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ONU alerta para El Niño de intensidade inédita com pico perto de dezembro

Fundo de emergência da ONU libera mais de US$ 50 milhões para 11 países, e o RS projeta 21,15 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27.

Por que afeta o RS: A mensagem indica que o El Niño pode alterar padrões de chuva e temperatura na América do Sul, com consequências para a agricultura gaúcha.

Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 2 min de leitura

Céu carregado sobre lavoura no Sul, região que pode enfrentar excesso de chuva em ano de El Niño.
Foto: Divulgação/Agroclima

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o escritório humanitário da ONU alertaram, nesta quarta (21), que o El Niño em curso pode atingir uma intensidade sem precedentes. A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, disse em Genebra que os níveis podem ficar fora das escalas de monitoramento usadas nas últimas quatro décadas. O pico está previsto para o fim de 2026.

Quadro: ONU alerta para El Niño de intensidade inédita com pico perto de dezembro
Entenda em um quadro · Bairrista

Para o Rio Grande do Sul, a chuva é o ponto de atenção: em ano de El Niño, o Sul costuma receber mais água, e o produtor precisa de trégua para colocar a máquina na lavoura.

O que a ONU disse

O chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, afirmou que o fenômeno será uma "bola de demolição" de calor extremo, secas e inundações. Segundo ele, o El Niño deve provocar "enormes consequências humanitárias". Fletcher citou a América Latina, a África oriental e austral, a Ásia e o Pacífico, e disse que a insegurança alimentar pode atingir 50 milhões de pessoas.

Ele também previu choques na economia mundial e mais conflitos, deslocamentos e migrações.

US$ 50 milhões para 11 países

O escritório humanitário da ONU (Ocha) anunciou a liberação de mais de US$ 50 milhões do fundo central de resposta a emergências, para 11 países que podem ser especialmente afetados. Entre eles estão Chade, El Salvador, Etiópia, Somália e Sudão do Sul.

Fletcher pediu que governos, bancos de desenvolvimento e instituições financeiras garantam recursos antes de os danos acontecerem. Ele apontou urgência para Somália, Etiópia e Quênia antes das chuvas, e para o sul da África, que precisa de sementes e gado antes do plantio.

Sul já conhece o ritmo da chuva

Em ano de El Niño, o Sul costuma receber mais água. Levantamento do portal Climatempo Agro mostra que o RS ganhou produtividade em cinco das seis safras de El Niño desde 1982/83 e ficou estável na outra. O mesmo texto ressalta que parte desse ganho se perde quando a operação no campo não acompanha. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul precisam de trégua da chuva para colocar a máquina na lavoura.

O estado ainda guarda a memória das enchentes de setembro de 2023 e de maio de 2024, que aconteceram durante o El Niño anterior.

Fletcher disse que a janela para agir não ficará aberta para sempre. O pico do fenômeno é esperado perto de dezembro.

Perguntas frequentes

Quando o El Niño deve atingir o pico?

Segundo a ONU e a OMM, o pico está previsto para o fim de 2026, perto de dezembro.

O que muda no Rio Grande do Sul com o El Niño?

Em ano de El Niño, o Sul costuma receber mais chuva, e o produtor precisa de trégua para operar nas lavouras.

Quantos países receberão recursos da ONU?

O Ocha liberou mais de US$ 50 milhões do fundo de emergência para 11 países, entre eles Chade, El Salvador, Etiópia, Somália e Sudão do Sul.

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