoas morrerem em ações da PM, em menos de duas semanas, durante ocorrências com pessoas que aparentavam estar em surto.

No mesmo dia, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que os procedimentos e o treinamento da PM serão revistos. "A gente vai ter uma reunião com o comando da Polícia Militar já semana que vem para revisar procedimento e treinamento, para impedir que excessos aconteçam", disse o governador.

Três mortes em 12 dias

As mortes ocorreram na capital paulista. Em 3 de outubro, Antonio Nunes Batista, de 40 anos, foi atingido após policiais dispararem 24 vezes na Zona Norte. Em 10 de outubro, Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morreu em Moema. O terceiro caso foi na tarde de quinta (15), em Pirituba, na Zona Norte, quando uma mulher de 32 anos foi baleada por um policial militar durante uma abordagem.

A Polícia Civil apontou excesso no uso da força nesse último caso, e a defesa do policial alega legítima defesa. O soldado foi preso em flagrante, mas obteve liberdade provisória em audiência de custódia.

O que a Ouvidoria pede

Em nota, a Ouvidoria afirmou que os protocolos da corporação para casos de surto ou crise psicossocial precisam ser revistos. O órgão também pediu cuidado com o preparo psicológico dos PMs e que sigam os procedimentos operacionais padrão.

A Ouvidoria acionou a Corregedoria da PM para pedir informações sobre as providências internas e o envio urgente das imagens das câmeras corporais dos agentes. Também defendeu o uso de equipamentos de menor potencial ofensivo, como o taser e as tonfas.

Cúpula da Segurança se reuniu na sexta

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) fez uma reunião em sua sede, na sexta (16), com os comandos das polícias Militar e Civil e o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves. Segundo o Metrópoles, a intenção é implementar mais treinamentos com métodos não letais e ampliar o uso de armas de choque. A comandante-geral da PM é a coronel Glauce Anselmo Cavalli.

A gestão estadual afirma que apura cada ocorrência de forma individual. O governo não informou se vai aceitar a proposta do grupo de trabalho.

O próximo passo é a reunião de Tarcísio com o comando da PM, prometida pelo governador para a próxima semana, para revisar procedimentos e treinamento.

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