Lula exige desculpas por "nove dedos" em debate da Globo; Flávio pede e volta a atacar
Senador falou em moradores de rua que "dobraram" no governo; checagem da Lupa aponta alta menor, de cerca de 42%, com base no Ipea.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Lula (PT) exigiu desculpas do senador Flávio Bolsonaro (PL) depois de ser chamado de "nove dedos" no debate da TV Globo, nesta sexta (23). Flávio pediu desculpas e, na sequência, voltou a atacar o governo. O segundo turno é neste domingo (25).
O episódio dividiu espaço com temas que pesam no bolso e no dia a dia de quem vota no RS e no resto do país. O segundo bloco passou pelas políticas sociais: licença-maternidade, Bolsa Família, população em situação de rua e violência contra mulheres. A segurança pública apareceu no terceiro bloco, com Flávio criticando a posição de Lula sobre as saídas temporárias de presos.
Como a troca começou
A provocação veio no primeiro bloco, quando Lula questionou o adversário sobre a tarifa zero no transporte público aos fins de semana. Flávio respondeu que de nada adianta o salário mínimo subir se Lula "dá com uma mão e tira com os nove dedos". Lula perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em 1964, aos 17 anos, quando trabalhava como torneiro mecânico.
No bloco seguinte, o presidente disse que não permitiria que um "miliciano" o chamasse assim. Também acusou Flávio de ter sido funcionário fantasma na juventude e afirmou que ele nunca trabalhou. Lula citou acidentes de trabalho e jornadas excessivas, mas o debate não entrou em propostas específicas sobre segurança do trabalho.
Flávio respondeu: "eu te peço desculpa de verdade". Disse que não queria ofender. Em seguida, perguntou se Lula pediria desculpas aos moradores de rua, cujo número, segundo ele, dobrou no governo, e também às mulheres vítimas de violência, aos endividados e a quem perdeu poder de compra.
Nas considerações finais, Lula pediu desculpas pelo tom elevado que adotou no confronto. Flávio ganhou direito de resposta e afirmou que nunca foi investigado por envolvimento com milícias.
O que dizem os números sobre moradores de rua
A Agência Lupa checou a afirmação durante o debate. Segundo o Ipea, com base no Cadastro Único, a estimativa para 2022 era de 281.472 pessoas em situação de rua. O dado mais recente do Tabulador do Cadastro Único, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, é de 399.809, o que daria alta de cerca de 42%.
O Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua estimou 365,8 mil pessoas em dezembro de 2025, alta de 55% sobre 2022. Já a série bruta do Cadastro Único, sem o ajuste do Ipea, passou de 198,7 mil em dezembro de 2022 para 392,4 mil em junho de 2026, aumento de 97,4%. A diferença entre os cálculos está na base de comparação.
O último confronto entre os candidatos antes da votação foi na sexta-feira, e o segundo turno acontece neste domingo (25).
Perguntas frequentes
Quando é o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro?
O segundo turno acontece neste domingo (25).
Qual foi a alta de moradores de rua segundo o Ipea?
Cerca de 42%, com estimativa de 281.472 pessoas em 2022 e 399.809 no dado mais recente do Cadastro Único.
Saber mais
Leia também
Gilmar Mendes rejeita queixa de Gaspar, vice de Flávio, contra Lindbergh e Soraya

Propaganda eleitoral do 2º turno só vale até as 22h deste sábado (24)

Lula cobra Flávio por voto contra licença de seis meses; senador admite erro em debate

Apoio de 80% à maioridade penal aos 16 anos esbarra na falta de base empírica

Mais lidas
1Debate da Globo entre Lula e Flávio Bolsonaro começa às 21h20 desta sexta; veja onde assistir2Lula e Flávio Bolsonaro fazem último debate na Globo às 21h20 desta sexta (23)3Homem é morto a tiros no Passo das Pedras, em Porto Alegre; área foi isolada4Dois rostos de ferro do Chafariz das Nereidas são furtados em Pelotas5Dólar cai 0,90% e fecha a R$ 4,99; Ibovespa sobe 0,47% antes do 2º turno