Netanyahu tem 53 cadeiras, sem maioria; comissão pede ao Shin Bet apurar interferência
Oposição soma 48 e partidos árabes, 19; a nova Knesset toma posse em 10 de novembro, e o resultado final ainda não define quem governa.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura
Atualizada 29/10, 11:36 · As projeções da AP passaram para 53 cadeiras de Netanyahu, 48 da oposição e 19 dos partidos árabes; a comissão eleitoral pediu ao Shin Bet que investigue alegações de interferência estrangeira, e a posse da nova Knesset está prevista para 10 de novembro.

O bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu lidera a contagem da eleição israelense de terça-feira (27), mas não alcança a maioria no Parlamento. Projeções citadas pela agência AP nesta quinta (29) dão 53 cadeiras ao bloco de Netanyahu, 48 à oposição e 19 aos partidos árabes. Na quarta (28), com 84,5% das urnas apuradas, os dados parciais da Comissão Eleitoral Central indicavam 54, 49 e 17.
O resultado ainda não diz quem vai governar Israel. A Knesset tem 120 cadeiras, e a maioria exige 61. O bloco de Netanyahu, de direita e religioso, ficou oito cadeiras aquém do necessário. A decisão passa agora por negociação de coalizão, com efeito sobre a guerra em Gaza e a relação de Israel com os Estados Unidos. A CNBC informou que títulos e o xequel israelenses recuaram com o impasse.

Comissão eleitoral aciona o Shin Bet
O chefe da comissão eleitoral pediu ao Shin Bet, o serviço de segurança interna de Israel, que investigue alegações de interferência estrangeira na eleição. Não há detalhes públicos sobre o que seria apurado nem sobre quem estaria por trás das alegações.
Partidos árabes fazem o fiel da balança
As listas de maioria árabe, entre elas Lista Conjunta e Ra'am, aparecem com 19 cadeiras nas projeções mais recentes, um recorde. Na atualização anterior da Comissão Eleitoral, eram 17. Em contagens ainda mais antigas, a projeção era de 13 assentos para a Lista Conjunta e seis para a Ra'am.
A aritmética favorece a oposição, mas depende dos árabes. Somados, os 48 assentos da oposição e os 19 dos partidos árabes chegam a 67, contra 53 de Netanyahu. Nenhum acordo foi anunciado.
O caminho tem obstáculos. Gadi Eisenkot, do partido Yashar, que lidera o bloco de oposição, estabeleceu condições para qualquer parceiro de governo, como reconhecer Israel como Estado judeu e Hamas como organização terrorista a ser desmantelada. É improvável que a maioria dos parlamentares árabes aceite esses termos. Já o presidente da Lista Conjunta afirmou que seu grupo está pronto para abrir caminho para derrubar o governo de Netanyahu. A CNN registra que o apoio árabe poderia vir de fora do gabinete, sem ministérios.
O que cada lado disse
Eisenkot declarou vitória. Segundo a AFP, ele afirmou que uma segunda eleição seria um erro e prometeu agir "rapidamente" para montar uma coalizão.
Netanyahu, segundo relatos da imprensa internacional, prometeu formar um novo governo e rejeita depender de votos árabes.
Próximos passos
A apuração final deve levar vários dias. A posse da nova Knesset está prevista para 10 de novembro. Com o resultado oficial, o presidente de Israel consulta os partidos e entrega a um deputado o primeiro mandato para formar governo.
Atualização: em 29 de outubro, as projeções citadas pela AP passaram a 53 cadeiras para Netanyahu, 48 para a oposição e 19 para os partidos árabes, e a distância para a maioria subiu de sete para oito cadeiras. A comissão eleitoral pediu ao Shin Bet que investigue alegações de interferência estrangeira, e a posse da nova Knesset está prevista para 10 de novembro.
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