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Museu Julio de Castilhos recebe 3 mil manuscritos de general da Guerra do Paraguai

Maior doação documental da história do museu, em Porto Alegre, passa por higienização e digitalização por ao menos quatro meses antes de ir ao tainacan.org.

Redação Bairrista · Repórter de Cultura · · 2 min de leitura

Fachada do Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre.
Foto: Ricardo André Frantz (User:Tetraktys) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O Museu de História Julio de Castilhos (MHJC), no Centro Histórico de Porto Alegre, recebeu em doação o acervo do general Hipólito Pinto Ribeiro, militar de atuação marcante na Guerra do Paraguai (1864-1870). São cerca de 3 mil manuscritos, a maior doação documental já registrada pela instituição. A coleção estava sob os cuidados de Julia Ribeiro, tataraneta do general, que mora no Rio de Janeiro.

Quadro: Museu Julio de Castilhos recebe 3 mil manuscritos de general da Guerra do Paraguai
Em números · Bairrista

O material deve ficar acessível pela internet. Depois da higienização e da digitalização, os arquivos serão disponibilizados na plataforma Tainacan, aberta a pesquisadores e ao público em geral.

Traças, umidade e fungos

O trabalho de preparação exigirá ao menos quatro meses da equipe do museu. Os documentos têm sinais de contaminação por traças, umidade e fungos, e a conservação preventiva vem antes de qualquer consulta.

"Receber este acervo é uma enorme responsabilidade. Nossa equipe acompanhou todo o translado para garantir a segurança dessas páginas da nossa história", disse a museóloga Doris Couto, diretora do MHJC. "Agora, com todo o cuidado de conservação preventiva diante da contaminação por traças, umidade e fungos, vamos higienizar, digitalizar e organizar este material para que ele possa cumprir seu papel social e científico."

Entre os itens já avaliados está uma carta do general à esposa, em que ele relata o drama dos combates intensos durante a guerra. Segundo o museu, a correspondência evidencia a presença de uma figura feminina em conflitos na América do Sul, onde a participação das mulheres foi historicamente invisibilizada.

Quem foi o general

Hipólito Pinto Ribeiro nasceu em 1824, em Canguçu, na Região Sul do estado, numa família com histórico militar. Entrou como combatente na Guerra dos Farrapos (1835-1845) e, com o fim do conflito, alistou-se voluntariamente no Exército, onde fez longa carreira.

Participou da guerra contra Oribe e Rosas (1851-1852) e, depois, da Guerra do Paraguai, em que se destacou em combates importantes. Chegou a brigadeiro honorário durante o conflito, que colocou Brasil, Argentina e Uruguai (a Tríplice Aliança) contra o país governado por Solano López.

Na Revolução Federalista (1893-1895), organizou em Uruguaiana uma divisão formada por tropas do Exército, da Guarda Nacional e civis, e recebeu a patente de general de Divisão. Morreu em 1904, em Canguçu. A viúva transferiu depois os restos mortais para São Gabriel, onde estão em um mausoléu.

Espada doada em 1962 já estava no museu

O MHJC já guardava outra peça ligada ao general: uma espada sem bainha, com o corpo estampado em metal dourado e ouro. Estão inscritas nela as realizações e honrarias do militar até o fim da Revolução Federalista. O artefato foi doado em 1962 pelo coronel Hipólito Ribeiro Júnior, filho do general e bisavô de Julia Ribeiro. Concluída a higienização e a digitalização, os manuscritos serão publicados em tainacan.org para consulta online.

Perguntas frequentes

Quando os manuscritos do general Hipólito Pinto Ribeiro estarão disponíveis online?

Depois da higienização e da digitalização, que devem levar ao menos quatro meses, os arquivos serão publicados na plataforma Tainacan.

Onde fica o Museu de História Julio de Castilhos?

No Centro Histórico de Porto Alegre.

Quem foi Hipólito Pinto Ribeiro?

Militar gaúcho nascido em Canguçu em 1824, que atuou na Guerra dos Farrapos, na Guerra do Paraguai e na Revolução Federalista, e morreu em 1904.

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