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ClimaBrasilAfeta o RS

Governo manda 522 brigadistas e 13 aeronaves ao Pará; Altamira decreta emergência

Inpe registrou 2.991 focos de calor no estado entre 14 e 20 de outubro, 610 a mais que na semana anterior, e a Resex Riozinho do Anfrísio já soma 7.166 hectares atingidos.

Por que afeta o RS: Fumaça e estiagem amazônicas podem afetar a qualidade do ar e o clima no Sul, e a exportação agropecuária gaúcha depende do escoamento e da imagem ambiental do país.

Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 3 min de leitura

Incêndio florestal na Amazônia paraense, com fumaça avançando sobre a mata. Governo federal anunciou reforço de brigadistas e aeronaves para o combate.
Foto: Divulgação/Agência Brasil

O governo federal anunciou nesta quinta (22) o reforço do combate aos incêndios no oeste do Pará. A operação reúne 522 brigadistas e fiscais do Ibama e do ICMBio, 41 veículos e 13 aeronaves, com apoio da Força Nacional de Segurança. O estado tem 321 eventos de fogo ativos em 76 municípios, e Altamira decretou situação de emergência.

A crise amazônica chega ao Rio Grande do Sul pela Defesa Civil. A Medida Provisória 1.398/2026, enviada ao Congresso na quarta (21), abre crédito extraordinário de R$ 300 milhões para ações da Defesa Civil em diferentes regiões. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, que mobiliza equipe para o Pará, também apoia emergências em vários estados, entre eles o RS.

Onde o fogo se concentra

A operação está centrada na região do Chapadão, entre Santarém e Uruará. No oeste paraense, o contingente é de 287 brigadistas, 12 aeronaves e 33 veículos.

O Inpe contou 2.991 focos de calor no Pará entre 14 e 20 de outubro. Focos de calor são detecções por satélite e não equivalem, sozinhos, a incêndios confirmados. Uruará aparece nos balanços oficiais com 1.179 focos e 1.816 hectares queimados, e São Félix do Xingu, com 534.

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou em coletiva que ainda não se pode dizer que há incêndios provocados diretamente, mas as investigações seguem em andamento. Práticas irregulares de manejo e uso intencional do fogo foram identificadas em assentamentos da reforma agrária e reservas legais. A Força Nacional foi acionada para apoiar os brigadistas.

Altamira decreta emergência por 180 dias

A Prefeitura de Altamira decretou situação de emergência por 180 dias, por meio do Decreto Municipal nº 2.047, de 19 de outubro de 2026. A medida cobre áreas urbanas, rurais e ribeirinhas. O texto permite à gestão municipal dispensar licitação para comprar materiais e contratar serviços do enfrentamento ao fogo. Entre as ações previstas estão a distribuição de água potável às famílias e medidas de proteção à saúde.

O prefeito Loredan Mello afirmou que a medida busca ampliar a atuação conjunta dos órgãos públicos e garantir apoio às comunidades. Entre 1º e 20 de outubro, Altamira registrou 618 focos, o segundo maior número do país, atrás de São Félix do Xingu, com 751. Ao todo, 16 municípios paraenses já decretaram emergência por estiagem e incêndios.

Resex Riozinho do Anfrísio tem 7 mil hectares atingidos

Em Altamira, a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio é uma das áreas mais atingidas. O ICMBio estimou de início cerca de 4 mil hectares atingidos. No balanço divulgado nesta quinta, o instituto já contabiliza 7.166,68 hectares. O fogo atingiu áreas de cacau, vegetação nativa e trechos próximos a moradias.

O ICMBio mantém 33 brigadistas na reserva, com comando de incidentes na Coordenação Territorial de Itaituba. Helicópteros levam equipes, equipamentos e kits de ajuda humanitária às famílias. O trabalho das equipes reduziu a incidência das chamas, mas o fogo ainda não foi totalmente controlado.

Fumaça e estiagem afetam o ar e a água

Em Santarém, a fumaça levou a qualidade do ar ao nível moderado em 20 de outubro. A Defesa Civil de Santarém mapeou 171 comunidades que precisam de ajuda emergencial, e o baixo nível dos rios dificulta a entrega de água e mantimentos.

O Ministério da Integração informou que uma equipe técnica chega a Belém no domingo (25). Ela vai apoiar os pedidos de reconhecimento federal de emergência e liberar recursos de assistência humanitária. Até quinta, 16 municípios paraenses já tinham reconhecimento federal ligado a estiagem, seca ou incêndios, e outros sete pedidos estavam em análise.

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