ONU: mundo caminha para 2,8 °C até 2100 e limite de 1,5 °C será superado
Relatório do Pnuma diz que o corte de 45% nas emissões até 2035 é o que resta para voltar a 1,5 °C no fim do século; hoje, os planos nacionais entregam 11% a 15%.
Por que afeta o RS: Eventos extremos como ondas de calor, secas e chuvas intensas afetam a produção agrícola e a geração de energia no Rio Grande do Sul.
Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 3 min de leitura

O mundo caminha para um aquecimento de até 2,8 °C neste século se as políticas atuais seguirem como estão. O alerta consta do Emissions Gap Report 2026, divulgado nesta quarta-feira (21) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O relatório afirma que a temperatura global vai ultrapassar o limite de 1,5 °C em relação à era pré-industrial.
Para o Rio Grande do Sul, o aquecimento se soma a uma sequência de eventos extremos. As enchentes de maio de 2024 atingiram mais de 206 mil propriedades rurais em 456 municípios, segundo a extensionista Thaís Michel, da Emater/RS-Ascar. Com o El Niño confirmado em junho, a MetSul avalia que o risco de enchente em 2026 é alto, sobretudo no fim do inverno e ao longo da primavera.
Por que aparecem 2,6 °C e 2,8 °C
Os dois números vêm do relatório e medem cenários diferentes. Se as políticas atuais continuarem, o aquecimento pode chegar a 2,8 °C neste século e seguir subindo depois. Se todos os países cumprirem seus planos climáticos (as NDCs) e mantiverem esforço semelhante, o aquecimento fica em 2,6 °C.
No melhor cenário, com todas as NDCs e as metas de emissão líquida zero cumpridas, o aquecimento ficaria em 2,1 °C.
Na edição de 2025, os planos nacionais apontavam 2,3 a 2,5 °C e as políticas em vigor, 2,8 °C. O Pnuma diz que os resultados deste ano são piores por causa da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e de revisões nas estimativas de emissões históricas. Os planos novos entregues no último ano pouco mudaram o quadro.
O corte de 45% até 2035
O relatório muda o foco: já não se trata de evitar os 1,5 °C, mas de voltar a eles. O cenário de menor ultrapassagem limita o pico de aquecimento, por volta de meados do século, a 1,7–1,8 °C e traz a temperatura de volta a 1,5 °C ou menos até 2100, com cerca de 50% de chance.
Para isso, as emissões globais de gases de efeito estufa teriam de cair 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, sempre em relação a 2025. A base é 2025, e não 2019. Os planos nacionais, se cumpridos por inteiro, entregam só 5% a 8% até 2030 e 11% a 15% até 2035.
Segundo o relatório, cada cinco anos de atraso nos cortes trava cerca de mais 0,1 °C de aquecimento.
O que isso significa no campo gaúcho
Nos últimos três anos, o campo gaúcho enfrentou enchente, estiagem e novo evento extremo. Segundo a Emater/RS-Ascar, a estiagem de 2024/2025 afetou mais de 205 mil propriedades em 310 municípios, e a de julho deste ano atingiu cerca de 30 mil propriedades em 101 municípios.
O quadro de 2026 também pede cautela. Especialistas do Cemaden afirmam que ainda não é possível dizer que o RS enfrentará um desastre como o de 2024. A MetSul lembra que todo ano de El Niño tem enchente em algum ponto do Estado.
A meta de 1,5 °C será discutida na COP31, a conferência do clima da ONU, de 9 a 20 de novembro, na Turquia.
Perguntas frequentes
Qual é o aquecimento global previsto para 2100 segundo o Pnuma?
Se as políticas atuais seguirem, o aquecimento pode chegar a 2,8 °C neste século.
Quanto as emissões precisam cair até 2035 para voltar a 1,5 °C?
Pelo relatório, as emissões globais precisariam cair 45% até 2035, em relação a 2025.
Quando será a COP31 do clima?
Será de 9 a 20 de novembro, na Turquia.
Saber mais
- Pnuma – Comunicado: New UNEP report lays out emission cuts needed for return to 1.5°C
- ONU News – Global warming will breach 1.5°C
- PBL – UNEP Emissions Gap report 2026
- UNRIC – UNEP Emissions Gap Report 2026
- Knowledge4Policy (Comissão Europeia) – Emissions Gap Report 2025
- Santa Portal – Overshoot é inevitável
- Trending Topics – Emissions Gap Report 2026
- Extra Classe – Clima extremo ameaça produção e permanência da agricultura familiar
- Brasil de Fato – El Niño confirmado: o que o RS pode esperar
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