Milhares vão às ruas na Venezuela e cobram eleições; governo interino não fixa data
Primeira mobilização nacional da oposição em quase dois anos teve atos em cinco cidades e pede votação presidencial em 24 de julho de 2027.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Milhares de venezuelanos saíram às ruas nesta quinta (22) para exigir eleições livres e mudanças políticas. Os atos, organizados pelo movimento Vente Venezuela, de María Corina Machado, ocorreram em Caracas e em outras cidades, como Valencia, Maracay, San Cristóbal e Maracaibo. Segundo a Reuters, foi o primeiro protesto da oposição em escala nacional em quase dois anos.
Até agora, não existe data para votar. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente interina, Delcy Rodríguez, dizem que haverá eleições, mas nenhum dos dois marcou a votação legislativa nem a presidencial.
O que a oposição pede
O Vente Venezuela levou quatro exigências aos atos: garantias para o regresso de Machado, um calendário eleitoral, eleições presidenciais em 2027 e a libertação dos presos políticos. O partido quer a votação em 24 de julho de 2027, data do nascimento de Simón Bolívar.
Machado apoia a proposta do senador republicano americano Bernie Moreno de fazer a eleição nessa data. Em entrevista ao Financial Times publicada em 9 de outubro, ela reconheceu divergências com o governo Trump sobre o prazo da transição. Machado disse haver "tempo mais do que suficiente" para preparar o pleito até julho do próximo ano.
A oposição rejeita a possibilidade de a eleição presidencial ser adiada para 2028. "Não vamos esperar até 2028", disse a lojista Maria Debora Marin, de 57 anos, em Valencia, ao citar os rumores de adiamento.
Governo interino não marca votação
No fim de setembro, em discurso na Assembleia-Geral da ONU, Delcy Rodríguez prometeu eleições e afirmou que o povo determinará o "momento certo". Rodríguez comanda o país desde 3 de janeiro, depois que forças dos EUA capturaram o então presidente Nicolás Maduro numa operação militar.
Negociações apoiadas pelos EUA entre uma ala da oposição e o governo interino tratam de reformular a Suprema Corte e o Conselho Nacional Eleitoral, para garantir equidade numa eventual votação. A última rodada foi neste mês, e as mudanças podem levar tempo. O movimento de Machado não participa da mesa, mas ela diz que não vai atrapalhar o avanço das conversas.
Ruas com pouca polícia
As forças de segurança tiveram presença mínima nos locais dos atos, e em muitas cidades menores os manifestantes se dispersaram antes do anoitecer. O chavismo, no poder desde 1999, já usou forças de segurança contra protestos no passado, inclusive depois da eleição presidencial de 2024.
No mesmo dia, o Partido Socialista, governista, convocou uma marcha em Caracas pelo mês de conscientização sobre o câncer de mama. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, apareceu na TV estatal participando. Os simpatizantes da oposição levaram o protesto para um local próximo.
Rayeska Puesme, de 18 anos, recém-formada, disse em Caracas que o país está "em limbo" e que já considerou ir embora por falta de oportunidades. Os organizadores não divulgaram novo calendário de mobilização.
Saber mais
Leia também
DMLU escala 259 trabalhadores e 17 caminhões para limpar santinhos no domingo

Zucco diz que alinhamento com Flávio facilitaria relação com a União; 25 prefeitos ouvem

Zucco não confirma secretários; Capitão Martim é o mais cotado para a Defesa Civil

Transição indica que plano do bloco 2 não avança; Funrigs pode bancar obras de emergência

Mais lidas
1Advogado Sebastian Watenberg é sondado para diretoria do Banrisul no governo Zucco2Adolescente de 16 anos cai do 3º pavimento de shopping em Caxias e está em estado grave3Falhas críticas no PHP tiram sites do ar pelo mundo; correção está nas versões 8.2 a 8.54Campanha de Lula pede ao TSE cassação da chapa de Flávio e inelegibilidade por 8 anos5Flávio impõe condições para abrir sigilos; campanha de Lula diz aceitar todas