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Milhares vão às ruas na Venezuela por eleições e pelo retorno de María Corina Machado

Protesto nacional foi o primeiro da oposição em quase dois anos; a presidente interina Delcy Rodríguez promete votar, mas não diz quando.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Multidão de manifestantes em uma avenida de Caracas, com bandeiras da Venezuela, durante protesto da oposição.
Foto: Voice of America / Wikimedia Commons (Public domain)

Milhares de venezuelanos protestaram nesta quinta (22) em Caracas e em outras cidades do país. Pediram a marcação de eleições presidenciais e o retorno da líder opositora e Nobel da Paz María Corina Machado. Foi o primeiro protesto opositor de alcance nacional em quase dois anos.

A crise política na Venezuela segue sem calendário eleitoral. A presidente interina Delcy Rodríguez, ex-vice de Nicolás Maduro, e o presidente dos EUA, Donald Trump, dizem que haverá eleições. Nenhum dos dois fixou data para a votação legislativa nem para a presidencial. A oposição quer a presidencial em 2027.

Concentração em Caracas e atos em quatro cidades

Em Caracas, cerca de 2.000 pessoas se reuniram de forma pacífica. A convocação era para as 16h locais, na Praça Venezuela, em frente à Torre Polar. Os cartazes cobravam eleições e diziam "Marquem a data, nós votamos".

O Vente Venezuela, movimento de Machado, organizou o protesto, que também teve atos em Valencia, Maracay, San Cristóbal e Maracaibo. Em Táchira, na fronteira com a Colômbia, também houve manifestação. Em Ciudad Bolívar, militantes denunciaram o fechamento de uma via onde pretendiam protestar.

As forças de segurança tiveram presença mínima nos locais, e em muitas cidades menores os manifestantes se dispersaram antes do anoitecer. O chavismo, no poder desde 1999, já usou essas forças contra protestos no passado.

"Não vamos esperar até 2028", disse Maria Debora Marin, 57 anos, dona de loja em Valencia. Ela se referia a rumores de que a eleição ficaria para 2028. A oposição acusa o governo de avaliar convocar a presidencial apenas para 2028.

Machado, fora do país, não tem data para voltar

Machado está fora do país há quase um ano, depois de viver escondida após a eleição contestada de 2024. Ela afirma que a votação precisa ocorrer até julho de 2027. Exilada no Panamá, ela prometeu voltar, mas foi impedida sete vezes, segundo fontes do partido.

O Vente Venezuela levou às ruas quatro exigências: garantias para o retorno de Machado, um calendário eleitoral, eleições presidenciais em 2027 e a libertação dos presos políticos.

Negociação com o governo não inclui o partido de Machado

Os EUA trabalham de perto com o governo interino de Delcy Rodríguez desde que forças americanas capturaram Maduro, em janeiro. Uma facção da oposição negocia com o governo, com apoio dos EUA, a reformulação do Supremo e do órgão eleitoral para dar garantias a eventuais eleições. A última rodada foi neste mês, mas as mudanças podem levar tempo.

A negociação não inclui o movimento político de Machado, que diz não querer atrapalhar o andamento das conversas. O governo de Delcy Rodríguez não anunciou data para a eleição presidencial até esta sexta (23).

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