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Milk Summit vê espaço para produzir mais leite no RS, mas setor perdeu 55 mil produtores

Consultor aponta potencial de até 50 mil litros por hectare ao ano na Metade Norte, e a Emater diz que o desgaste físico e a falta de braços pesam na saída das famílias.

Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 09:27 · 2 min de leitura

Milk Summit vê espaço para produzir mais leite no RS, mas setor perdeu 55 mil produtores
Foto: Divulgação/Governo do RS

O Milk Summit Mercosul 2026 reuniu produtores, pesquisadores e indústrias em Ijuí, no Noroeste, na quarta (14) e na quinta (15), no Parque de Exposições Wanderley Burmann. O debate girou em torno de uma conta difícil: a produção de leite gaúcha pode crescer, mas o número de famílias na atividade encolhe.

Para quem vive do leite, o recado é de ajuste. Segundo o consultor Wagner Beskow, diretor da Transpondo, a permanência no setor vai exigir mais eficiência, controle de custos e estruturas de produção mais simples e organizadas.

Potencial acima da média atual

Beskow afirmou que boa parte das propriedades leiteiras do Estado está longe de chegar ao seu potencial. Na Metade Norte, disse ele, a produção poderia atingir 33 mil litros por hectare ao ano em sistema convencional e 50 mil litros em áreas irrigadas.

O consultor também apontou uma mudança no perfil da atividade: menos produtores e mais volume produzido. Em levantamento da Emater/RS-Ascar, o RS tinha 84.199 estabelecimentos produtores de leite em 2015 e 28.946 em 2025. A indústria, porém, segue recebendo praticamente o mesmo volume, graças ao ganho de produtividade, segundo Beskow.

Por que as famílias saem

A Emater ouviu 571 famílias de 385 municípios que deixaram a atividade comercial entre 2015 e 2025. A pesquisa foi apresentada em 1º de setembro, na 49ª Expointer, em Esteio.

O técnico Jaime Ries, da Emater/RS, afirmou que a saída não é só questão de dinheiro. Entre as famílias, 66,4% citaram o desgaste físico, 61,3% a falta de mão de obra familiar e 37,8% o desinteresse dos filhos. Os fatores econômicos, porém, aparecem no topo do levantamento: 79,3% apontaram o baixo preço do leite e 66,7% o alto custo dos insumos.

Quase 80% dos antigos produtores não planejam voltar a comercializar leite. Ries alertou que, sem mudanças, o Estado pode ter menos de 3 mil produtores daqui a 25 anos.

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