TSE confirma Lula reeleito com mais de 64 milhões; Flávio diz que vai pedir anulação
Derrotado, o senador chamou de "inaceitável" a prorrogação até as 19h decidida por Zanin; presidente do TSE afirmou ter ligado aos dois candidatos e que a medida não alterou o resultado.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 4 min de leitura
Atualizada 25/10, 23:02 · Flávio Bolsonaro disse que é "impossível" reconhecer o resultado e que vai pedir a anulação da eleição, e o pedido de prorrogação da campanha dele incluiu municípios de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, confirmou em pronunciamento na sede da Corte, em Brasília, a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Ele afirmou ter telefonado ao presidente reeleito e ao candidato derrotado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para confirmar o resultado. A fala ocorreu neste domingo (25), depois da finalização da apuração das urnas.
Para o eleitor gaúcho, o recado é que a Justiça Eleitoral confirmou o resultado e o segundo turno terminou com Lula reeleito. A prorrogação do horário valeu para o país todo, o que inclui o Rio Grande do Sul, mas só para as seções que ainda não tinham fechado as urnas. Segundo Nunes Marques, a medida não alterou o resultado.
Flávio, porém, disse que não reconhece a derrota. "As eleições deveriam ter sido anuladas. É impossível reconhecer o resultado", afirmou, e anunciou que vai pedir a anulação do pleito.
"Registro que liguei para os dois candidatos para confirmar o resultado do pleito", afirmou Nunes Marques. Ele parabenizou Flávio pela votação expressiva em sua primeira disputa presidencial e reconheceu a participação e a vitória de Lula.
Segundo o presidente do TSE, com 99,9% dos votos válidos apurados, Lula passou de 64 milhões de votos. Ele será o 40º presidente da República.
Flávio critica decisão de Zanin e fala em quebra de isonomia
O senador atacou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar a votação em duas horas. "O que aconteceu no dia de hoje não foi algo normal. Foi algo inaceitável. Pela primeira vez na história um ministro do STF dá uma canetada e muda a regra do jogo", disse.
Flávio também falou em desigualdade entre os estados. "Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diferentes estados. Eu nunca vou saber em estados que as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter", afirmou.
A campanha dele havia pedido ao TSE, na tarde de domingo, a extensão do horário de votação, e o pedido incluiu municípios de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul, do Paraná, de São Paulo e de Santa Catarina.
Presidente do TSE diz que prorrogar eleição exige planejamento
Nunes Marques afirmou que estender uma votação é possível, "mas ela tem que ser pensada, ela tem que ser calculada e estruturada".
Ele também explicou que o TSE bloqueou o recebimento de boletins de urna para que nenhum servidor da Justiça Eleitoral nem membro do tribunal tivesse acesso ao conteúdo. Segundo o ministro, isso gerou uma contenção extraordinária de dados. "Não sabíamos ao certo se teríamos armazenamento, a capacidade de armazenar todos esses dados. Tudo foi visitado", disse.
O ministro elogiou a equipe técnica, que detectou eventuais problemas, e afirmou: "Temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral".
Nunes Marques disse ainda que a prorrogação não causou problemas na totalização dos votos. "Mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos. Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial", afirmou.
Pedidos de PT e PL pressionaram o TSE durante a tarde
A campanha de Flávio pediu ao TSE a prorrogação da votação até as 19h em 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Alegou chuvas, alagamentos e interdições de vias. A coligação de Lula pediu primeiro a ampliação em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia, e depois estendeu o pedido a outros nove estados.
O pedido do PT também foi dirigido a Nunes Marques, que não respondeu de imediato. Por volta de 16h05, ele mandou as prefeituras prestarem esclarecimentos em até meia hora. Às 16h22, a campanha petista apresentou uma reclamação ao STF, pedindo prorrogação em todo o território nacional.
Zanin decidiu por duas horas a mais em todo o país
Zanin afirmou ter tomado conhecimento dos fatos às 16h32, considerou a situação urgente e determinou duas horas a mais de votação, cabendo ao TSE cumprir a decisão. A medida atendeu a uma reclamação da coligação Brasil Pronto Pra Mais contra as prefeituras de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas.
Em nota posterior, Zanin disse que as duas candidaturas alegaram problemas no transporte de eleitores. Segundo ele, a decisão valia só para os locais onde as urnas não tinham fechado, e os votos das urnas já fechadas seriam computados e totalizados. Nunes Marques orientou que as seções ainda abertas funcionassem até as 19h, em estrito cumprimento da determinação judicial.
A totalização, que chegou a ser iniciada, foi paralisada pelo TSE por volta de 17h20. Às 21h05, com 91,94% das urnas apuradas, Lula tinha 58.717.861 votos, contra 55.458.362 de Flávio.
Atualização: Flávio Bolsonaro afirmou que é "impossível" reconhecer o resultado, disse que vai pedir a anulação da eleição e criticou a decisão de Zanin. Também entrou no texto que o pedido de prorrogação da campanha dele incluiu municípios de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul.
Saber mais
- Metrópoles – Nunes Marques ligou para Lula e Flávio
- Poder360 – Ao vivo: Nunes Marques fala sobre resultado do 2º turno
- Poder360 – Zanin prorroga votação do 2º turno até 19h
- Poder360 – Íntegra da decisão de Zanin
- CNN Brasil – Zanin prorroga eleição até 19h
- Conjur – Crise dos ônibus faz Zanin prorrogar eleições
- Exame – STF estende horário de votação do 2º turno
- Terra – STF atende pedido do PT e prorroga eleição
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