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Moraes bloqueia até R$ 6 bi de Willer Tomaz; Flávio era 'usuário master' de conta

Decisão também quebra sigilos, cancela passaportes e dá 24 horas para bancos enviarem dados da Alcazar; o senador e o advogado negam negócios em comum.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

Fachada do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, onde foi tomada a decisão que bloqueia bens e quebra sigilos. (Arquivo Bairrista)
Foto: Agência Senado from Brasilia, Brazil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta (23) o bloqueio de até R$ 6 bilhões do advogado Willer Tomaz. Ele também mandou quebrar os sigilos bancário, fiscal e cambial de Tomaz e de empresas do grupo Alcazar. A decisão sai de um inquérito sobre suposta lavagem de dinheiro.

O caso chega ao eleitor porque envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do PL à Presidência. A Polícia Federal (PF) encontrou um e-mail que o cadastra como "usuário master" de uma conta da Alcazar Holdings no Santander. Flávio e Tomaz admitem ser amigos, mas negam ter negócios juntos.

O que Moraes determinou

O bloqueio e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, incluindo aviões e embarcações, valem até o limite de R$ 6 bilhões. As quebras de sigilo atingem a Alcazar Brasil Ltda., a Alcazar Holdings Unipessoal, a Alcazar Global Holdings e a Cathedral – Holdings SGPS.

O ministro também ordenou o cancelamento dos passaportes de Tomaz, inclusive de um documento diplomático, e a suspensão das atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as companhias ligadas a ele.

Bancos e instituições financeiras têm 24 horas para enviar todas as informações sobre as contas das empresas, incluindo cotitulares anteriores e atuais.

Segundo a decisão, a saída de Tomaz do país agravou o risco de destruição de provas, em especial as ligadas a fundos e empresas no exterior.

O que a PF achou sobre Flávio

Os investigadores chegaram ao nome do senador por meio de arquivos do iCloud de Tomaz. O material foi analisado no inquérito sobre desvios no INSS. A conta estava em nome da Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que tinha Tomaz como único sócio.

Em 22 de maio de 2025, a secretária de Tomaz, Fayla Menezes, escreveu a gestores do Santander. Ela pediu a inclusão de um novo usuário no perfil master e a retirada de contas vinculadas ao cadastro, entre elas a de Flávio. O banco respondeu às 10h21 daquele dia que as contas haviam sido excluídas do contrato.

Para a PF, o perfil dava acesso operacional relevante à conta e poderia sustentar a hipótese de participação econômica ou societária de fato na empresa. Um relatório que reproduz a avaliação da PF ressalva que se trata de hipótese, não de comprovação, sobre sociedade na holding.

O que dizem Flávio e Tomaz

Em manifestações anteriores à decisão, a equipe do senador afirmou que ele nunca manteve conta com Willer como usuário master e que o e-mail comprova uma vinculação indevida, depois corrigida. A defesa de Tomaz sustenta que o documento não mostra relação financeira ou societária e chama qualquer conclusão nesse sentido de ilação.

A PF também liga a Alcazar Holdings a uma das cotas do jato Legacy 650, usado por Flávio em janeiro de 2025 numa viagem de Brasília a Fort Lauderdale, nos Estados Unidos. Na ocasião, o senador disse que voou de carona, a convite de Tomaz.

Próximo passo

O prazo de 24 horas para os bancos enviarem os dados das contas da Alcazar corre a partir da decisão desta sexta (23). Com as informações, a PF poderá cruzar quem foram os cotitulares das contas ao longo do tempo.

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