Mensagens indicam 2ª conversa de Nikolas com Vorcaro sobre mina, dois dias após áudio
Vorcaro disse a um advogado que atendeu o deputado por 10 minutos em 2 de abril de 2025; Nikolas já havia confirmado à CNN o contato com o banqueiro.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

O ICL Notícias publicou nesta sexta (23) mensagens que indicam uma nova conversa entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em 2 de abril de 2025, Vorcaro relatou a Luiz Rennó, um de seus advogados, que "atendeu" o deputado por "10 minutos". O assunto era um ativo minerário ligado ao advogado e ex-assessor de Nikolas, Thiago Rodrigues de Faria.

O caso envolve um deputado mineiro e uma mina em Minas Gerais, mas Nikolas é um dos parlamentares mais seguidos do país e o nome dele segue entre os termos mais buscados também no RS. O que há de concreto até agora são mensagens e áudios divulgados pela imprensa. Não há decisão judicial nem acusação formal sobre o tema nas fontes consultadas.
O que as mensagens mostram
Às 14h02 de 2 de abril, Rennó perguntou a Vorcaro sobre "Nicolas deputado, Thiago adv e mineração Capão". Vorcaro respondeu que Nikolas lhe pediu e que atendeu o deputado por 10 minutos. As mensagens não detalham o que foi dito nesse atendimento.
À noite, Rennó deu a Vorcaro sua análise sobre o pedido: "Nao vale a pena ok!" Em 8 de abril, disse que seguia sendo cobrado pelo assunto por pessoas "desse lado", que o negócio era ruim e que não via como o momento certo. O trecho divulgado não diz quem fazia a cobrança.
O áudio de março e as versões
A segunda conversa vem depois de outro episódio já conhecido. Em 30 de março de 2025, Nikolas enviou um áudio a Vorcaro dizendo que Faria tinha um ativo minerário pendente e sugerindo que os dois conversassem. O material foi divulgado pelo ICL em 3 de setembro de 2026.
À CNN, Nikolas confirmou ter falado com Vorcaro e negou ter recebido dinheiro. O contato de 30 de março é público; as mensagens de 2 de abril mostram um atendimento posterior.
O ICL afirma que as mensagens contradizem o que Faria disse à reportagem em outubro, quando negou que ele ou o deputado tivessem pedido a Vorcaro para destravar o ativo. O ICL procurou Faria sobre a nova conversa, mas ele não retornou.
A mina do Capão, ou Capão do Lana, fica a cerca de 2 km do distrito de Rodrigo Silva, em Ouro Preto (MG). Pertence à Topázio Imperial Mineração, dona dos direitos que Faria tentava negociar, segundo a Polícia Federal.
O nome de Faria foi citado em setembro de 2025 na Operação Rejeito, da PF, que apura extração ilegal de minério de ferro. Documentos da investigação mostram que a sociedade de advocacia dele mantinha, desde janeiro de 2025, contrato com a Gmais Ambiental, uma das empresas investigadas. Faria afirmou que nunca foi chamado para depor pela PF e que não tem relação com eventuais crimes investigados.
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