Moraes bloqueia até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz e cancela passaportes do advogado
Decisão desta sexta (23) atinge a Alcazar e outras empresas e saiu em inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro ligada a Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Planalto.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (23) o bloqueio de bens e valores do advogado Willer Tomaz, até o limite de R$ 6 bilhões. Ele também ordenou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial de Tomaz e de empresas ligadas a ele. A decisão cancela os passaportes do advogado, inclusive o diplomático, e suspende as atividades econômicas das companhias.
A ordem vale no inquérito que apura suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. A decisão sai dois dias antes do segundo turno, marcado para este domingo (25), em que eleitores de todo o país, inclusive os gaúchos, escolhem o próximo presidente.
A investigação tem origem no Rio Grande do Sul. O caso nasceu de uma apuração da Polícia Federal (PF) no RS sobre evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio de sites de apostas. O processo subiu ao Supremo porque cita Flávio, que tem foro privilegiado.
Os e-mails e a conta da Alcazar
Segundo a PF, e-mails encontrados nos arquivos em nuvem de Tomaz mostram Flávio cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa de Tomaz. Para os investigadores, o cadastro daria ao senador acesso operacional relevante à conta e sustenta a hipótese de participação econômica ou societária de fato na empresa.
Em 22 de maio de 2025, uma secretária do escritório de Tomaz pediu ao banco a remoção do acesso do senador e do próprio advogado. Segundo a PF, as medidas desta sexta servem para verificar se Flávio de fato usava contas ligadas ao advogado.
Moraes também determinou que bancos e instituições financeiras enviem, em até 24 horas, informações sobre as contas das empresas, com a lista de correntistas e autorizados.
O que dizem a defesa e o senador
Em nota, a defesa de Tomaz chamou as medidas de desproporcionais e disse que o bloqueio é "uma cifra aleatória, sem correspondência com seu patrimônio". Afirmou que o caso nasceu da Operação Sem Desconto, sobre fraudes no INSS, e que Tomaz não tem relação com o esquema. Sustentou ainda que é falso que Flávio seja "usuário master" da conta e que um nunca movimentou recursos do outro.
Flávio classificou as acusações como "fake news". Ele já havia confirmado uma amizade "legítima" com Tomaz e negado qualquer irregularidade.
O processo corre sob segredo de Justiça, e a defesa de Tomaz informou que tenta ter acesso à decisão.
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