Polícia desmonta acampadas por moradia em Lisboa e no Porto e detém 31 pessoas
A PSP fala em 11 feridos e 171 estruturas retiradas; a organização da Acampada do Porto contabiliza 37 feridos.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

A Polícia de Segurança Pública (PSP) de Portugal desmontou, na madrugada deste domingo (25), as acampadas pelo direito à habitação no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto. A corporação fez um balanço de 11 feridos e 31 detidos por desobediência.
O caso mostra como uma disputa por moradia, tema que também atinge cidades brasileiras, virou confronto com a polícia em duas das principais cidades portuguesas. Os manifestantes pedem a reversão da nova lei do arrendamento e o fim dos despejos sem alternativa de moradia.
Números da polícia e dos organizadores divergem
A PSP informou ter conhecimento de 11 feridos, cinco em Lisboa e seis no Porto. Três são policiais e oito, manifestantes. Um dos agentes foi mordido por um cão de um manifestante em Lisboa, segundo a corporação.
A organização da Acampada do Porto falou em 37 feridos, sete deles em estado grave. Em Lisboa, os organizadores afirmaram que mais de 20 manifestantes foram ao Hospital de São José e que outros receberam atendimento da equipe de cuidados da acampada.
As Polícias Municipais removeram e apreenderam 171 tendas e estruturas: 117 no Rossio e 54 na Praça D. João I. No Porto, a PSP também apreendeu um petardo com um dos detidos, três latas de tinta atiradas contra os policiais e uma embalagem de gás de pimenta.
Polícia cita prazo vencido e danos a patrimônio
As ordens de dispersão começaram por volta das 0h30, horário em que as concentrações deveriam ter terminado. A Unidade Especial de Polícia agiu somente perto das 2h, depois de mais de duas horas de tensão e da recusa dos manifestantes em retirar as tendas.
Segundo a PSP, a ação ocorreu após manifestações prolongadas, danos ao patrimônio público e a necessidade de remover estruturas instaladas sem autorização legal. A polícia reconheceu que as acampadas foram comunicadas às autoridades, mas afirmou que isso não dispensa o cumprimento dos limites de tempo e das condições de uso do espaço público.
Os protestos por moradia começaram em 10 de outubro, no Porto. Os acampamentos se inspiram nos protestos por habitação na Espanha, como o da Puerta del Sol, em Madri.
Detidos serão ouvidos na segunda
Os seis detidos no Porto foram libertados por volta das 6h. O advogado dos manifestantes, Tiago Machado, disse que são quatro homens e duas mulheres e que todos serão apresentados ao tribunal na segunda-feira. A PSP informou que os 31 detidos serão ouvidos pela autoridade judiciária competente na segunda (26).
A Acampada de Lisboa convocou, para as 17h deste domingo, na Praça D. Pedro IV, o protesto "Mais casas, menos bastão!". Os 25 detidos em Lisboa também deverão ser ouvidos na segunda (26).
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