ONU e OMM pedem ação antecipada contra El Niño com Pacífico até 3,8 °C mais quente
A ONU mobilizou US$ 50 milhões para 11 países, e o painel federal prevê chuva acima da média no Sul de outubro a dezembro.
Por que afeta o RS: El Niño costuma elevar as chuvas no Sul do Brasil, com impacto potencial em lavouras e enchentes no estado.
Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 3 min de leitura

A Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) pediram, nesta quarta (21), em Genebra, ação "antecipada e coordenada" para proteger as populações mais expostas ao El Niño. A OMM prevê que a temperatura da superfície do Pacífico fique 3,8 °C acima da média entre novembro e janeiro, com pico por volta de dezembro.
No Rio Grande do Sul, o efeito é chuva. O Painel El Niño, boletim federal feito por Inmet, Inpe, Cemaden e outros órgãos, indica chuvas acima da média no Sul entre outubro e dezembro. O boletim nº 4 lembra as inundações de setembro no Vale do Taquari e ao longo do rio Caí. Segundo o Inpe, o risco de cheias continua no Sul, mas deve diminuir até dezembro.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, e o chefe de operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher, falaram juntos à imprensa. Saulo disse: "Não podemos impedir o El Niño, mas podemos sim prevenir muitas de suas consequências humanas mais graves."
Valor de 3,8 °C supera qualquer episódio já medido é natural e volta a cada dois a sete anos. A OMM diz que o episódio atual pode ter intensidade sem precedentes. Saulo afirmou que nunca se registrou um valor de 3,8 °C. Nos El Niños mais fortes do passado, os números chegaram perto de 3 °C, com efeitos fortes no mundo todo.
A OMM divulgou em 8 de outubro a atualização mensal de seu clima sazonal global. Ela projeta anomalia média de +3,7 °C no índice Niño 3.4 entre outubro e dezembro, com pico por volta de dezembro. O índice mede o aquecimento do Pacífico central e leste. A previsão vem de modelos de vários centros reunidos em um conjunto, e a dispersão entre os sistemas segue estreita, o que indica alta confiança.
A OMM também faz uma ressalva. A intensidade do El Niño, sozinha, não define a gravidade dos impactos em cada país ou região.
US$ 50 milhões para 11 países na linha de frente Fletcher disse que o El Niño vai atingir "em cheio" a América Latina, a África oriental e austral, a Ásia e o Pacífico, com calor extremo, secas e inundações. Ele anunciou mais de US$ 50 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências da ONU. O dinheiro vai para 11 países, entre eles Chade, El Salvador, Etiópia, Somália e Sudão do Sul.
O chefe humanitário pediu a governos, bancos de desenvolvimento e instituições financeiras que liberem recursos antes dos danos, e não depois. Somália, Etiópia e Quênia precisam de suprimentos antes das chuvas fortes. O sul da África precisa de sementes e gado antes do fim do plantio. A América Central precisa de ajuda imediata, e Ásia e Pacífico devem se preparar para secas, inundações e ciclones.
Brasil: Sul mais chuvoso, centro-norte mais seco O painel federal dá 95% de probabilidade de El Niño muito forte entre outubro e dezembro e persistência pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. Para o centro-norte, o boletim de setembro alerta para intensificação da seca e aumento do risco de fogo.
O documento federal lista, entre os riscos para a economia, propagação de doenças, dificuldade na colheita, perda de qualidade dos grãos e atraso na semeadura das culturas de verão. Os órgãos pedem acompanhamento contínuo das condições meteorológicas e hidrológicas.
Aquecimento global soma força ao fenômeno O El Niño é um ciclo natural, mas se soma ao aquecimento causado por atividades humanas e potencializa eventos extremos. As instituições do painel brasileiro dizem que seguirão com atualizações periódicas das previsões.
A previsão do tempo está no portal do Inmet. Em caso de risco, a Defesa Civil atende pelo telefone 199.
Saber mais
- OMM (WMO) – Sea-surface temperatures reflect strengthening El Niño (8/10/2026)
- OMM (WMO) – Global Seasonal Climate Update OND 2026
- OMM (WMO) – El Niño set to become very strong
- Inpe – Painel El Niño 2026-2027, quarto boletim
- Inmet – Painel El Niño: Boletim de setembro
- Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional – Painel El Niño 2026-2027, 3ª edição
Leia também
Emissões líquidas do Brasil caem 9% em 2025 e chegam ao menor nível desde 2012

Supertufão Champi, de categoria 5, avança sobre Taiwan e China; pico é na sexta (23)

OMM alerta El Niño entre os mais fortes desde 1950; RS tem risco de chuva acima da média

Chuva volta ao RS nesta quarta (21), segue no domingo do 2º turno e frio chega na terça

Mais lidas
1Real Time Big Data dá Flávio 52% a 48% sobre Lula; Alfa tem 51,5% a 48,5% no mesmo dia2Debate de domingo mexe pouco com dólar e Ibovespa; pesquisas dominam o pregão3Dólar fecha em queda de 0,58%, a R$ 5,0189; Ibovespa sobe 1,57%, aos 208.295 pontos4Demanda recorde em leilão japonês faz iene subir; dólar encerrou segunda a R$ 5,045Advogado Sebastian Watenberg é sondado para diretoria do Banrisul no governo Zucco