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ONG israelense registra 672 casos de violência de colonos na Cisjordânia em 26 dias

Levantamento da Yesh Din vai de 27 de setembro a 22 de outubro e mostra casos em 194 comunidades palestinas, em plena colheita de azeitonas.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Soldados israelenses em um olival na Cisjordânia, onde a colheita de azeitonas ocorre em meio a episódios de violência.
Foto: ISM Palestine / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A ONG israelense de direitos humanos Yesh Din registrou 672 incidentes de violência de colonos contra palestinos na Cisjordânia. Os casos ocorreram desde 27 de setembro, somam média de mais de 25 por dia e atingiram 194 comunidades palestinas. A organização divulgou os dados na sexta (23).

O período coincide com a colheita de azeitonas, época que nos últimos anos virou sinônimo de aumento da violência contra palestinos, praticada por soldados e colonos. Segundo a Yesh Din, quase metade dos casos tem ligação com a colheita. A organização afirma que os colonos contam com o apoio de autoridades do governo israelense.

Exército estava no local em mais de 23% dos casos

Foram 135 casos de violência física, 106 de bloqueio ao acesso dos palestinos às oliveiras, 176 de furto e dano a propriedades e 49 de vandalismo contra árvores. Em mais de 23% dos incidentes, o Exército israelense estava no local ou envolvido, segundo a Yesh Din.

Os dados vêm da documentação de pesquisadores de campo da ONG, de informações verificadas no local e do cruzamento de relatos públicos. O levantamento cobre o período de 27 de setembro a 22 de outubro de 2026. A diretora-executiva da Yesh Din, Ziv Stahl, disse que a violência na colheita se repete a cada ano, mas que a escala de 2026, entre colonos e soldados, é excepcional.

ONU conta pelo menos 160 ataques na colheita

O Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) contabilizou pelo menos 160 ataques de colonos ligados à colheita nas duas primeiras semanas de outubro. Muitos ocorreram sob proteção ou com participação de forças israelenses. Na sexta (16), colonos agrediram um fotojornalista do Washington Post que cobria a colheita e, no dia seguinte, atacaram diplomatas europeus.

O Exército de Israel registrou 867 incidentes de crime nacionalista e violência de colonos em 2025 e 682 em 2024. O chefe do Estado-Maior, general Eyal Zamir, afirmou na semana passada que as tropas vão continuar atuando para garantir a colheita. Ativistas e palestinos, porém, relatam que militares detêm ativistas ou os impedem de chegar aos olivais.

A colheita começou oficialmente em 15 de outubro e vai até o fim de novembro.

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