Navio porta-contêineres afunda em Ormuz; houthis lançam 5 mísseis contra palácio em Áden
Guarda Revolucionária do Irã diz que o GFS Pride bateu numa mina, mas Singapura fala em projétil; ataque ao palácio iemenita matou dois guardas.
Por que afeta o RS: Restrição à navegação em Ormuz pode pressionar preços internacionais de petróleo e dos combustíveis pagos pelos consumidores gaúchos.
Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 23:52 · 2 min de leitura

O porta-contêineres GFS Pride, de bandeira de Singapura, afundou no Estreito de Ormuz nesta quarta (14). O navio foi atingido na terça (13) por um projétil não identificado e pegou fogo. Os 21 tripulantes foram retirados em segurança, sem feridos, segundo a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura (MPA). Na quinta (15), os houthis dispararam cinco mísseis contra o complexo do palácio presidencial de Al-Maashiq, em Áden, no Iêmen.
O que acontece em Ormuz chega ao Rio Grande do Sul pelo petróleo. Antes da guerra, cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e de gás natural liquefeito passava pelo estreito. Novos ataques podem pressionar o preço internacional do petróleo, do frete e dos seguros, com reflexo possível nos combustíveis pagos por motoristas e empresas gaúchas.
Irã fala em mina; consultoria não vê evidência
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o navio levava mais de 2.500 contêineres. Segundo a Guarda, ele tentou usar uma rota que chamou de não autorizada e afundou depois de atingir uma mina naval. A consultoria de segurança marítima Marisks disse não haver evidência independente de que uma mina tenha causado o naufrágio.
A MPA se disse profundamente preocupada com os ataques à navegação comercial. Outro porta-contêineres de Singapura, o GFS Giselle, teve o casco danificado por um projétil e chegou a um fundeadouro seguro, sem tripulantes feridos.
Outra embarcação também foi dada como perdida. O graneleiro Cape Dao, de bandeira de Antígua e Barbuda, foi atingido em 23 de setembro e foi reportado em naufrágio depois de uma tentativa de resgate fracassada. Um tripulante morreu no ataque, e os demais foram retirados.
O tráfego já estava reduzido. Mais de 20 embarcações sofreram ataques neste mês, a maioria petroleiros, segundo relatos do UKMTO. As exportações de petróleo bruto por Ormuz ficaram em média em 8,5 milhões de barris por dia na semana encerrada em 12 de outubro, segundo a Kpler. O volume é quase 40% menor que o de antes da guerra.
Mísseis em Áden matam dois guardas; premiê está ileso
O ministro da Informação do Iêmen, Moammar al-Eryani, disse que o palácio foi alvo de cinco mísseis. Ele afirmou que o primeiro-ministro e os integrantes do governo estavam em segurança, mas que dois seguranças morreram. O Conselho de Ministros informou que o ataque envolveu mísseis e drones e deixou mortos e feridos entre os agentes de segurança. Fontes militares do governo ouvidas pela agência AFP falaram em pelo menos quatro mortos e 10 feridos.
O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, disse que o grupo bombardeou um quartel-general de operações militares sauditas em Áden. Segundo ele, a ação segue a política declarada de atingir "reforços sauditas" onde estiverem. Foi o primeiro ataque ao palácio de Al-Maashiq desde que houthis e forças do governo retomaram os combates, no mês passado, depois de quatro anos de calmaria.
No Golfo, um alto funcionário iraniano avisou que os navios não estariam seguros em lugar nenhum, nem fora do Estreito de Ormuz.
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