Transição indica que plano do bloco 2 não avança; Funrigs pode bancar obras de emergência
Reunião entre Eduardo Leite e Luciano Zucco também tratou do El Niño, que pode trazer chuva acima da média ao Sul até o início de 2027.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

O governador Eduardo Leite (PSD) e o governador eleito Luciano Zucco (PL) trataram do bloco 2 de concessões rodoviárias na reunião de transição desta quinta (22). Segundo a colunista Taline Oppitz, do Correio do Povo, os planos atuais não devem avançar, e o assunto volta à mesa em novos encontros.

A decisão afeta quem usa as estradas do Vale do Taquari, do Vale do Rio Pardo e do Norte gaúcho. O bloco 2 reúne 409 quilômetros de rodovias em 32 municípios, e o projeto previa aporte de R$ 1,5 bilhão do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Pelo desenho original, esse dinheiro serviria para tornar a concessão mais atrativa ao mercado. A intenção do próximo governo, segundo a coluna, é usar recursos do Funrigs em obras emergenciais nas estradas enquanto avalia outra modelagem.
A lista de obras, os valores e o cronograma não foram divulgados. Também não há informação oficial sobre o efeito na tarifa ou no orçamento estadual.
Edital de junho não atraiu interessados
O bloco 2 chegou a ter edital lançado, mas não atraiu interessados. Zucco disse ao jornal Zero Hora que o modelo da atual gestão "fracassou". Na época do edital, ele atribuiu a falta de propostas à falta de planejamento, diálogo e condução equivocada do governo.
Leite já havia dito, em 9 de outubro, que não pretendia avançar com a concessão do bloco 2 sem discutir o projeto com o governador eleito. Na ocasião, afirmou que a assinatura do contrato ocorreria no próximo governo, mesmo que um edital fosse publicado neste ano.
A proposta enfrentou resistência da oposição e de ex-aliados que hoje integram a base de Zucco, segundo a coluna. Os projetos de Leite foram contestados por adversários e analisados na CPI dos Pedágios, que questionou, em especial, as concessões dos blocos 1 e 2.
Paraná serve de inspiração para novo modelo
Zucco defende para o RS um sistema híbrido e integrado, como o do Paraná, que reúne no mesmo lote trechos de rodovias federais e estaduais, de maior e menor fluxo.
Pelo relato da coluna, no modelo paranaense o estado não coloca dinheiro público nas obras. O investimento vem das tarifas ou da outorga que retorna ao contrato. Quanto maior o desconto de tarifa oferecido pela empresa, maior o aporte de garantia que ela deve depositar.
No Vale do Taquari, há quem defenda a ordem inversa da concessão. Uma liderança regional citou como prioridades as ligações entre Venâncio Aires e Encantado, entre Estrela e Teutônia, e o trecho baixo da Estrada Pão e Vinho, entre Santa Tereza e Muçum. As associações de municípios Amvat e Amat pedem que os R$ 1,5 bilhão sejam aplicados nas obras previstas na concessão.
El Niño entra na pauta da transição
Parte do encontro foi dedicada aos prognósticos de clima e hidrologia, com foco no El Niño. A coluna informa que o pico é esperado entre dezembro e janeiro de 2027, em plena troca de comando no Estado. A previsão da NOAA, agência norte-americana, já apontava maior intensidade nesse período.
O Painel El Niño 2026–2027, que reúne instituições federais como Inmet e Defesa Civil Nacional, registrou que o fenômeno foi confirmado em junho de 2026. Em uma de suas edições, o painel citou previsões da NOAA com 81% de probabilidade de atingir a categoria muito forte no trimestre outubro-novembro-dezembro.
No RS, o efeito típico é mais chuva na primavera e no verão. Entre os impactos comuns estão inundações, enxurradas, deslizamentos, perdas agrícolas e danos à infraestrutura. Isso pesa sobre as estradas que a transição quer recuperar. No El Niño muito forte de 2015–16, estações do Sul registraram recordes de precipitação.
A Defesa Civil de Porto Alegre divulgou a Nota Técnica nº 011, de 19 de outubro. Ela indica possibilidade de chuvas acima da média em diferentes regiões do Estado, especialmente entre novembro e dezembro. As projeções vão até março de 2027. A análise completa e os mapas estão na página de Notas Técnicas do site do órgão.
Serviço
Em situação de risco, o telefone da Defesa Civil é 199. Zucco assume o governo em 1º de janeiro de 2027. A data dos próximos encontros da transição sobre o bloco 2 não foi divulgada.
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