Milho ensaia reação no físico após queda em outubro; no RS, saca fica de R$ 60 a R$ 70
Indicador Cepea subiu 0,7% entre 21 e 28 de outubro, mas segue abaixo do início do mês; média da Emater no estado é de R$ 62,59.
Por que afeta o RS: O milho é cultura importante no RS e a queda nacional das cotações repercute nos preços recebidos por produtores gaúchos.
Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 3 min de leitura
Atualizada 30/10, 05:12 · O Indicador Cepea do milho passou de R$ 68,70 no fim de setembro para R$ 64,70 na quarta (28), mas subiu 0,7% entre 21 e 28 de outubro; a faixa de R$ 60 a R$ 70 no RS foi reportada na quinta (29) e a média da Emater anterior era de R$ 62,95.

Os preços do milho acumulam queda em outubro no mercado brasileiro, segundo análise divulgada na segunda (26) pelo Cepea, centro de pesquisas da Esalq/USP. O Cepea atribui o recuo à oferta elevada do cereal e à queda da paridade de exportação, ligada às cotações internacionais e ao dólar mais fraco. Nos portos, a baixa foi mais forte do que no mercado interno, acompanhando a queda dos futuros internacionais e do dólar.
No Rio Grande do Sul, os negócios com milho estão restritos e ficam entre R$ 60 e R$ 70 por saca, faixa reportada na quinta (29). A média estadual da Emater recuou 0,57%, de R$ 62,95 para R$ 62,59. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, o produto disponível é cotado a R$ 75. A queda pesa na receita do produtor, e a lentidão das vendas pode dificultar a comercialização do cereal que já está em estoque.
Chuva em excesso atrapalha a semeadura
O plantio da primeira safra 2026/27 no estado chegou a 78% dos 896,4 mil hectares previstos, segundo a Agrolink. A reportagem aponta o excesso de chuva como entrave ao ritmo da semeadura e ao desenvolvimento das lavouras. A Conab indicava, em 23 de outubro, que o plantio já passava de 80% da área prevista.
Com preço pressionado e solo encharcado, o produtor gaúcho enfrenta margem menor e mais dificuldade para entrar na lavoura.
Indicador dá sinal de reação, mas segue abaixo do início do mês
O Indicador Esalq/B3, que reflete negócios na região de Campinas (SP), fechou a sexta (23) em R$ 64,27 por saca, com queda de 6,41% desde o início de outubro. Em 16 de outubro, estava em R$ 64,85, com baixa de 5,56% no mês. O número é referência de mercado, não média nacional.
Já o indicador Cepea citado pela Farmnews passou de R$ 68,70 no fim de setembro para R$ 64,70 na quarta (28). Nesse intervalo houve uma reação: a saca subiu 0,7% entre 21 e 28 de outubro, no físico e também na B3.
Entre as 39 regiões monitoradas pela AgRural, 34 tiveram queda nos preços ao longo do último mês. A maior redução mensal foi em Lucas do Rio Verde (MT), de 14%.
Safra grande pesa sobre os preços
A pressão vem do lado da oferta. A Conab, em seu primeiro levantamento de 2026/27, projeta produção total de até 148 milhões de toneladas de milho, 2,4% acima da safra anterior. A primeira safra pode chegar a 32,10 milhões de toneladas, e a segunda safra deve responder por 113,3 milhões de toneladas.
A demanda interna também deve crescer. A Conab espera alta de 6,6% no consumo em 2026/27, puxada principalmente pelo uso do milho na produção de etanol. O consumo para ração de aves e suínos também sustenta essa demanda.
Segundo o Cepea, compradores domésticos seguem retraídos, com baixo interesse em negociar ou oferecendo valores menores. Parte dos vendedores está flexível porque teme o espaço nos armazéns, que podem ficar cheios com a entrada da safra de verão no início de 2027. O estoque de passagem de milho é elevado, e a expectativa para a soja também é de safra grande.
Na soja, o Cepea informa que a expectativa de safra volumosa em 2026/27 levou a paridade de exportação para entrega em 2027 ao menor patamar desde agosto. Para o produtor gaúcho que negocia soja e milho ou planeja vendas futuras, o cenário tende a limitar as cotações e a receita.
O clima segue no radar. O excesso de chuva ou as altas temperaturas do fim do ano podem prejudicar as lavouras e reduzir as estimativas, que hoje apontam produção recorde, segundo pesquisadores do Cepea. O Cepea volta a atualizar os indicadores de milho nos próximos dias úteis.
Atualização: entraram a faixa de R$ 60 a R$ 70 por saca no RS reportada na quinta (29), o valor anterior da média da Emater (R$ 62,95) e a evolução do indicador Cepea, que foi de R$ 68,70 no fim de setembro para R$ 64,70 na quarta (28), com alta de 0,7% entre 21 e 28 de outubro.
Perguntas frequentes
Quanto está a saca de milho no Rio Grande do Sul?
Os negócios ficam entre R$ 60 e R$ 70 por saca, e a média estadual da Emater é de R$ 62,59 (valor reportado na quinta, 29).
Por que o preço do milho está caindo em outubro?
O Cepea atribui a queda à oferta elevada do cereal e à redução da paridade de exportação, ligada às cotações internacionais e ao dólar mais fraco.
Quanto do plantio de milho da safra 2026/27 já foi feito no RS?
A semeadura da primeira safra chegou a 78% dos 896,4 mil hectares previstos, segundo a Agrolink, com o excesso de chuva como entrave.
Saber mais: fontes consultadas (12)
- Folha Agrícola, análise do Cepea de 26/10/2026
- Jornal de Brasília, 1º Levantamento da Conab 2026/27
- AgroRevenda, estimativa da Conab para 2026/27
- Arede, estimativa da Conab para 2026/27
- Boca, preços do milho no Brasil (Cepea e AgRural)
- Feedfood, Cepea sobre soja e milho em outubro
- Cenário MT, Cepea sobre quedas no milho
- Conab, monitoramento agrícola de outubro
- Agrolink
- CNN Brasil, expectativa de safra recorde pressiona preços de soja e milho (Cepea)
- Globo Rural, preços do milho seguem em queda com oferta elevada
- Farmnews, preço do milho ensaia recuperação no físico e na B3
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