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Apoio de 80% à maioridade penal aos 16 anos esbarra na falta de base empírica

Análise científica de 59 propostas de emenda conclui que as justificativas do Congresso não encontram respaldo em evidências, e a PEC só deve ser votada depois da eleição.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

Foto: Apoio de 80% à maioridade penal aos 16 anos esbarra na falta de base empírica
Foto: Senado Federal - TV Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A redução da maioridade penal de 18 para 16 anos tem o apoio de 80% dos brasileiros, segundo pesquisa Datafolha divulgada no sábado (17). Outros 18% se declararam contra, 2% não souberam responder e 1% disse ser indiferente. A pesquisa mede opinião e não testa se a mudança reduziria crimes.

Para quem vive no RS, a regra atual segue valendo. A Constituição segue fixando 18 anos como idade da responsabilidade penal, e a alteração exigiria o voto favorável de pelo menos 308 deputados, em dois turnos, antes de ir ao Senado. Hoje, a partir dos 12 anos, o adolescente já responde por ato infracional e pode cumprir medida socioeducativa, com internação de até três anos, conforme o ECA. No estado, a execução fica com a Fase-RS.

O que o Datafolha perguntou

O instituto entrevistou presencialmente 2.520 pessoas de 16 anos ou mais, em 153 municípios, nos dias 13 e 14 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com 95% de confiança. A pesquisa está registrada no TSE sob o protocolo BR-00466/2026. A pergunta foi se o entrevistado é favorável ou contrário à redução de 18 para 16 anos.

O apoio atravessa a polarização, mas varia. Chega a 70% entre quem declara voto em Lula e a 89% entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro. Entre os brasileiros de 16 a 24 anos, 73% são favoráveis e 26% são contra.

Artigo acadêmico analisa 59 PECs

Um artigo científico publicado na plataforma Redalyc examinou 59 propostas de emenda à Constituição sobre o tema, apresentadas na Câmara e no Senado. Para os autores, evidências nacionais e internacionais contrariam as justificativas dos parlamentares, e a redução carece de fundamentação teórica e empírica.

Em que pé está a PEC

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou, em 10 de junho, a admissibilidade da PEC, por 44 votos a 18. O relator foi o deputado Coronel Assis (PL-MT). O texto aprovado prevê a mudança só para adolescentes de 16 e 17 anos que cometam crimes hediondos, como homicídio qualificado e latrocínio. Segundo Vitor Blotta, vice-diretor do Núcleo de Estudos da Violência da USP, a CCJ não aprovou a mudança em si. Apenas reconheceu que a proposta pode continuar tramitando.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), determinou a criação de uma comissão especial. O colegiado é presidido pelo deputado Aluisio Mendes (Republicanos-MA), com relatoria de Mendonça Filho (PL-PE). Em setembro, a comissão aprovou requerimentos para audiências públicas.

O assunto também entrou na campanha presidencial. Em sabatina na quinta-feira (15), Lula defendeu a redução para 16 anos em crimes hediondos. Flávio Bolsonaro propõe 16 anos para qualquer crime e 14 anos em casos como estupro, tráfico, tortura e assassinato. O senador Camilo Santana (PT-CE) protocolou emenda para reduzir a maioridade a 16 anos só em crimes hediondos.

A comissão especial planeja votar o parecer apenas depois do período eleitoral, e não há data marcada. Se passar nela, a PEC segue ao plenário da Câmara, onde precisa de 308 votos em dois turnos.

Perguntas frequentes

Qual é a maioridade penal atual no Brasil?

Continua sendo 18 anos, fixada pela Constituição; a alteração exige 308 votos na Câmara em dois turnos.

A maioridade penal pode ser reduzida para 16 anos sem mudar a Constituição?

Não. A mudança depende de emenda constitucional, aprovada por pelo menos 308 deputados em dois turnos, antes de ir ao Senado.

Adolescentes de 12 anos já respondem por crimes?

Respondem por ato infracional, com medida socioeducativa de internação de até três anos, conforme o ECA; no RS, a execução fica com a Fase-RS.

Quando a PEC da maioridade penal deve ser votada?

A comissão especial pretende votar o parecer só depois do período eleitoral, sem data marcada.

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