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Meloni manda 500 militares a Milão até o fim do ano; Mattarella barra poder de polícia

Decreto aprovado nesta terça (20) estende a 24 horas a detenção preventiva, que passa a alcançar menores, e cria o crime de participação violenta em manifestação.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Foto: Meloni manda 500 militares a Milão até o fim do ano; Mattarella barra poder de polícia
Foto: DellaGherardesca / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciou nesta terça (20) o envio de 500 militares a Milão até 31 de dezembro. A decisão veio após o Conselho de Ministros aprovar um decreto de segurança, motivado pelos saques e confrontos entre manifestantes e polícia no sábado (17) e no domingo (18). Os soldados vão atuar ao lado da polícia e dos carabinieri.

Quadro: Meloni manda 500 militares a Milão até o fim do ano; Mattarella barra poder de polícia
Entenda em um quadro · Bairrista

O ponto de atrito foi o poder dos militares. O governo desistiu de dar funções de polícia aos soldados depois das objeções do Quirinale, a Presidência da República. A imprensa italiana relata que o presidente Sergio Mattarella resistiu a ampliar as tarefas dos militares. Eles não têm a formação de polícia judiciária de policiais, carabinieri e a Guarda de Finanças. A discussão sobre até onde vão os militares na segurança pública é conhecida no Brasil, onde as Forças Armadas atuam em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

O que o decreto prevê

Segundo Meloni, em vídeo nas redes sociais, as medidas facilitam a detenção de menores, impõem multas aos pais por danos causados pelos filhos e tipificam o crime de "participação violenta em manifestação". O pacote também estende a 24 horas o fermo preventivo, a detenção para evitar situações de perigo. A premiê afirmou ainda que a Justiça juvenil ganhará mais magistrados e mais vagas nos institutos.

Por ser decreto-lei, o texto pode valer assim que for publicado, mas depende de conversão posterior pelo Parlamento. A Lega, do vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, reivindica que o decreto incorpore normas do projeto de lei de segurança que está parado no Senado. Salvini chamou os distúrbios de "vergonhosos".

Centenas de conduzidos à delegacia

Fontes do Departamento de Polícia informaram, na segunda (19), que 271 pessoas foram levadas à questura de Milão, 220 delas menores, e que 174 ficaram sob detenção preventiva. Várias lojas foram saqueadas. Alguns comerciantes fecharam as portas, retiraram produtos das vitrines ou reforçaram a segurança. Não há balanço oficial consolidado de feridos nem de prejuízos.

Os protestos, convocados pelo movimento Italia in Piazza, são contra o custo de vida e contra o governo. Estudantes, agricultores e caminhoneiros estão entre os participantes. Meloni diz que os responsáveis pela violência são "vândalos" que se aproveitam dos atos. "Protestar é um direito. Destruir nossas cidades, não", escreveu.

Itália vai às urnas no próximo ano

A discussão sobre até onde vão os militares na segurança pública, porém, é conhecida no Brasil, onde as Forças Armadas atuam em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Na Itália, o tema entra na pauta de um governo que enfrenta eleições no próximo ano, com economia, segurança e imigração como assuntos centrais da campanha.

Novas manifestações estão previstas para o próximo fim de semana, e os 500 militares ficam em Milão até 31 de dezembro.

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