Macron critica comentários 'estúpidos' sobre distúrbios; juro francês passa de 5%
Sem citar nomes, presidente francês mirou Trump e Netanyahu; Moody's decide na sexta (23) se rebaixa a nota da França, hoje Aa3 com perspectiva negativa.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou nesta quarta (21), em Doha, no Catar, os comentários "estúpidos" de líderes estrangeiros sobre os distúrbios de sábado (17). Ele não citou Donald Trump nem Benjamin Netanyahu, mas a fala veio depois das críticas dos dois à França pela violência nos protestos de 17 de outubro.
No mesmo dia, o custo da dívida francesa subiu. O rendimento do título de 10 anos chegou a 5% pela primeira vez desde julho de 2002. É sinal de preocupação dos investidores com a capacidade do país de reduzir o déficit. Na prática, a França paga mais para se financiar, e o governo tem pouca folga para responder com mais gasto às demandas sociais.
O que Macron disse
Macron falou a jornalistas depois de uma viagem ao Golfo. Para ele, não há interferência estrangeira visível nos acontecimentos. Houve, porém, manipulação estrangeira da informação, que levou a comentários inaceitáveis e até estúpidos de vários líderes, inclusive estrangeiros. Segundo o presidente francês, os líderes miram a França por causa de eleições em seus países e se deixaram influenciar por vídeos falsos feitos com inteligência artificial.
Em comício no Kansas na segunda (19), Trump descreveu uma França tomada, saqueada e incendiada por migrantes, jihadistas e comunistas. Netanyahu associou a crise ao islã. Trump enfrenta eleições legislativas de meio de mandato em novembro, e Netanyahu disputa as eleições deste mês em Israel.
Detidos e investigação
A procuradora de Paris, Laure Beccuau, informou na terça (20) que 300 dos 557 detidos na cidade já tinham passado por um magistrado. Nenhum alegou motivação política. Na segunda (19), ela já havia dito que não pode confirmar que os autores sejam politizados da extrema esquerda. Entre os 557, 77% eram maiores de idade.
Moody's decide na sexta
A Moody's divulga na sexta (23) sua decisão sobre a nota da França, hoje Aa3 com perspectiva negativa, o que torna um rebaixamento plausível. A diferença entre os juros franceses e os alemães se aproxima de 1,6 ponto percentual.
Para analistas, as manifestações violentas do fim de semana reforçaram as dúvidas dos investidores sobre o plano de ajuste fiscal do governo. A pressão sobre os preços também vem de fora: Macron foi ao Golfo para garantir o fornecimento de hidrocarbonetos e baixar os preços dos combustíveis na França.
Governo tenta responder
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, recebeu os sindicatos nesta quarta e espera anunciar na próxima semana medidas para as demandas dos estudantes. Macron convocou para quinta (22) uma reunião com os serviços de inteligência, Lecornu e ministros para obter um relatório detalhado sobre o sábado.
Serviço: a reunião de Macron com a inteligência é nesta quinta (22), e a decisão da Moody's sai na sexta (23). As medidas para os estudantes devem vir na semana que vem, segundo Lecornu.
Saber mais
- Doha, AFP via Unitel (Macron e procuradora de Paris)
- Tportal (Macron em Doha)
- Yahoo/AFP (Macron e vídeos de IA)
- UNI (Macron sobre interferência estrangeira)
- Noovo (fala de Trump no Kansas)
- Anadolu (procuradora de Paris)
- Franceinfo (gardes à vue)
- Epoch Times FR (procuradora sobre extrema esquerda)
- Zonebourse/Reuters (OAT 10 anos)
- Boursorama/Zonebourse (spread OAT-Bund)
- Coinacademy (Moody's sexta 23)
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